segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reforma e Reavivamento: Crescimento Contagiante da Igreja

Apesar de 31 de outubro já ter ficado para trás, minhas ocupações pastorais não me deixaram postar alguma reflexão sobre a Reforma. Como sei que os princípios da Reforma precisam ser evidenciados todos os dias, coloco a reflexão a seguir para a apreciação de meus leitores.


Por Pastor Sérgio Pereira

No ultimo 31 de outubro comemorou-se os 492 anos da Reforma Protestante, que foi levada a efeito por Martinho Lutero em 31 de outubro de 1517, quando fixou suas famosas 95 teses na porta da igreja do Castelo de Wittemberg, na Alemanha.
Com efeito, as bases da Reforma Protestante ainda continuam a falar entre nós. Penso que hoje, elas bradam ainda mais fortemente do que há 492 anos atrás. Nunca esses princípios se tornaram tão importantes como nos dias em que estamos vivendo. Os pilares expostos pela reforma precisam ser reafirmados e vivenciados por pessoas ávidas e sequiosas por mudanças radicais e que ensejam estar perante a face de Deus. Os ensinamentos da Reforma podem ser resumidos em cinco pontos: (1) Sola Scriptura: Somente a Palavra de Deus; (2) Sola Gratia: Somente a Graça de Deus; (3) Sola Fide: Somente a fé; (4) Sola Christus: Somente Cristo; (5) Soli Deo Gloria: Somente a Deus dar glória.
Penso que tais pilares traduzem necessariamente a idéia de um reavivamento espiritual. Um retorno bíblico e cristocêntrico da Igreja pós moderna. O avivamento está intrinsecamente ligado ao crescimento da Igreja. Sob certas condições, pode-se afirmar que o reavivamento causa o crescimento da Igreja.
Reavivamento significa primeiramente purificação e vitalização da Igreja existente. O reavivamento é um dos principais meios de Deus para vivificar a sua Igreja e desenvolver seu programa de justiça, misericórdia e evangelização.
Heber Carlos de Campos diz que: “Reforma é a descoberta da verdade bíblica que conduz à purificação da teologia. Ela envolve a redescoberta da Bíblia como o juiz e o guia de todo pensamento e ação; ela corrige os erros de interpretação; ela dá precisão, coerência e coragem para a confissão doutrinária; ela dá forma e energia à adoração corporativa do Deus triúno”. E acrescenta: “O norte de uma reforma dentro da igreja de Deus está, inquestionavelmente, relacionado à volta aos princípios sadios de fé e prática, propostos pela Santa Escritura. A fé tem que ser fundamentada numa consciência cativa à Palavra, para que a verdadeira reforma aconteça em nosso meio” [1].
Na verdade vivenciamos uma época em que a verdade da Palavra de Deus encontra-se escondida, o que provoca nos crentes pós modernos aridez, sequidão e distanciamento de Deus. Uma volta à Palavra se faz necessária para ocasionar nos meios evangélicos um reavivamento, um ardente desejo por Deus e assim experimentar um vertiginoso crescimento para o Reino de Deus
Não há meio de separar reforma de reavivamento. Parecem irmãos gêmeos nos grandes feitos do Senhor. Quando os dois entram em evidencia, o resultado é um contagiante crescimento na Igreja. Quando Deus concede o reavivamento ao seu povo, o padrão normal é que a santidade de vida aumenta, um novo poder é experimentado e o Evangelho de Cristo é proclamado com fervor, paixão e devoção. O reavivamento conduz a Igreja a uma vida santa, ética e moral. O reavivamento é uma força geradora de poder, dinamismo e fé. O reavivamento impulsiona o cristão a proclamar o evangelho com eficácia, perspicácia e objetivo.
Porque olharmos para o crescimento da Igreja sob a ótica de reforma e reavivamento? Heber Carlos de Campos responde: “Quando falamos de crescimento de igreja temos que olhá-lo como uma moeda com dois lados. De um lado é a Reforma; do outro e o Reavivamento. A primeira traz a solidez e a pureza doutrinárias, elementos essenciais para que a igreja cresça qualitativamente; a segunda traz a verdade doutrinária extrema viva e ardente em nossos corações, impulsionando o povo de Deus a uma vida limpa e de testemunho sincero e voluntário da experiência vivida com Deus e a pujante proclamação da verdade da Escritura, elementos absolutamente vitais para o crescimento da igreja. Isto faz com que a igreja também cresça quantitativamente. Perceba que os dois elementos, reforma e reavivamento, são entrelaçados e inseparáveis, porque são causados pelo mesmo Deus. Não há volta à verdade sem Deus e muito menos amor à verdade sem Ele. O curioso é que esses dois elementos estavam presentes em todos os grandes movimentos da história do povo de Deus no VT, no NT , na Reforma Protestante do século XVI, no período dos Puritanos, do Pietismo e do Metodismo, além dos reavivamentos posteriores na Grã- Bretanha e nos Estados Unidos”.
Reforma e reavivamento estão vinculados à Palavra de Deus. A Escritura é o padrão para a Igreja. É ela que contém o manual prático para a eficiência na busca de um vertiginoso crescimento quantitativo e qualitativo da Igreja.
Reforma e reavivamento levam à praticidade da vida cristã autêntica. Padrões éticos e morais são evidenciados por cristãos “... irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo" (Fp 2.15). Cristãos que cumprem a determinação de Jesus que diz: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mt 5.16)
Busquemos o crescimento da Igreja, mas busquemos antes a reforma e o reavivamento. Reforma da nossa fé, reavivamento da nossa conduta. Reforma do nosso ser interior, reavivamento das nossas ações exteriores. Reforma dos nossos sentimentos, reavivamento de nosso desejo por Deus. Grande crescimento da Igreja após a reforma e o reavivamento virá onde todas as condições estiverem acertadas à luz da Palavra de Deus. O reavivamento e a reforma provocarão uma grande colheita, uma grande conquista ao ter elementos certos e valores corretos que desfrutem da aprovação do Eterno Deus.
“Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia.” (Hc 3.2)

[1] Heber Carlos de Campos. Crescimento de Igreja: Com Reforma ou com Reavivamento? Revista Fides Reformata. 1996

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Halloween, a Festa das Bruxas

Por Pastor Sérgio Pereira

“Porque o rei da Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará os terafins, atentando nas entranhas” – Ezequiel 21.21

No dia 31 de outubro comemora-se o Halloween, popularmente chamado de “Dia das bruxas”, que vagarosamente tem-se colocado nas festinhas culturais de várias nações, inclusive o Brasil. Essa festa que se apresenta inocente, tem estreita ligação com práticas ocultistas, mesmo que alguns duvidam disso.
A origem do Halloween data de tempos antigos, aproximadamente por volta de 1.200 a.C., quando os druidas, magos de origem celta, realizavam cerimônias de adoração ao “deus da morte” ou ao “Senhor da morte” em 31 de outubro. Tal adoração acontecia na cerimônia do “samhain”, o deus dos mortos, declarando o 1º de novembro como o dia de todos os santos e o 2 de novembro como dia de finados, lembrando-se dos mortos em todos os três dias.
É possível rastrear as origens das tribos celtas até a cultura de Túmulos da Idade do Bronze, que atingiu o seu apogeu por volta de 1200 a.C. Contudo, os celtas não figuram como povo distinto e identificável até a época do período de Hallstatt (dos séculos VII a VI a.C.). Durante o período de Hallstatt, os celtas espalharam-se pela Grã-Bretanha, Espanha e França. O ano novo deles começava no dia 1º de novembro. O festival iniciado na noite anterior homenageava Samhain, "O Senhor da Morte". Essa celebração marcava o início da estação de frio (no Hemisfério Norte), com menos períodos de sol e mais períodos de escuridão. Os celtas acreditavam que durante as festividades de Samhain, os espíritos dos seus ancestrais sairiam dos campos gelados e dos túmulos para visitar suas casas e cabanas aquecidas. Os celtas criam que teriam de ser muito receptivos e agradáveis para com os espíritos, pois os bons espíritos supostamente protegeriam suas casas contra os maus espíritos durante aqueles meses de inverno. Os celtas tinham medo do Samhain. Para agradar-lhe, os druidas, que eram os sacerdotes celtas, realizavam rituais macabros. Fogueiras (feitas de carvalhos por acreditarem ser essa uma árvore sagrada) eram acessas e sacrifícios eram feitos em homenagem aos deuses. Criminosos, prisioneiros e animais eram queimados vivos em oferenda às divindades.
Os druidas criam que essa era a noite mais propícia para fazer previsões e adivinhações sobre o futuro. Essa era a única noite do ano onde a ajuda do "Senhor da Morte" era invocada para tais propósitos. Um dos rituais para desvendar o futuro consistia da observação dos restos mortais dos animais e das pessoas sacrificadas. O formato do fígado do morto, em especial, era estudado para se fazer prognósticos acerca do novo ano que se iniciava. Essa prática ocultista aparece no Antigo Testamento sendo realizada pelo rei da Babilônia conforme o texto citado no inicio deste artigo.
Entre os principais símbolos do Halloween temos:
Ø The Jack O’Lantern – A Lanterna de Jack: a abobora esculpida com uma face demoníaca e iluminada por dentro.
Ø “Apple-ducking (bobbing for apples)” – maças boiando: uma homenagem a Pomona, a deusa romana dos frutos e das árvores, que era louvada na época da colheita (novembro). Maçãs ficavam boiando em um barril com água, enquanto as pessoas mergulhavam seu rosto nela tentando segurá-las com os dentes. Depois faziam adivinhações sobre o futuro, com base no formato da mordida
Ø “Trick or treat” – travessura ou trato. Estas palavras sao ditas por crianças que aproximam-se das casas nas noites de Halloween. Se você responder trick, elas imediatamente começam as travessuras. Ao responder treat, você deverá dar um doce a elas. Essas crianças, na comemoração do Halloween, representam os espíritos dos mortos que supostamente vagueiam naquela noite procurando realizar maldades (travessuras) ou em busca de bom acolhimento (bons tratos). Os celtas deixavam comidas do lado de fora das casas para agradar os espíritos que passavam. Ao receber essas crianças ingênuas nas nossas casas, estamos simbolicamente realizando negociatas com principados e potestades do mundo tenebroso, da mesma forma que os celtas faziam na Antigüidade.
Muitos grupos satânicos também consideram o Halloween uma noite especial, em parte porque ele "tornou-se o único dia do ano em que se acredita que o diabo possa ser invocado para revelar os futuros casamentos, problemas de saúde, morte, colheitas e o que acontecerá no próximo ano". Na verdade a bruxaria e o satanismo têm certas semelhanças. Mesmo que sejam coisas distintas, e mesmo que se dê legitimidade às declarações do movimento neo-pagão que desdenha o satanismo, devemos lembrar o claro ensino bíblico de que o diabo é a fonte de poder por trás da bruxaria e de todas as formas de ocultismo.
A Bíblia Sagrada é tão clara quanto à cerimônia e cultos dessa natureza, basta ler os textos de Levítico 19.31; Deuteronômio 18.10-14; II Crônicas 33.6; Isaías 8.19,20.
Em todos esses textos os adivinhadores, feiticeiro, consultadores do futuro são severamente condenados pela Palavra de Deus.
O leitor escolhe: consultar aqueles que consultam mortos e adivinhos ou confiar no Senhor? A decisão é sua!

Fontes de Pesquisa:
http://www.chamada.com.br/mensagens/halloween.html. Acesso em 30/10/2009
http://www.chamada.com.br/mensagens/happy_halloween.html. Acesso em 30/10/09

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em Meio a Falsa Religiosidade, Ainda há Remanescentes!

Por Pastor Sérgio Pereira

Uma coisa precisa ser admitida por qualquer cristão honesto que olhe para a situação da Igreja atual como um todo. A Igreja não é saudável, ela não está bem. O pecado está brotando excessivamente em seu interior e se enraizando profundamente, destruindo, dividindo, invertendo os valores bíblicos e fazendo dela, a Igreja, um sistema manipulado por pessoas tomadas por espírito que certamente não é o de Deus.
Um exemplo disso é que a imoralidade sexual, o adultério e a fornicação se tornaram tão comum dentro da Igreja quanto fora dela. Os índices de divorcio hoje são maiores dentro da Igreja do que fora dela. Muitos membros da Igreja estão secretamente praticando o aborto. A cada dia estão sendo expostos novos pecados que estavam escondidos. Heresias e sectarismo aumentam com frequência cada vez maior.
Grande número de membros de Igreja cujas vidas são uma verdadeira contrariedade aos princípios doutrinários da Palavra de Deus. Muitos deles têm estado assim há muitos anos e parece que nunca irão mudar. Parece não existir ou se existe é quase imperceptível a transformação de vidas. Grande número dos frequentadores de Igrejas é de pessoas rebeldes, egoístas, não amorosas, avarentas e profanas. Muitos são desonestos, caluniadores,não confiáveis, fofoqueiros, mentirosos e desobedientes. Infelizmente, em muitas igrejas locais, esses formam a maioria e não a minoria.
A vida dupla, hipócrita, relaxada e desleixada com as coisas espirituais tem sido notória em meio da religiosidade atual. Na verdade classificaria a atual geração evangélica corrompida pela profanação de elementos sagrados e pela sacralização de elementos profanos como “coadores de mosquito e engolidores de camelos” (Mt 23.24).
No púlpito então, a situação é desconfortante: as mensagens transmitidas só fazem cócegas na alma quando muito. A teologia da prosperidade encontra no evangelicalismo brasileiro o seu maior expoente. Os pregadores modernos preocupam-se mais com a venda de seus materiais (CDs e DVDs), do que com a exposição clara, correta e sadia da Palavra de Deus. Fala-se o que o povo quer ouvir, não o que se precisa ouvir. Os sacerdotes e profetas da atualidade tem-se transformado em fantoches e marionetes nas mãos dos marqueteiros evangélicos que visam apenas à obtenção de lucros. Os sacerdotes profissionais vendem suas consciências, os profetas de conveniência estão profetizando mentiras ao povo.
A liturgia, essa então, está cheia de pompa, glamour. Há um ritual pomposo, mas o povo está longe de Deus (Is 29.13), o povo está enfermo, fraco e há muitos que dormem (I Co 11.30).
Certamente há alguns focos de luz. Nem tudo está perdido. Nem tudo é trevas. Há alguns e graças a Deus por eles, que são genuinamente convertidos. É possível encontrar aqueles que sinceramente estão buscando o Senhor. Os remanescentes são compromissados com a Palavra e com o povo, não visam o seu bel prazer. Os remanescentes, na maioria das vezes, são pessoas insignificantes, mas não se preocupam com isso, eles querem que o Senhor cresça e eles diminuam (Jo 3.30). Os remanescentes não se dobram diante de Baal (I Rs 19.18), não comem na mesa de Jezabel (I Rs18.19), não se curvam perante a estátua de Nabucodonozor (Dn 3), não se importam se Deus vai abençoar ou não, eles O servem por causa do que Ele é, não pelo que Ele faz.
Aqui e acolá, os remanescentes estão resplandecendo como astros no firmamento (Fp 2.15) no meio de uma geração corrompida. São pequenos focos de luz, pequenas mechas de luminosidade que irradiam a presença do Senhor, onde quer que chegam.
Creio que temos alguns sete mil que não se dobraram, alguns Micaías que profetizam aquilo e somente aquilo que o Senhor mandar (I Rs 22.14). Sim, ainda há remanescentes, eu faço parte desse grupo, e você?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Pastor Chamado e o Chamado Pastor

Recebi essa reflexão de um amigo por e-mail, achei interessante, verdadeira e pertinente. Por isso resolvi postar aqui. Leiam e reflitam:

O PASTOR CHAMADO E O CHAMADO PASTOR
O pastor chamado ama gente, o chamado pastor ama dinheiro e fama.
O pastor chamado prega com paixão, o chamado pastor apenas prega.
O pastor chamado é feliz, o chamado pastor vive mau humorado.
O pastor chamado tem visão, o chamado pastor imita as muitas visões.
O pastor chamado cuida das ovelhas, o chamado pastor abusa das ovelhas.
O pastor chamado tem casa, o chamado pastor tem mansão.
O pastor chamado liberta, o chamado pastor tiraniza.
O pastor chamado é acessível, o chamado pastor é inalcançável.
O pastor chamado prega de graça, o chamado pastor cobra para pregar.
O pastor chamado tem ovelhas, o chamado pastor tem fãs.
O pastor chamado chama para Cristo, o chamado pastor atrai para si.
O pastor chamado ensina, o chamado pastor exibi-se.
O pastor chamado erra, o chamado pastor é perfeito.
O pastor chamado tem medo, o chamado pastor mete medo.
O pastor chamado chora, o chamado pastor se vinga.
O pastor chamado é inconformado, o chamado pastor é alienado.
Infelizmente essa parece ser a realidade atual: temos muitos do tipo chamado pastor e poucos pastores chamados. Que Deus tenha piedade de nós!
Após algumas semanas já postado, soube que o texto acima é de autoria do Pastor Geraldo Magela (www.pastorgeraldomagela.com), Presidente da Igreja Maranata, Ministério Surubim no interior do Pernambuco. A ele a gratidão pela permissão dada para que eu postasse seu texto aqui.

sábado, 12 de setembro de 2009

O Santo e o Profano

Por Pastor Sérgio Pereira

“Para fazer a diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10)

“Portanto, assim diz o Senhor: Se tu voltares, então, te trarei, e estarás diante da minha face; e, se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles” (Jr 15.19)

“A meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o imundo e o limpo” (Ez 44.23)


Vivemos numa época de sacralização do profano e de profanação do sagrado. Nunca antes esses elementos estiveram tão misturados como nos tempos pós modernos. Desde há tempos, tenho me preocupado com tudo o que temos colocado no sacro ambiente aqui entre nós. Tenho visto comportamentos dos mais variados no ambiente evangélico pentecostal, comportamentos exibicionistas, egocentristas, o chamado antropocentrismo. Não posso me esquecer do uso dos meios de comunicação como “palco” para expressar seus interesses pessoais, filosóficos ou ideológicos, “em nome de Deus”.
Observo a dificuldade do povo de Deus em discernir o santo e o profano. Quanta confusão se faz. Diante da falta de discernimento abrimos espaço para dois pensamentos totalmente distanciados da santidade bíblica; por um lado temos o pensamento legalista onde o caminho é tão estreito que se assemelham aos fariseus ao “coarem mosquitos e engolirem camelos” (Mt 23.24). A estes Jesus de forma peculiar os classificou como: Atadores de fardos nos ombros do outros (Mt 23.4), amantes dos primeiro assentos (Lc 11.13), estorvo da porta do reino dos céus (Mt 23.13), devoradores das casas das viúvas (Mt 23.14), dizimistas de hortelã (Mt 23.23), limpadores do exterior dos copos (Mt 23.25), sepulcros caiados (Mt 23.27), serpentes e raça de víboras (Mt 23.33). No entanto, o termo mais apropriado é aquele empregado pelo Mestre em Mt 23.24: “Condutores cegos! Que coais um mosquito e engolis um camelo”. Assim, aos legalistas restou a medonha denominação “coadores de mosquito e engolidores de camelos”. Por outro lado temos o pensamento perigoso do liberalismo, onde tudo, em nome de uma pseudo liberdade cristã, se é permitido. Paulo aconselha a estes assim: “Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5.13).
Na verdade classificaria a atual geração evangélica corrompida pela profanação de elementos sagrados e pela sacralização de elementos profanos como “coadores de mosquito e engolidores de camelos”.
Assim, côa um mosquito o pai de família que proíbe o namoro de sua filha, porém, engole um camelo pelo fato de possuir uma amante fora do lar, levando uma vida de promiscuidade. Côa um mosquito o empresário que acusa desenfreadamente o ladrão de bicicletas, porém, engole um camelo com a sonegação fiscal da sua empresa. Côa um mosquito o político que diz trabalhar em prol da sociedade, porém, engole um camelo ao envolver-se nas teias da corrupção. Côa um mosquito o irmão da igreja que cobra o uso de determinado tipo de roupa como sinal de santidade, porém, engole um camelo ao desprezar os mais necessitados que mínguam ao seu lado. Côa um mosquito aquele que cobra o pagamento do dízimo, porém, engole um camelo por não refrear sua língua, que conduz dezenas de obscenidades e mentiras. Côa um mosquito o pastor que exige padrões morais de seus membros mais humildes, engole um camelo quando encobre o pecado de seus filhos. Côa um mosquito o cristão que diz ser contra o homossexualismo e o lesbianismo, engolindo um camelo toda vez que se assenta diante da TV para ver novelas que abordam e defendem o referido tema. Côa um mosquito o crente que diz falar a verdade, mas mente na Receita Federal, mente na compra a crediário, mente ao pegar atestado de saúde para sua empresa, etc. Côa um mosquito o líder cristão que aceita os dons espirituais, engolindo um camelo toda vez que permite que o misticismo pernicioso invada sua igreja: sal grosso, lâmpada ungida, rosa ungida, fogueira santa, corredor de milagres, etc. Côa um mosquito o cantor evangélico que diz adorar a Deus, engole um camelo quando cobra altos cachês para puro exibicionismo. Côa um mosquito aquele que diz pregar a palavra, engole um camelo ao fazer exigências avantajadas para a Igreja que o convidou. Côa um mosquito o líder que defende o ministério para alguém chamado por Deus, engole um camelo toda vez que coloca alguém no ministério apadrinhado por ele.
E por aí vai esse processo de coar e engolir. Cobram para não serem cobrados. Requerem para não serem requeridos. Acusam para não serem acusados. Nas mãos possuem um pequeno coador que investiga os erros dos outros. No estômago, milhares de camelos, frutos das suas faltas pessoais. O coador filtra os mínimos pecados alheios. A garganta, que é o coração, observa a passagem de uma manada dos seus pecados.
Alguns como artistas profissionais têm a capacidade de interpretar, fingir, enganar e até chorar se necessário. As máscaras demonstram pessoas ideais e perfeitas, cuja aparência é digna de prêmio de integridade. Porém, chega o momento em que o camelo “entala” nas gargantas. A máscara é removida, quando não estilhaçada. Vislumbra-se, então, o ser humano na sua essência: Arrogância, infidelidade, mentira.
Hoje o que temos visto é a igreja e também os crentes nos seus particulares trocar o melhor de Deus, as coisas mais importantes que são promessas na Palavra de Deus, por coisas que não tem nenhum valor. Estão trocando a Palavra de Deus (Bíblia) por livros de conhecimento humano de Deus, que não podem edificar a vida de ninguém e introduzem heresias nas igrejas e também na vida dos crentes. (Ec 12.11-13; II Pe 1.16-21; Sl 119.105). Estão buscando sabedoria deste mundo, enquanto deveriam buscar sabedoria do Alto. (Tg 3.17; I Rs 3.1-14; Pv 1.7). Estão trocando a comunhão com o Espírito Santo, os ensinamentos vindos pelo Espírito Santo por sabedoria humana, coisas aprendidas em faculdades que nada pode acrescentar para a salvação do homem (Gl 1.6-12; I Co 2.1-5; Jo 14.15-26; I Co 2.13; Is 29.13). Estão trocando as coisas do alto por coisas terrenas, ou seja, estão trocando a fé no invisível pelo que é visível. (Cl 3.1, 2; Mt 6.25-33; II Co 4.16-18). Ensinamento que estimula a busca pelas coisas materiais, o culto regado de festas com muitas musicas mundana, que serve mais para balançar o esqueleto do que para adorar, estão contribuindo e muito para que o crente pense que desta forma ele vai para o céu. Isto tudo está afastando o crente cada vez mais da presença de Deus, e como conseqüência não sentimos a presença de Deus nas igrejas, sentimos sim muitas emoções, gritos e histerias, mas a presença de Deus que é bom não se sente. (Gl 3.1-3; Ef 2.1-3; Gl 5.16-21). Hoje o mundo está dentro da igreja, na verdade a igreja não foi construída para ficar de porta aberta para o mundo entrar nela, mas sim porta aberta para ela sair e invadir o mundo. O mundo está dentro das igrejas através de suas musicas, suas doutrinas, seus lazeres, diante deste quadro não vemos diferença entre a igreja e o mundo.
Por vivermos no tempo da graça, acreditamos que tudo o que fizermos é válido, mas não é bem assim, Deus colocou regras para a igreja e para o seu povo. Existem regras para as nossas igrejas, para as nossas vidas. À medida que nossos cultos são violados, as nossas vidas são violadas, estamos trocando o Santo pelo Profano. Quando trocamos a fé em Jesus Cristo pelas rosas, sal, mantos, coisas que vemos nós estamos trocando o Santo pelo Profano. (At 16.31). Quando introduzimos para dentro de nós coisas que desagradam a Deus, quando achamos que são coisas pequenas e que não tem importância, estamos trocando o Santo pelo Profano. (Zc 3.1-3; Ap 16.15; I Co 6.19,20).
Mas, afinal o que é "santo"? Comecemos pela origem do significado. O termo hebraico para santo provavelmente partiu de um conceito primitivo de separação ou remoção do sagrado do profano. O termo para santo é encontrado predominantemente em sentido religioso e usualmente contém um significado fundamental de "separado", ou "fora" do uso comum. O termo oposto a santo é "impuro" ou "profano" (Lv 10.10).
Quando não separo o santo do profano, corro o risco de me suceder o mesmo que se deu para Belsazar (Dn 5). Belsazar tomou os vasos consagrados do templo para fazer uso em sua festa carnal e pagã, e Deus, contou o seu reino e o acabou, o pesou na balança encontrando-o em falta e dividiu o seu reino. A igreja de Laodicéia estava em situação semelhante: suas obras eram por aparência, não tinham autenticidade; sua religiosidade era hipócrita: nem quente, nem frio; professava o cristianismo mas era espiritualmente desgraçada e miserável (Ap 3.14-22).
Finalizo dizendo que por não fazermos a distinção entre o que é santo e o que é profano, perdemos a oportunidade de sermos boca de Deus (Jr 15.19). Ser boca de Deus é pensar e falar conforme a vontade divina. Ser boca de Deus é traduzido por Paulo como alguém que tem a mente de Cristo (I Co 2.16; Fp 2.5). Precisamos de pessoas como desejo de ser boca de Deus. Que orem e Deus responda. Que profetizem e suas mensagens sejam cumpridas. Que preguem condenando o pecado e resgatando o pecador. Que ensinem com ousadia contra os modismos e alcancem resultados extraordinários.
Irmãos, separemos o santo do profano!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Amar Expressa a Essência de Deus

Por Pastor Sérgio Pereira

Uma das maiores lições que podemos tirar das páginas do Novo Testamento para os nossos dias está em I João 4.8: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (ARA).
O amor aqui não possui um alvo específico: este alvo é indefinido, pois deve ser direcionado a todos indistintamente. Analisamos que os gnósticos acreditavam em dois grupos: os iluminados e os não iluminados. Desprezavam os últimos, pois estes não possuíam um tipo de conhecimento. Levavam ao extremo a elitização dentro da religião. O mesmo sentimento que acometia os fariseus, a ponto de considerar maldito o povo que não conhecida a lei, sendo eles próprios responsáveis por tal ignorância! (Jo 7.49). Mesmo um doutor da lei, em flagrante atitude de acepção de pessoas, necessitava perguntar: quem é o meu próximo? (Lc 10.29)
Isto é importante frisar: os gnósticos contemplavam o conhecimento como um meio de salvação, e aqueles que não possuíam tal conhecimento eram desprezados. Nós, que pela graça de Deus adquirimos um pouco mais de conhecimento teológico, não podemos desprezar os irmãos mais humildes. Isto é um perigo dentro de nossas igrejas. Com relação aos não crentes, a situação pode ser pior ainda! Não podemos usar de tal conhecimento como uma arma, para ganhar status e para pisar os mais fracos. Antes, devemos nos colocar como instrumentos nas mãos de Deus para levar a estes conhecimento. E, mais do que conhecimento, o amor.
A essência do cristianismo está em amar o próximo, em oferecer a outra face, a dar a capa, a andar a segunda milha, amar os inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer o bem a quem nos odeia e orar pelos que nos maltratam (Mt 5.39-41,44). Quão difíceis são estas palavras de Jesus! E quão distantes estamos de cumpri-las. Nossa praticidade cristã distancia-se do viver em comunidade como ensina esses textos bíblicos, vivenciando apenas teoricamente um cristianismo de fachada, de aparência, com uma casca de piedade mas sem nenhuma essência. Apenas um verniz que tampa a mediocridade de nossa fé. Julgamos as pessoas sem dar a elas o direito de serem o que são. Expomos as falhas do nosso irmão sem nos importamos com a particularidade e a individualidade de cada um. Falhamos com o que prometemos uns aos outros. Arrumamos muitas desculpas para nos afastar de uma prática de vida em comunidade.
Na verdade, admiramos a Igreja Primitiva, mas apenas de fachada. Seu viver não nos impulsiona e tampouco nos direciona para a mesma praticidade. Odiamos repartir. Detestamos compartilhar. Não suportamos a ideia do ter tudo em comum. Talvez a maior dificuldade é expressar que aquilo que é meu é de toda a comunidade (At 4.32).
Por isso, já não vimos conversões em massa. Distanciamo-nos dos princípios que levarão pessoas a Cristo através do nosso exemplo e testemunho. Alem do mais, milagres e maravilhas parecem exaurir-se de nosso meio e ainda perguntamos o porquê? É simples: não amamos.
Por não amarmos nosso cristianismo se torna mentiroso. Nossa fé se torna vazia e egocêntrica. Nossas orações vaidosas e soberbas. Nossa moral sem ética. Nossos princípios sem tornam obsoletos e sem valores. Por não amarmos aderimos facilmente a teologia da prosperidade que coloca em evidencia o eu, quando no principio de vida cristã é o meu irmão que deve ser evidenciado (Rm 12.10; Fp 2.4).
Sem o amor, o Cristianismo seria uma religião como qualquer outra. Mas Jesus enfatizou: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35). Se não formos capazes de amar a todos que nos cercam, teremos perdido todo o tempo do mundo na busca do conhecimento teológico. Teremos falhado mesmo no objetivo de descobrir Deus, conforme a versão da Tradução Ecumênica para 1 Jo 4.8: “quem não ama não descobriu a Deus, porque Deus é amor”.
A mais fantástica revelação sobre a natureza de Deus completa este versículo supracitado: “Deus é amor”. O amor deixa de ser uma opção em nossas vidas, para ser uma obrigação nossa. O amor não pode ficar intelectualizado, restrito às discussões acadêmicas: antes deve ser exercitado. Se devemos ser santos porque Deus é santo (Lv 19.2), também devemos amar porque Ele ama (Jo 13.34). A Igreja do Senhor Jesus necessita muito por em prática essa preciosa lição. Não adianta clamar por uma Igreja cheia do Espírito Santo se não houve lugar para o amor. Além de ansiar pelo batismo com o Espírito Santo, devemos produzir o fruto do Espírito, conforme Gl 5.22. E neste versículo, não coincidentemente, ao alistar os noves aspectos deste fruto, o amor aparece em primeiro lugar.
Irmãos: amemos!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Agradáveis no Amado!

“O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo... nos fez agradáveis a Si no Amado” (Efésios 1.3,6)

Que maravilhosas são estas palavras! Na verdade, pouco a compreendemos, mas quando nossos corpos serem glorificados como o de nosso Senhor (Fp 3.21) e conhecermos como também somos conhecidos (I Co 13.12), então compreenderá em toda a sua plenitude o que significa ser feito agradável a Deus no Amado.
Tomemos um pouco do nosso tempo para entendermos este maravilhoso tema.
Observem que o texto não diz que somos feitos agradáveis a Deus em nós mesmos, mas sim, em Cristo. Se fossemos aceitos segundo o que somos, haveria então diferentes medidas e graduações no agrado divino com que seriamos contemplados, mas como somos feitos agradáveis a Deus em Cristo, então o Seu agrado no mais fraco e humilde crente será no mesmo nível para com o mais notável e brilhante crente. No sentido desta palavra todos nós em Cristo, desde Adão até ao ultimo que vier a existir, estamos igualmente no perfeito agrado de Deus, pois Ele contempla um e outro em toda a perfeição do Amado.
Esta parece ser a única referência a Cristo como o Amado. Tal palavra nos traz agrado, deleite, prazer, ternura. Cristo, Aquele em quem o Pai encontra todo o Seu deleite e Agrado é também o nosso Amado! Como isso só não bastasse, somos aceitos e feitos agradáveis a Deus por Cristo, o nosso Amado. Que esplendida graça divina!
Tal verdade é evidenciada de forma figurada no holocausto descrito no primeiro capítulo de Levítico e de forma mais clara a verdade aparece quando se considera o holocausto em contraste com o sacrifício pelo pecado. No holocausto vemos em figura como somos feitos agradáveis a Deus e aceitos por Ele em toda a perfeição e fragrância do sacrifício, no sacrifício pela culpa vemos como somos libertos de toda a culpa. Na oferta pelo pecado o animal era morto para em seguida, todo o animal, como o couro e a sua carne, com a sua cabeça e as suas pernas, as suas entranhas e o seu esterco, era levado fora do arraial e ali totalmente queimado (Lv 4.11-12).
A palavra usada para o queimar da oferta pela expiação do pecado (em hebraico, saraph) é completamente diferente da palavra usada para o queimar do holocausto (em hebraico, qatar). A primeira é uma palavra que fala do furor do fogo consumidor, do fogo que descendo em julgamento justo sobre aquilo que era ofensivo a Deus, gastava-se na completa e absoluta destruição da vítima. A vítima ou oferta era assim queimada por ter sido identificada com o pecado do ofertante.
Cristo, puro e imaculado, tomou sobre si o nosso pecado (I Pe 2.24), Aquele que não conhecera pecado, fez-se pecado por nós (II Co 5.21), assim o fogo da justiça divina caiu sobre Ele, identificado com o nosso pecado na terrível e escura hora da cruz.
A segunda palavra usada para queimar em relação ao holocausto (qatar), é usada para o queimar do incenso sobre o altar de ouro que figuradamente nos apresenta a adoração e é esta palavra que é sempre empregada em relação ao altar de bronze onde se oferecia o holocausto. Todos os sacrifícios oferecidos neste altar eram ofertas de “cheiro suave”. A palavra qatar significa que o ato de queimar libera todo o cheiro suave do sacrifício, fazendo-o subir como incenso diante de Deus, figurando um dos mais maravilhosos aspectos da morte de Cristo.
Por isso, sabemos que o mais fraco crente em Cristo em feito absolutamente agradável a Deus no Amado, aceito por Deus na mesma medida em que o seu Amado é aceito.
Oh maravilhosa graça de Cristo que traz-nos a alegria de sermos perfeitos diante de Deus na perfeição do Seu Amado!