sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Halloween, a Festa das Bruxas

Por Pastor Sérgio Pereira

“Porque o rei da Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará os terafins, atentando nas entranhas” – Ezequiel 21.21

No dia 31 de outubro comemora-se o Halloween, popularmente chamado de “Dia das bruxas”, que vagarosamente tem-se colocado nas festinhas culturais de várias nações, inclusive o Brasil. Essa festa que se apresenta inocente, tem estreita ligação com práticas ocultistas, mesmo que alguns duvidam disso.
A origem do Halloween data de tempos antigos, aproximadamente por volta de 1.200 a.C., quando os druidas, magos de origem celta, realizavam cerimônias de adoração ao “deus da morte” ou ao “Senhor da morte” em 31 de outubro. Tal adoração acontecia na cerimônia do “samhain”, o deus dos mortos, declarando o 1º de novembro como o dia de todos os santos e o 2 de novembro como dia de finados, lembrando-se dos mortos em todos os três dias.
É possível rastrear as origens das tribos celtas até a cultura de Túmulos da Idade do Bronze, que atingiu o seu apogeu por volta de 1200 a.C. Contudo, os celtas não figuram como povo distinto e identificável até a época do período de Hallstatt (dos séculos VII a VI a.C.). Durante o período de Hallstatt, os celtas espalharam-se pela Grã-Bretanha, Espanha e França. O ano novo deles começava no dia 1º de novembro. O festival iniciado na noite anterior homenageava Samhain, "O Senhor da Morte". Essa celebração marcava o início da estação de frio (no Hemisfério Norte), com menos períodos de sol e mais períodos de escuridão. Os celtas acreditavam que durante as festividades de Samhain, os espíritos dos seus ancestrais sairiam dos campos gelados e dos túmulos para visitar suas casas e cabanas aquecidas. Os celtas criam que teriam de ser muito receptivos e agradáveis para com os espíritos, pois os bons espíritos supostamente protegeriam suas casas contra os maus espíritos durante aqueles meses de inverno. Os celtas tinham medo do Samhain. Para agradar-lhe, os druidas, que eram os sacerdotes celtas, realizavam rituais macabros. Fogueiras (feitas de carvalhos por acreditarem ser essa uma árvore sagrada) eram acessas e sacrifícios eram feitos em homenagem aos deuses. Criminosos, prisioneiros e animais eram queimados vivos em oferenda às divindades.
Os druidas criam que essa era a noite mais propícia para fazer previsões e adivinhações sobre o futuro. Essa era a única noite do ano onde a ajuda do "Senhor da Morte" era invocada para tais propósitos. Um dos rituais para desvendar o futuro consistia da observação dos restos mortais dos animais e das pessoas sacrificadas. O formato do fígado do morto, em especial, era estudado para se fazer prognósticos acerca do novo ano que se iniciava. Essa prática ocultista aparece no Antigo Testamento sendo realizada pelo rei da Babilônia conforme o texto citado no inicio deste artigo.
Entre os principais símbolos do Halloween temos:
Ø The Jack O’Lantern – A Lanterna de Jack: a abobora esculpida com uma face demoníaca e iluminada por dentro.
Ø “Apple-ducking (bobbing for apples)” – maças boiando: uma homenagem a Pomona, a deusa romana dos frutos e das árvores, que era louvada na época da colheita (novembro). Maçãs ficavam boiando em um barril com água, enquanto as pessoas mergulhavam seu rosto nela tentando segurá-las com os dentes. Depois faziam adivinhações sobre o futuro, com base no formato da mordida
Ø “Trick or treat” – travessura ou trato. Estas palavras sao ditas por crianças que aproximam-se das casas nas noites de Halloween. Se você responder trick, elas imediatamente começam as travessuras. Ao responder treat, você deverá dar um doce a elas. Essas crianças, na comemoração do Halloween, representam os espíritos dos mortos que supostamente vagueiam naquela noite procurando realizar maldades (travessuras) ou em busca de bom acolhimento (bons tratos). Os celtas deixavam comidas do lado de fora das casas para agradar os espíritos que passavam. Ao receber essas crianças ingênuas nas nossas casas, estamos simbolicamente realizando negociatas com principados e potestades do mundo tenebroso, da mesma forma que os celtas faziam na Antigüidade.
Muitos grupos satânicos também consideram o Halloween uma noite especial, em parte porque ele "tornou-se o único dia do ano em que se acredita que o diabo possa ser invocado para revelar os futuros casamentos, problemas de saúde, morte, colheitas e o que acontecerá no próximo ano". Na verdade a bruxaria e o satanismo têm certas semelhanças. Mesmo que sejam coisas distintas, e mesmo que se dê legitimidade às declarações do movimento neo-pagão que desdenha o satanismo, devemos lembrar o claro ensino bíblico de que o diabo é a fonte de poder por trás da bruxaria e de todas as formas de ocultismo.
A Bíblia Sagrada é tão clara quanto à cerimônia e cultos dessa natureza, basta ler os textos de Levítico 19.31; Deuteronômio 18.10-14; II Crônicas 33.6; Isaías 8.19,20.
Em todos esses textos os adivinhadores, feiticeiro, consultadores do futuro são severamente condenados pela Palavra de Deus.
O leitor escolhe: consultar aqueles que consultam mortos e adivinhos ou confiar no Senhor? A decisão é sua!

Fontes de Pesquisa:
http://www.chamada.com.br/mensagens/halloween.html. Acesso em 30/10/2009
http://www.chamada.com.br/mensagens/happy_halloween.html. Acesso em 30/10/09

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em Meio a Falsa Religiosidade, Ainda há Remanescentes!

Por Pastor Sérgio Pereira

Uma coisa precisa ser admitida por qualquer cristão honesto que olhe para a situação da Igreja atual como um todo. A Igreja não é saudável, ela não está bem. O pecado está brotando excessivamente em seu interior e se enraizando profundamente, destruindo, dividindo, invertendo os valores bíblicos e fazendo dela, a Igreja, um sistema manipulado por pessoas tomadas por espírito que certamente não é o de Deus.
Um exemplo disso é que a imoralidade sexual, o adultério e a fornicação se tornaram tão comum dentro da Igreja quanto fora dela. Os índices de divorcio hoje são maiores dentro da Igreja do que fora dela. Muitos membros da Igreja estão secretamente praticando o aborto. A cada dia estão sendo expostos novos pecados que estavam escondidos. Heresias e sectarismo aumentam com frequência cada vez maior.
Grande número de membros de Igreja cujas vidas são uma verdadeira contrariedade aos princípios doutrinários da Palavra de Deus. Muitos deles têm estado assim há muitos anos e parece que nunca irão mudar. Parece não existir ou se existe é quase imperceptível a transformação de vidas. Grande número dos frequentadores de Igrejas é de pessoas rebeldes, egoístas, não amorosas, avarentas e profanas. Muitos são desonestos, caluniadores,não confiáveis, fofoqueiros, mentirosos e desobedientes. Infelizmente, em muitas igrejas locais, esses formam a maioria e não a minoria.
A vida dupla, hipócrita, relaxada e desleixada com as coisas espirituais tem sido notória em meio da religiosidade atual. Na verdade classificaria a atual geração evangélica corrompida pela profanação de elementos sagrados e pela sacralização de elementos profanos como “coadores de mosquito e engolidores de camelos” (Mt 23.24).
No púlpito então, a situação é desconfortante: as mensagens transmitidas só fazem cócegas na alma quando muito. A teologia da prosperidade encontra no evangelicalismo brasileiro o seu maior expoente. Os pregadores modernos preocupam-se mais com a venda de seus materiais (CDs e DVDs), do que com a exposição clara, correta e sadia da Palavra de Deus. Fala-se o que o povo quer ouvir, não o que se precisa ouvir. Os sacerdotes e profetas da atualidade tem-se transformado em fantoches e marionetes nas mãos dos marqueteiros evangélicos que visam apenas à obtenção de lucros. Os sacerdotes profissionais vendem suas consciências, os profetas de conveniência estão profetizando mentiras ao povo.
A liturgia, essa então, está cheia de pompa, glamour. Há um ritual pomposo, mas o povo está longe de Deus (Is 29.13), o povo está enfermo, fraco e há muitos que dormem (I Co 11.30).
Certamente há alguns focos de luz. Nem tudo está perdido. Nem tudo é trevas. Há alguns e graças a Deus por eles, que são genuinamente convertidos. É possível encontrar aqueles que sinceramente estão buscando o Senhor. Os remanescentes são compromissados com a Palavra e com o povo, não visam o seu bel prazer. Os remanescentes, na maioria das vezes, são pessoas insignificantes, mas não se preocupam com isso, eles querem que o Senhor cresça e eles diminuam (Jo 3.30). Os remanescentes não se dobram diante de Baal (I Rs 19.18), não comem na mesa de Jezabel (I Rs18.19), não se curvam perante a estátua de Nabucodonozor (Dn 3), não se importam se Deus vai abençoar ou não, eles O servem por causa do que Ele é, não pelo que Ele faz.
Aqui e acolá, os remanescentes estão resplandecendo como astros no firmamento (Fp 2.15) no meio de uma geração corrompida. São pequenos focos de luz, pequenas mechas de luminosidade que irradiam a presença do Senhor, onde quer que chegam.
Creio que temos alguns sete mil que não se dobraram, alguns Micaías que profetizam aquilo e somente aquilo que o Senhor mandar (I Rs 22.14). Sim, ainda há remanescentes, eu faço parte desse grupo, e você?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Pastor Chamado e o Chamado Pastor

Recebi essa reflexão de um amigo por e-mail, achei interessante, verdadeira e pertinente. Por isso resolvi postar aqui. Leiam e reflitam:

O PASTOR CHAMADO E O CHAMADO PASTOR
O pastor chamado ama gente, o chamado pastor ama dinheiro e fama.
O pastor chamado prega com paixão, o chamado pastor apenas prega.
O pastor chamado é feliz, o chamado pastor vive mau humorado.
O pastor chamado tem visão, o chamado pastor imita as muitas visões.
O pastor chamado cuida das ovelhas, o chamado pastor abusa das ovelhas.
O pastor chamado tem casa, o chamado pastor tem mansão.
O pastor chamado liberta, o chamado pastor tiraniza.
O pastor chamado é acessível, o chamado pastor é inalcançável.
O pastor chamado prega de graça, o chamado pastor cobra para pregar.
O pastor chamado tem ovelhas, o chamado pastor tem fãs.
O pastor chamado chama para Cristo, o chamado pastor atrai para si.
O pastor chamado ensina, o chamado pastor exibi-se.
O pastor chamado erra, o chamado pastor é perfeito.
O pastor chamado tem medo, o chamado pastor mete medo.
O pastor chamado chora, o chamado pastor se vinga.
O pastor chamado é inconformado, o chamado pastor é alienado.
Infelizmente essa parece ser a realidade atual: temos muitos do tipo chamado pastor e poucos pastores chamados. Que Deus tenha piedade de nós!
Após algumas semanas já postado, soube que o texto acima é de autoria do Pastor Geraldo Magela (www.pastorgeraldomagela.com), Presidente da Igreja Maranata, Ministério Surubim no interior do Pernambuco. A ele a gratidão pela permissão dada para que eu postasse seu texto aqui.

sábado, 12 de setembro de 2009

O Santo e o Profano

Por Pastor Sérgio Pereira

“Para fazer a diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10)

“Portanto, assim diz o Senhor: Se tu voltares, então, te trarei, e estarás diante da minha face; e, se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles” (Jr 15.19)

“A meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o imundo e o limpo” (Ez 44.23)


Vivemos numa época de sacralização do profano e de profanação do sagrado. Nunca antes esses elementos estiveram tão misturados como nos tempos pós modernos. Desde há tempos, tenho me preocupado com tudo o que temos colocado no sacro ambiente aqui entre nós. Tenho visto comportamentos dos mais variados no ambiente evangélico pentecostal, comportamentos exibicionistas, egocentristas, o chamado antropocentrismo. Não posso me esquecer do uso dos meios de comunicação como “palco” para expressar seus interesses pessoais, filosóficos ou ideológicos, “em nome de Deus”.
Observo a dificuldade do povo de Deus em discernir o santo e o profano. Quanta confusão se faz. Diante da falta de discernimento abrimos espaço para dois pensamentos totalmente distanciados da santidade bíblica; por um lado temos o pensamento legalista onde o caminho é tão estreito que se assemelham aos fariseus ao “coarem mosquitos e engolirem camelos” (Mt 23.24). A estes Jesus de forma peculiar os classificou como: Atadores de fardos nos ombros do outros (Mt 23.4), amantes dos primeiro assentos (Lc 11.13), estorvo da porta do reino dos céus (Mt 23.13), devoradores das casas das viúvas (Mt 23.14), dizimistas de hortelã (Mt 23.23), limpadores do exterior dos copos (Mt 23.25), sepulcros caiados (Mt 23.27), serpentes e raça de víboras (Mt 23.33). No entanto, o termo mais apropriado é aquele empregado pelo Mestre em Mt 23.24: “Condutores cegos! Que coais um mosquito e engolis um camelo”. Assim, aos legalistas restou a medonha denominação “coadores de mosquito e engolidores de camelos”. Por outro lado temos o pensamento perigoso do liberalismo, onde tudo, em nome de uma pseudo liberdade cristã, se é permitido. Paulo aconselha a estes assim: “Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5.13).
Na verdade classificaria a atual geração evangélica corrompida pela profanação de elementos sagrados e pela sacralização de elementos profanos como “coadores de mosquito e engolidores de camelos”.
Assim, côa um mosquito o pai de família que proíbe o namoro de sua filha, porém, engole um camelo pelo fato de possuir uma amante fora do lar, levando uma vida de promiscuidade. Côa um mosquito o empresário que acusa desenfreadamente o ladrão de bicicletas, porém, engole um camelo com a sonegação fiscal da sua empresa. Côa um mosquito o político que diz trabalhar em prol da sociedade, porém, engole um camelo ao envolver-se nas teias da corrupção. Côa um mosquito o irmão da igreja que cobra o uso de determinado tipo de roupa como sinal de santidade, porém, engole um camelo ao desprezar os mais necessitados que mínguam ao seu lado. Côa um mosquito aquele que cobra o pagamento do dízimo, porém, engole um camelo por não refrear sua língua, que conduz dezenas de obscenidades e mentiras. Côa um mosquito o pastor que exige padrões morais de seus membros mais humildes, engole um camelo quando encobre o pecado de seus filhos. Côa um mosquito o cristão que diz ser contra o homossexualismo e o lesbianismo, engolindo um camelo toda vez que se assenta diante da TV para ver novelas que abordam e defendem o referido tema. Côa um mosquito o crente que diz falar a verdade, mas mente na Receita Federal, mente na compra a crediário, mente ao pegar atestado de saúde para sua empresa, etc. Côa um mosquito o líder cristão que aceita os dons espirituais, engolindo um camelo toda vez que permite que o misticismo pernicioso invada sua igreja: sal grosso, lâmpada ungida, rosa ungida, fogueira santa, corredor de milagres, etc. Côa um mosquito o cantor evangélico que diz adorar a Deus, engole um camelo quando cobra altos cachês para puro exibicionismo. Côa um mosquito aquele que diz pregar a palavra, engole um camelo ao fazer exigências avantajadas para a Igreja que o convidou. Côa um mosquito o líder que defende o ministério para alguém chamado por Deus, engole um camelo toda vez que coloca alguém no ministério apadrinhado por ele.
E por aí vai esse processo de coar e engolir. Cobram para não serem cobrados. Requerem para não serem requeridos. Acusam para não serem acusados. Nas mãos possuem um pequeno coador que investiga os erros dos outros. No estômago, milhares de camelos, frutos das suas faltas pessoais. O coador filtra os mínimos pecados alheios. A garganta, que é o coração, observa a passagem de uma manada dos seus pecados.
Alguns como artistas profissionais têm a capacidade de interpretar, fingir, enganar e até chorar se necessário. As máscaras demonstram pessoas ideais e perfeitas, cuja aparência é digna de prêmio de integridade. Porém, chega o momento em que o camelo “entala” nas gargantas. A máscara é removida, quando não estilhaçada. Vislumbra-se, então, o ser humano na sua essência: Arrogância, infidelidade, mentira.
Hoje o que temos visto é a igreja e também os crentes nos seus particulares trocar o melhor de Deus, as coisas mais importantes que são promessas na Palavra de Deus, por coisas que não tem nenhum valor. Estão trocando a Palavra de Deus (Bíblia) por livros de conhecimento humano de Deus, que não podem edificar a vida de ninguém e introduzem heresias nas igrejas e também na vida dos crentes. (Ec 12.11-13; II Pe 1.16-21; Sl 119.105). Estão buscando sabedoria deste mundo, enquanto deveriam buscar sabedoria do Alto. (Tg 3.17; I Rs 3.1-14; Pv 1.7). Estão trocando a comunhão com o Espírito Santo, os ensinamentos vindos pelo Espírito Santo por sabedoria humana, coisas aprendidas em faculdades que nada pode acrescentar para a salvação do homem (Gl 1.6-12; I Co 2.1-5; Jo 14.15-26; I Co 2.13; Is 29.13). Estão trocando as coisas do alto por coisas terrenas, ou seja, estão trocando a fé no invisível pelo que é visível. (Cl 3.1, 2; Mt 6.25-33; II Co 4.16-18). Ensinamento que estimula a busca pelas coisas materiais, o culto regado de festas com muitas musicas mundana, que serve mais para balançar o esqueleto do que para adorar, estão contribuindo e muito para que o crente pense que desta forma ele vai para o céu. Isto tudo está afastando o crente cada vez mais da presença de Deus, e como conseqüência não sentimos a presença de Deus nas igrejas, sentimos sim muitas emoções, gritos e histerias, mas a presença de Deus que é bom não se sente. (Gl 3.1-3; Ef 2.1-3; Gl 5.16-21). Hoje o mundo está dentro da igreja, na verdade a igreja não foi construída para ficar de porta aberta para o mundo entrar nela, mas sim porta aberta para ela sair e invadir o mundo. O mundo está dentro das igrejas através de suas musicas, suas doutrinas, seus lazeres, diante deste quadro não vemos diferença entre a igreja e o mundo.
Por vivermos no tempo da graça, acreditamos que tudo o que fizermos é válido, mas não é bem assim, Deus colocou regras para a igreja e para o seu povo. Existem regras para as nossas igrejas, para as nossas vidas. À medida que nossos cultos são violados, as nossas vidas são violadas, estamos trocando o Santo pelo Profano. Quando trocamos a fé em Jesus Cristo pelas rosas, sal, mantos, coisas que vemos nós estamos trocando o Santo pelo Profano. (At 16.31). Quando introduzimos para dentro de nós coisas que desagradam a Deus, quando achamos que são coisas pequenas e que não tem importância, estamos trocando o Santo pelo Profano. (Zc 3.1-3; Ap 16.15; I Co 6.19,20).
Mas, afinal o que é "santo"? Comecemos pela origem do significado. O termo hebraico para santo provavelmente partiu de um conceito primitivo de separação ou remoção do sagrado do profano. O termo para santo é encontrado predominantemente em sentido religioso e usualmente contém um significado fundamental de "separado", ou "fora" do uso comum. O termo oposto a santo é "impuro" ou "profano" (Lv 10.10).
Quando não separo o santo do profano, corro o risco de me suceder o mesmo que se deu para Belsazar (Dn 5). Belsazar tomou os vasos consagrados do templo para fazer uso em sua festa carnal e pagã, e Deus, contou o seu reino e o acabou, o pesou na balança encontrando-o em falta e dividiu o seu reino. A igreja de Laodicéia estava em situação semelhante: suas obras eram por aparência, não tinham autenticidade; sua religiosidade era hipócrita: nem quente, nem frio; professava o cristianismo mas era espiritualmente desgraçada e miserável (Ap 3.14-22).
Finalizo dizendo que por não fazermos a distinção entre o que é santo e o que é profano, perdemos a oportunidade de sermos boca de Deus (Jr 15.19). Ser boca de Deus é pensar e falar conforme a vontade divina. Ser boca de Deus é traduzido por Paulo como alguém que tem a mente de Cristo (I Co 2.16; Fp 2.5). Precisamos de pessoas como desejo de ser boca de Deus. Que orem e Deus responda. Que profetizem e suas mensagens sejam cumpridas. Que preguem condenando o pecado e resgatando o pecador. Que ensinem com ousadia contra os modismos e alcancem resultados extraordinários.
Irmãos, separemos o santo do profano!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Amar Expressa a Essência de Deus

Por Pastor Sérgio Pereira

Uma das maiores lições que podemos tirar das páginas do Novo Testamento para os nossos dias está em I João 4.8: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (ARA).
O amor aqui não possui um alvo específico: este alvo é indefinido, pois deve ser direcionado a todos indistintamente. Analisamos que os gnósticos acreditavam em dois grupos: os iluminados e os não iluminados. Desprezavam os últimos, pois estes não possuíam um tipo de conhecimento. Levavam ao extremo a elitização dentro da religião. O mesmo sentimento que acometia os fariseus, a ponto de considerar maldito o povo que não conhecida a lei, sendo eles próprios responsáveis por tal ignorância! (Jo 7.49). Mesmo um doutor da lei, em flagrante atitude de acepção de pessoas, necessitava perguntar: quem é o meu próximo? (Lc 10.29)
Isto é importante frisar: os gnósticos contemplavam o conhecimento como um meio de salvação, e aqueles que não possuíam tal conhecimento eram desprezados. Nós, que pela graça de Deus adquirimos um pouco mais de conhecimento teológico, não podemos desprezar os irmãos mais humildes. Isto é um perigo dentro de nossas igrejas. Com relação aos não crentes, a situação pode ser pior ainda! Não podemos usar de tal conhecimento como uma arma, para ganhar status e para pisar os mais fracos. Antes, devemos nos colocar como instrumentos nas mãos de Deus para levar a estes conhecimento. E, mais do que conhecimento, o amor.
A essência do cristianismo está em amar o próximo, em oferecer a outra face, a dar a capa, a andar a segunda milha, amar os inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer o bem a quem nos odeia e orar pelos que nos maltratam (Mt 5.39-41,44). Quão difíceis são estas palavras de Jesus! E quão distantes estamos de cumpri-las. Nossa praticidade cristã distancia-se do viver em comunidade como ensina esses textos bíblicos, vivenciando apenas teoricamente um cristianismo de fachada, de aparência, com uma casca de piedade mas sem nenhuma essência. Apenas um verniz que tampa a mediocridade de nossa fé. Julgamos as pessoas sem dar a elas o direito de serem o que são. Expomos as falhas do nosso irmão sem nos importamos com a particularidade e a individualidade de cada um. Falhamos com o que prometemos uns aos outros. Arrumamos muitas desculpas para nos afastar de uma prática de vida em comunidade.
Na verdade, admiramos a Igreja Primitiva, mas apenas de fachada. Seu viver não nos impulsiona e tampouco nos direciona para a mesma praticidade. Odiamos repartir. Detestamos compartilhar. Não suportamos a ideia do ter tudo em comum. Talvez a maior dificuldade é expressar que aquilo que é meu é de toda a comunidade (At 4.32).
Por isso, já não vimos conversões em massa. Distanciamo-nos dos princípios que levarão pessoas a Cristo através do nosso exemplo e testemunho. Alem do mais, milagres e maravilhas parecem exaurir-se de nosso meio e ainda perguntamos o porquê? É simples: não amamos.
Por não amarmos nosso cristianismo se torna mentiroso. Nossa fé se torna vazia e egocêntrica. Nossas orações vaidosas e soberbas. Nossa moral sem ética. Nossos princípios sem tornam obsoletos e sem valores. Por não amarmos aderimos facilmente a teologia da prosperidade que coloca em evidencia o eu, quando no principio de vida cristã é o meu irmão que deve ser evidenciado (Rm 12.10; Fp 2.4).
Sem o amor, o Cristianismo seria uma religião como qualquer outra. Mas Jesus enfatizou: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35). Se não formos capazes de amar a todos que nos cercam, teremos perdido todo o tempo do mundo na busca do conhecimento teológico. Teremos falhado mesmo no objetivo de descobrir Deus, conforme a versão da Tradução Ecumênica para 1 Jo 4.8: “quem não ama não descobriu a Deus, porque Deus é amor”.
A mais fantástica revelação sobre a natureza de Deus completa este versículo supracitado: “Deus é amor”. O amor deixa de ser uma opção em nossas vidas, para ser uma obrigação nossa. O amor não pode ficar intelectualizado, restrito às discussões acadêmicas: antes deve ser exercitado. Se devemos ser santos porque Deus é santo (Lv 19.2), também devemos amar porque Ele ama (Jo 13.34). A Igreja do Senhor Jesus necessita muito por em prática essa preciosa lição. Não adianta clamar por uma Igreja cheia do Espírito Santo se não houve lugar para o amor. Além de ansiar pelo batismo com o Espírito Santo, devemos produzir o fruto do Espírito, conforme Gl 5.22. E neste versículo, não coincidentemente, ao alistar os noves aspectos deste fruto, o amor aparece em primeiro lugar.
Irmãos: amemos!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Agradáveis no Amado!

“O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo... nos fez agradáveis a Si no Amado” (Efésios 1.3,6)

Que maravilhosas são estas palavras! Na verdade, pouco a compreendemos, mas quando nossos corpos serem glorificados como o de nosso Senhor (Fp 3.21) e conhecermos como também somos conhecidos (I Co 13.12), então compreenderá em toda a sua plenitude o que significa ser feito agradável a Deus no Amado.
Tomemos um pouco do nosso tempo para entendermos este maravilhoso tema.
Observem que o texto não diz que somos feitos agradáveis a Deus em nós mesmos, mas sim, em Cristo. Se fossemos aceitos segundo o que somos, haveria então diferentes medidas e graduações no agrado divino com que seriamos contemplados, mas como somos feitos agradáveis a Deus em Cristo, então o Seu agrado no mais fraco e humilde crente será no mesmo nível para com o mais notável e brilhante crente. No sentido desta palavra todos nós em Cristo, desde Adão até ao ultimo que vier a existir, estamos igualmente no perfeito agrado de Deus, pois Ele contempla um e outro em toda a perfeição do Amado.
Esta parece ser a única referência a Cristo como o Amado. Tal palavra nos traz agrado, deleite, prazer, ternura. Cristo, Aquele em quem o Pai encontra todo o Seu deleite e Agrado é também o nosso Amado! Como isso só não bastasse, somos aceitos e feitos agradáveis a Deus por Cristo, o nosso Amado. Que esplendida graça divina!
Tal verdade é evidenciada de forma figurada no holocausto descrito no primeiro capítulo de Levítico e de forma mais clara a verdade aparece quando se considera o holocausto em contraste com o sacrifício pelo pecado. No holocausto vemos em figura como somos feitos agradáveis a Deus e aceitos por Ele em toda a perfeição e fragrância do sacrifício, no sacrifício pela culpa vemos como somos libertos de toda a culpa. Na oferta pelo pecado o animal era morto para em seguida, todo o animal, como o couro e a sua carne, com a sua cabeça e as suas pernas, as suas entranhas e o seu esterco, era levado fora do arraial e ali totalmente queimado (Lv 4.11-12).
A palavra usada para o queimar da oferta pela expiação do pecado (em hebraico, saraph) é completamente diferente da palavra usada para o queimar do holocausto (em hebraico, qatar). A primeira é uma palavra que fala do furor do fogo consumidor, do fogo que descendo em julgamento justo sobre aquilo que era ofensivo a Deus, gastava-se na completa e absoluta destruição da vítima. A vítima ou oferta era assim queimada por ter sido identificada com o pecado do ofertante.
Cristo, puro e imaculado, tomou sobre si o nosso pecado (I Pe 2.24), Aquele que não conhecera pecado, fez-se pecado por nós (II Co 5.21), assim o fogo da justiça divina caiu sobre Ele, identificado com o nosso pecado na terrível e escura hora da cruz.
A segunda palavra usada para queimar em relação ao holocausto (qatar), é usada para o queimar do incenso sobre o altar de ouro que figuradamente nos apresenta a adoração e é esta palavra que é sempre empregada em relação ao altar de bronze onde se oferecia o holocausto. Todos os sacrifícios oferecidos neste altar eram ofertas de “cheiro suave”. A palavra qatar significa que o ato de queimar libera todo o cheiro suave do sacrifício, fazendo-o subir como incenso diante de Deus, figurando um dos mais maravilhosos aspectos da morte de Cristo.
Por isso, sabemos que o mais fraco crente em Cristo em feito absolutamente agradável a Deus no Amado, aceito por Deus na mesma medida em que o seu Amado é aceito.
Oh maravilhosa graça de Cristo que traz-nos a alegria de sermos perfeitos diante de Deus na perfeição do Seu Amado!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

É TEMPO DE TOCAR A TROMBETA

Por Pastor Sérgio Pereira

Na profecia registrada no capitulo sete de Ezequiel, está afirmado em quatro oráculos (vs. 2-4, 5-9, 10-11 e 12-13) que o fim estava chegando, e que Israel iria sentir os efeitos da sua idolatria, da sua rebelião contra Deus. Os oráculos do juízo divino seguiram na seguinte ordem: contra a terra de Israel (vs. 1-4); contra os habitantes da terra, referindo-se ao dia do Senhor (vs. 5-9); contra o próprio rei ímpio de Israel, ou ainda avisando acerca do grande juízo sobre a impiedade (vs. 10-11); e por fim, avisando que os negócios haveriam de terminar (vs. 12 e 13). Diante do aviso de juízo, Deus afirma que não adiantaria tocar trombeta, pois não haverá quem corra à peleja (vs. 14), o que Deus está querendo dizer é que na hora do juízo não adiantava tentar reunir o exército porque seria a hora do “salve-se quem puder”.
Quero esquecer o contexto exposto acima, ignorando toda a exegese do texto, e focalizar a minha a atenção sobre a parte do versículo quatorze que diz: “tocaram a trombeta”.
A palavra "trombeta" vem do termo hebraico shophar e significa "chifre", mais precisamente "chifre de carneiro". Foi um instrumento instituído por Deus para ser tocado em uma infinidade de momentos da vida nacional de seu povo no Antigo Testamento. De certa forma as trombetas serviam para expressar momentos de grande satisfação, para trazer avisos, proclamar juízos divinos, fazer convocações festivas e religiosas, chamar o povo às consagrações, etc. Havia até mesmo um dia especial chamado "dia de sonido de trombetas" (Nm 29.1). O shophar é uma trombeta feita de chifres de animal, mas precisamente de chifre de cordeiro, cabra selvagem, antílope, kudu africano ou gazelle, nunca de uma vaca ou de um boi, porque o gado não era referencia sacrificial dos animais. Há seis ocasiões diferentes onde são tocadas as trombetas: (1) em ocasião alegre; (2) na convocação para as solenidades; (3) no começo de cada mês; (4) para anunciar guerra; (5) para confundir o inimigo (Jz 7.16-22); (6) quando houvesse sacrifício no holocausto.
Quero nesta matéria destacar alguns momentos em que as trombetas foram usadas e contextualizar para os dias atuais.

1. É TEMPO DE TOCAR A TROMBETA CONTRA O PECADO DA HUMANIDADE
Jamais Deus se conformou com o pecado humano! Desde a queda de Adão, quando o mal entrou no mundo, Deus já providenciou os meios pelos quais o homem alcançaria sua libertação dos efeitos do pecado. O que nos é significativo é o fato de Deus através da história, ligar o sonido de trombetas a seu tratamento com o pecado humano. Observamos a idéia de como as trombetas estão associadas à libertação dos pecados humanos analisando o que acontecia no Dia da Expiação (Lv 23.24-29) - O "Dia da Expiação" (yowm kippur), era para o hebreu o dia nacional da confissão e perdão de pecados. Este dia era marcado por uma "santa convocação", onde os filhos de Israel deviam observar um jejum absoluto, além de oferecerem "oferta queimada ao Senhor". Quem não procedesse desta maneira, sofria sérias conseqüências, podendo até mesmo ser "extirpado" do meio do povo de Deus. A convocação para os rituais no Dia da Expiação era precedida pelo "sonido de trombetas", nos dando a idéia de que havia um toque especial preparando o povo, para que estivesse “pronto”, para confessar seus pecados cometidos contra o Senhor, e consequentemente receber o perdão divino, mediante o oferecimento dos sacrifícios. Nos dias de Joel, o povo de Deus estava aprofundado na corrupção e no pecado. Em razão da desobediência e rebeldia contra o Senhor, uma tremenda praga de gafanhotos havia consumido as plantações e tudo o que era verde, deixando o povo na mais extrema miséria (Joel 1.1-13). Um retorno urgente a Deus era necessário! A mensagem profética de Joel conclamando o povo a voltar-se para Deus com "jejuns", "choros", "santificação", foi marcada pelo toque de trombetas – "tocai a trombeta em Sião" (Jl 2.15-17). Leitor amigo é tempo de tocar a trombeta de Deus contra o pecado!

2. É TEMPO DE TOCAR A TROMBETA NO ANO DO JUBILEU – Lv 26.9-10
O ano do jubileu era precedido de seis consecutivos anos sabáticos. O ano sabático, era também chamado de "sábado de descanso", ou "ano de descanso" (Lv 25.3-5). O ano sabático, como nos sugere seu próprio nome, era observado a cada sete anos. Nesse sétimo ano a terra deveria descansar, ou seja, deixada sem qualquer semeadura. O que ela produzisse por si só, era para o sustento dos pobres e o que disso restasse ficava para os animais (Ex 23.11). A culminação do ano sabático acontecia no qüinquagésimo ano. No ano sabático aconteciam três coisas importantes: (1) A propriedade era devolvida aos proprietários originais; (2) As dívidas eram esquecidas, perdoadas; (3) Os hebreus que haviam sido escravizados em razão da contração de dívidas, eram libertos.
Estas situações nos mostram primeiramente, que ninguém era considerado único proprietário de terras e que não poderia jamais possuir a terra perpetuamente, mas sua posse é um bem que lhe é confiado pelo Criador. Em segundo lugar, os filhos de Israel, deveriam lembrar que outrora haviam sido escravos na terra do Egito, sendo miraculosamente libertos pela ação de Deus através de Moisés. Nada possuíam por direito! O que nos é interessante notar, é que o "ano sabático" era também chamado de "ano do jubileu". A palavra "jubileu", vem do termo hebraico yobel, que literalmente significa "carneiro", "chifre de carneiro", "trombeta", "corneta". Desta forma o ano do jubileu, assim como o "dia da expiação", era associado ao toque de trombetas. Como no "ano do jubileu", as propriedades voltavam aos seus primeiros donos e as dívidas eram perdoadas, podemos afirmar com toda convicção, que o referido ano estava intimamente ligado ao perdão. O povo de Deus, não pode ser insensível à doutrina do perdão. Assim como Deus nos deu o perdão através de Cristo, devemos também estar dispostos a exercer o perdão sobre qualquer pessoa ou irmão que consideramos nosso devedor. Assim afirma a Palavra de Deus: "Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Ef 4.32). A prática do perdão não é opcional, mas obrigatória! Quando não praticamos o perdão em nosso relacionamento com os outros, ficamos devedores diante de Deus e corremos também o risco de não sermos perdoados por Ele! Que a trombeta de Deus soe forte contra a falta de perdão no meio do povo cristão!

3. É TEMPO DE TOCAR A TROMBETA NAS GUERRAS
As situações de guerra sempre eram comuns em quaisquer povos da Antigüidade. Isso não foi diferente com a nação de Israel. Seus principais inimigos foram os amonitas, moabitas, edonitas, filisteus, os habitantes de Canaã (heveus, girgaseus, jebuseus, etc.), além de muitos outros inimigos com os quais tiveram que guerrear no decurso da história. Também, como nas situações anteriores, as trombetas estavam intimamente ligadas às situações bélicas. Mediante o toque das trombetas, o Senhor se lembraria de seu povo e eles então sairiam vitoriosos (Nm 10.9). O toque correto da trombeta indicava preparação para a batalha (I Co 14.8). Curiosamente o mesmo toque de trombeta que convocava para a guerra também servia para convocar o povo para as celebrações, o que significa dizer que Deus nos convoca para guerrear e nos confirma que a vitória já está garantida levando-nos assim a guerrear celebrando a grande vitória que receberemos do Senhor. Não restam dúvidas sobre o fato de que as trombetas se constituíam num aparato, num instrumento mais do que necessário nas batalhas do povo de Deus. Um fato digno de nota é que os encarregados de tocá-las eram os sacerdotes e não os soldados comuns, ou graduados do exército! Sabemos que a classe sacerdotal representava a presença de Deus no meio de seu povo, uma vez que eles eram os responsáveis por interceder pelos filhos de Israel diante do Todo-Poderoso. Isto justifica o argumento da presença imprescindível das trombetas nas batalhas do povo do Senhor. Não podemos deixar de afirmar que hoje também há uma grande batalha travada contra o povo de Deus! Nossa luta não é contra o homem, mas contra os demônios, que muitas vezes usam as pessoas com o objetivo de nos atingir. Se quisermos estar preparados para esta batalha no reino espiritual, precisamos tomar “... toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes", (Ef 6.13). Se as trombetas de Deus não ressoar em nosso favor, certamente perecemos. Ouça o ressoar da trombeta confirmando que a vitória é sua!

Como tivemos a oportunidade de observar, o toque das trombetas, sempre esteve presente nos momentos mais importantes na vida do povo de Deus no Antigo Testamento. Elas retiniam nas grandes festividades e cerimônias religiosas, nas convocações para expiação e perdão de pecados, nos grandes ajuntamentos, na preparação para as batalhas, nas estratégias de guerra, etc. O retinir das trombetas representava a "voz de Deus", para comandar, dirigir, mostrar o caminho, em situações difíceis, nas tomadas de decisão e em muitas outras circunstâncias da vida nacional. Como mencionamos a responsabilidade de tocá-las, estava a cargo dos sacerdotes, aos quais cabia a tarefa principal de representar Deus diante de seu povo. Ninguém melhor do que os sacerdotes podiam ocupar tão sublime missão! Com toda certeza, podemos afirmar que o "toque do sophar", foi decisivo em todas as situações críticas, onde os israelitas puderam ver o agir do Deus de Poder, saindo vitoriosos.
Não podemos perder de vista o fato de que as trombetas de Deus ainda hoje, estão tocando através da palavra profética daqueles que foram levantados pelo Senhor para o santo ministério. Embora possa haver muitos que se colocam na posição de profetas de Deus, mas na verdade, são "inimigos da cruz de Cristo" (Fp 3.18), tal fato não impede que homens sinceros, verdadeiros, comprometidos com a verdade, sejam usados por Deus, com a função de "trombetear" contra o mundanismo e o pecado! Não percamos de vista ainda, que como filhos legítimos de Deus, temos a gloriosa tarefa de arrancar das mãos do diabo aqueles que estão cativos, e isto não poderá acontecer sem uma exposição séria das Escrituras, pois é através da Palavra de Deus que podemos vencer as estratégias do inimigo – “... eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho..." (Ap 12.11). Nas palavras de Paulo precisamos ser “... irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo" (Fp 2.15). Devemos espalhar a luz de Deus, nos afastando das trevas do pecado!
Devemos lembrar ainda, que as trombetas de Deus haverão de tocar gloriosamente em alguns eventos futuros que estão para se concretizar. Entre eles estão: o retorno de Cristo (I Ts 4.16); o arrebatamento da igreja (Mt 24.31); os juízos de Deus sobre a humanidade (Ap 8.7).
Toque a trombeta contra o pecado, contra a falta de perdão, nas guerras que enfrentamos diariamente, em momentos de adoração e louvor, toque a trombeta avisando que breve Jesus voltará! É tempo de tocar a trombeta!