quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carnaval: Que Festa é Essa?

Por Pastor Sérgio Pereira (adaptado)

Segundo definição genérica, o carnaval é uma festa popular coletiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos, como herança das festas pagãs realizadas a 17 de dezembro (Saturnais - em honra a deus Saturno na mitologia grega.) e 15 de fevereiro (Lupercais - em honra a Deus Pã, na Roma Antiga.). Na verdade, não se sabe ao certo qual a origem do carnaval, assim como a origem do nome, que continua sendo polêmica. Alguns tem afirmado que a comemoração do carnaval tem suas origens em alguma festa primitiva, de caráter orgíaco, realizada em honra do ressurgimento da primavera. De fato, em certos rituais agrários da Antigüidade, 10 mil anos A.C., homens e mulheres pintavam seus rostos e corpos, deixando-se enlevar pela dança, pela festa e pela embriaguez. Originariamente os católicos começavam as comemorações do carnaval em 25 de dezembro, compreendendo os festejos do Natal, do Ano Novo e de Reis, onde predominavam jogos e disfarces. Na Gália, tantos foram os excessos que Roma o proibiu por muito tempo. O papa Paulo II, no século XV, foi um dos mais tolerantes, permitindo que se realizassem comemorações na Via Lata, rua próxima ao seu palácio. Já no carnaval romano, viam-se corridas de cavalo, desfiles de carros alegóricos, brigas de confetes, corridas de corcundas, lançamentos de ovos e outros divertimentos. O baile de máscaras, introduzido pelo papa Paulo II, adquiriu força nos séculos XV e XVI, por influência da Commedia dell'Arte. Eram sucesso na Corte de Carlos VI. Ironicamente, esse rei foi assassinado numa dessas festas fantasiado de urso. As máscaras também eram confeccionadas para as festas religiosas como a Epifania (Dia de Reis). Em Veneza e Florença, no século XVIII, as damas elegantes da nobreza utilizavam-na como instrumento de sedução. Na França, o carnaval resistiu até mesmo à Revolução Francesa e voltou a renascer com vigor na época do Romantismo, entre 1830 e 1850. Manifestação artística onde prevalecia a ordem e a elegância, com seus bailes e desfiles alegóricos, o carnaval europeu iria desaparecer aos poucos na Europa, em fins do século XIX e começo do século XX. Há que se registrar, entretanto, que as tradições momescas ainda mantêm-se vivas em algumas cidades européias, como Nice, Veneza e Munique.[1]
A origem da palavra carnaval também tem sido bastante vaga e discutida. Para alguns ela provem da expressão latina “carrum Novalis” (carro naval), uma espécie de carro alegórico em forma de barco, com o qual os romanos inauguravam suas comemorações. Para outros a palavra seria derivada da expressão do latim "carnem levare", modificada depois para "carne, vale!" (adeus, carne!), palavra originada entre os séculos XI e XII que designava a quarta-feira de cinzas e anunciava a supressão da carne devido à Quaresma.
O Carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar no Cristianismo da Idade Média. O período do Carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "Carnaval". Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval francês para implantar suas novas festas carnavalescas.
Estamos na véspera de mais um carnaval. Pessoas de todas as classes sociais se entregam a todo o tipo de prazer da carne. Gastam-se milhões de reais no intuito de atrair turistas para presenciar e tomar parte do maior carnaval de todos os tempos. O resultado: vidas se perdem, as paginas policiais se agigantam, imoralidade descaradamente invadindo os lares da sociedade trazendo a ruína ética e moral de nossa juventude. Tudo isso testifica que o carnaval não é apenas um inocente passatempo, mas tem sua influencia satânica e tenebrosa. É o enredo de satanás para escravizar pessoas incautas que se perdem nas folias das fantasias, para acordarem com a realidade do outro dia.
Essa festa me remonta a 2500 anos para o banquete carnavalesco de Belsazar na Babilônia, para o qual compareceram mais de mil dos oficiais militares, governadores e suas respectivas esposas e concubinas. Na verdade o rei Momo dominou por completo o ambiente. Piadas, danças indecentes, o vinho, chocarrices e a incestuosidade dominaram por completo aquele ambiente. O jovem monarca patrocinava toda aquela folia e achava que deveria se entregar aos prazeres da carne, e tanto achou que mandou trazer os vasos do templo de Jerusalém para neles beber vinho naquela orgiosa festa. Instantaneamente uma mão estranha aparece na parede do palácio, descrevendo a sentença de Belsazar interpretada por Daniel e cumprida naquela mesma noite (Dn 5.1-30).
A idéia principal sugerida no carnaval é que todos devem aproveitar o máximo dos prazeres da carne, pois em seguida terão um longo período de abstinência. A figura de que a penitência é suficiente para expurgar todos os pecados cometidos transmite o incentivo para que as pessoas cometam todos os tipos de pecados, obras da carne como a Bíblia descreve na carta de Paulo aos Gálatas 5.19-21: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, pornografia, idolatria, feitiçarias, inimizades, brigas, ciúmes, iras, discórdias, desarmonia, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”.
Nós, os Cristãos, não devemos concordar de modo algum com essa comemoração pagã, que na verdade é em homenagem a um falso deus, patrono da orgia, da bebedice e dos excessos, na verdade um demônio. Cristãos, crentes em Jesus Cristo, não se enganem! “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”. (1 Jo 3.9). Sempre no amor eterno d´Ele, vosso conservo

Pastor Sérgio Pereira
[1] Retirado de: http://www.cacp.org.br/midia/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1089&menu=16&submenu=3, acesso em 19/02/2009.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

QUEM É DEUS: CRIADOR OU CRIATURA?

A Revista Veja, de 11 de fevereiro de 2009, celebrando os duzentos anos do nascimento de Charles Darwin, publicou uma matéria insolente atacando a fé cristã. O livro de Darwin, Origens das Espécies, publicado em Londres, em 1859, falando sobre a geração espontânea e a evolução das espécies tornou-se uma crença generalizada, especialmente em alguns redutos acadêmicos.O núcleo central da teoria de Darwin é que o mundo e o homem tiveram uma origem naturalista. Até então, cria-se que Deus havia criado o homem; agora, crê-se que o mundo pariu a si mesmo e o homem é fruto de um processo evolutivo de milhões e milhões de anos. Na teoria de Darwin, Deus não existe. Ele é apenas uma criação do homem em vez do homem ser criação de Deus.Em favor da verdade, nós precisamos reafirmar que não há contradição entre a ciência e a fé cristã. A ciência corretamente interpretada jamais entrará em contradição com a Palavra de Deus, pois ambas têm o mesmo autor. Precisamos de igual forma ressaltar, que a evolução não é uma ciência, mas uma teoria. Falta à evolução a evidência das provas. O próprio livro de Darwin tem nada menos que oitocentos verbos no futuro do subjuntivo: "Suponhamos". A evolução não passa de uma suposição e absolutamente improvável. A fé cristã por sua vez não é uma crença vazia, desprovida de inteligência. Nossa fé está ancorada em fatos incontroversos. A fé é a certeza de coisas e a convicção de fatos. O Deus revelado na criação, nas Escrituras e em Cristo é o criador do universo e não uma criatura do homem. Chamamos sua atenção para três fatos importantes:
1. Precisamos mais fé para acreditar na evolução do que na criação - O mundo não pode dar à luz a si mesmo. A vida não pode surgir do nada. Vida só procede de vida. O mundo com toda a sua complexidade não poderia ser produto do acaso nem de uma explosão cósmica nem mesmo de uma evolução de milhões e milhões de anos. As evidências provam que o mundo não está evoluindo, mas se deteriorando. A ciência corrobora com o relato da criação e não com as improváveis e tendenciosas teorias da evolução. Os evolucionistas que combatem a fé cristã não estão ancorados na rocha da ciência, mas navegando à deriva, pelos mares revoltos de suas teorias improváveis.
2. Precisamos mais fé para acreditar que Deus é criatura do homem do que para acreditar que o homem é criatura de Deus - A teoria de que Deus é apenas uma invenção humana tem conseqüências funestas. A teoria da evolução trouxe seus reflexos na biologia, na filosofia e também na teologia. Essa crença de que o homem inventou Deus e que o homem veio do nada, é nada, e caminhada para o nada, é o alicerce do niilimismo filosófico, da decadência moral e das atrocidades históricas. O holocausto que matou seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial, as barbáries hediondas dos regimes totalitários, ceifando mais de sessenta milhões de pessoas, só no século XX, são fruto desta ensandecida teoria. A prática indiscriminada de aborto e os descalabros morais são conseqüência do ateísmo. Dostoievski disse: "Se Deus não existe, tudo é permitido".
3. Precisamos mais fé para acreditar que o cosmos veio do caos do que para acreditar que o cosmos veio de Deus - A teoria do big-bang, de que o universo surgiu de uma explosão cósmica está na contramão do bom senso. Seria mais fácil acreditar que um bilhão de letras lançadas ao ar caísse na forma de enciclopédia. Seria mais fácil acreditar que um rato correndo atabalhoadamente sobre as teclas de um piano tocasse serenata ao luar. O caos não pode produzir ordem. O universo tem leis precisas. Nós somos seres programados geneticamente. A biologia moderna aponta para uma mente sábia e criadora por trás do universo. Só o insensato é que nega a existência de Deus. Suas teorias podem até fazer barulho e enganar os incautos, mas em breve, elas se cobrirão de poeira. A Palavra de Deus, porém, permanecerá impávida, sobranceira e vitoriosa para sempre e sempre!
Rev. Hernandes Dias Lopes

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Voltemos Aos Antigos Marcos!

Por Pastor Sérgio Pereira

Sou pastor assembleiano e preocupa-me sobremaneira os rumos em que caminham a nossa amada denominação. Refiro-me aos fatos que envolvem a eleição para o cargo máximo de nossa denominação em Abril na cidade de Vitória (ES) e ao espírito de disputa desleal que campeia já de norte a sul do Brasil. Hoje, infelizmente em muitas rodas de pastores, se ouvem de maquinações, articulações malignas que visam a todo o custo denegrir os oponentes. Não é de admirar que o fogo do Céu já não desça em nossos púlpitos e nem a unção se derrame pelos nossos sermões, porque decidimos a ser politiqueiros e não ministros de Deus.
Fico assustado com o que tenho visto, lido e ouvido, na internet, na televisão, nas conversas com pastores amigos, no que diz respeito a forma anti-cristã como vem se comportando determinados pastores pretendentes aos cargos da nossa CGADB. Fico temeroso em saber que se perde a compostura de ministro do evangelho e torna-se manipulador eleitoreiro alicerçado com publicitários profissionais que preferem a posição ao invés da fidelidade, do compromisso, da seriedade e acima de tudo de princípios éticos e morais.
Sinto saudades dos tempos em que íamos as nossas convenções e saímos delas dizendo “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28) porque não tínhamos métodos eleitoreiros e meios inescrupulosos para atingir os hediondos objetivos que estão marcando a presente geração de líderes assembleianos. Surpreende-me o afastamento das ações sinceras que existiram em nossos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg e na grande plêiade de pastores; que ministravam aos santos desprovidos de qualquer soberba e politiquices.
O desejo pelo poder de maneira exacerbada de alguns líderes chega a ser no mínimo ridícula, pois sem falta de ética alguma estão a se digladiar como se fossem gladiadores em plena arena dos tempos romanos. Estamos brindados nos tempos modernos com líderes de capacidade intelectual considerável, mas como lhes falta a unção, a seriedade, a ética e a moral dos tempos antigos. Nossos líderes do passado não tinham as cátedras invertebradas da teologia moderna, mas possuíam uma devoção inigualável, um amor sem precedentes, um fervor contagiante, uma santidade que distanciava-se do mundo e aproximava-se de Deus sem nenhuma espécie de farisaísmo dos tempos modernos como o que temos visto.
Precisamos voltar aos marcos antigos. Precisamos nos lembrar das palavras do sábio Salomão em Provérbios 22.28 que diz: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais”. Remover do hebraico nacag, denota a idéia de afastar, deslocar. Temo que seja exatamente esta a postura que estamos vivenciando nesses dias: um deslocamento dos princípios sérios e honestos que sempre conduziram a nossa denominação ao longo dos seus quase cem anos de história.
Urge voltarmos a simplicidade de nossa devoção, a seriedade de nossos atos, a fidelidade de nosso compromisso, a dependência única e exclusiva do Espírito Santo, sem nos preocuparmos com quem estará comandando a nossa denominação, pois se o Espírito Santo é quem escolhe como cremos, como poderá Ele errar?
Hoje em um tempo em que a aparência vale mais que o conteúdo, a embalagem vale mais que a essência, a emoção vale mais que a devoção sincera, o farisaísmo vale mais que a santidade, o discurso vale mais que a prática, o ter vale mais que o ser; precisamos que os ministros de Deus sejam fiéis (I Co 4.2).
Que nossas mãos se levantem sem ira e sem contenda. Que nossos corações quebrantados reconheçam que o dono da Igreja é Jesus, que a comprou com seu próprio Sangue, e que como pastores, somos apenas mordomos, cuja mordomia, muito em breve a Ele prestaremos conta.
Voltemos aos marcos antigos! Voltemos à simplicidade de nossas pregações. Voltemos a sinceridade de nossas devoções. Deixemos de lado a extravagância de uma adoração superficial e voltemos a adorar em espírito e em verdade (Jo 4.24). Voltemos a nos amar como irmãos em Cristo e companheiros de batalha na nobre causa do evangelho de Jesus Cristo. Voltemos à prática da oração e do jejum como meios de sobrevivência espiritual e ministerial. Voltemos a depender única e exclusivamente do Espírito Santo que sempre norteou os destinos de nossa querida Assembléia de Deus e que jamais precisou utilizar-se dos estranhos métodos politiqueiros que te se tornado tão corriqueiro em nosso meio. Voltemos a amar a Deus acima de todas as coisas e a nele confiarmos.
Que o Senhor nos cubra da sua misericórdia! Sempre alicerçado no amor eterno d´Ele, vosso conservo,
Pastor Sérgio Pereira

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Igrejas Infectadas

Por Ricardo Gondim

Aos 25 anos de idade, depois de várias febres, muita rouquidão e um péssimo hálito, dei o braço a torcer e aceitei que o médico operasse as minhas amídalas. Resisti o quanto pude porque sabia que as amídalas existem para proteger as vias respiratórias. Contudo, o médico conseguiu me convencer de que as minhas estavam imprestáveis; tão infectadas que já não protegiam, mas contaminavam o resto do organismo. Só restava uma opção, arrancá-las fora. A partir daquele dia, aprendi que um órgão – qualquer um – pode perder a sua função original e passar a atacar o corpo.
Nas relações humanas e sociais acontece o mesmo. Quando se perdem as finalidades originais, morrem casamentos, empresas, igrejas. Serve o exemplo da família: pai e mãe devem oferecer um ambiente em que os filhos aprendam a ter confiança, segurança, dignidade. Mas quando acontecem muitas brigas com ódio, quando falta paz, aquela família perde a função de fomentar auto-estima e segurança. Assim, deixa de ajudar e passa a desajustar as crianças.
As religiões também podem virar amídalas infectadas. Bastar ver na história. Inúmeras igrejas criaram ambientes doentios e desumanizadores, quando deviam ser espaços de humanização. Devido a este site, recebo milhares de mensagens sobre assuntos variados, a grande maioria, entretanto, pede ajuda. Muitos não suportam os sermões vazios com promessas mirabolantes e ameaças de maldição. Entristeço, mas fica óbvio para mim que as lógicas e práticas da igreja evangélica não consegue responder às complexidades do século XXI. Os espaços evangélicos estão febris.
É preciso detectar, rapidamente, onde a infecção se tornou aguda para combatê-la com doses maciças de antibióticos espirituais e éticos; com um bom diagnóstico não será preciso operar o foco da contaminação e ainda preservar o organismo.
Estão infectadas as igrejas que priorizam programas e não relacionamentos. Jesus não tratou a “igreja” como uma instituição, mas como uma comunidade. Igreja são mulheres e homens com um estilo de vida nobre, verdadeiro, que inspiram os outros a glorificar a Deus. Portanto, para o seu eterno propósito dar certo, Jesus não precisa de eventos sofisticados, basta que seus seguidores amem uns aos outros.
Estão infectadas as igrejas que priorizam poder e não serviço. Nas Escrituras, poder só tem sentido quando mobiliza para solidariedade, compaixão, humildade. A busca do poder pelo poder é luciferiana em sua essência. Jesus criou o mundo, mas se esvaziou, encarnou e morreu numa cruz. Os cristãos não almejam tronos, mas bacia e toalha para lavar os pés alheios. Sem esperar aplausos, sentem-se privilegiados de servirem.
Estão infectadas as igrejas que priorizam espetáculo e não discrição. Jesus ensinou que não se devem cobiçar os primeiros lugares; considerou que a autêntica piedade acontece num quarto de portas fechadas; falou que a mão esquerda não deve conhecer o que a direita oferece. Quando Jesus ressuscitou uma menina, respeitou a privacidade da família e não deixou que estranhos entrassem para testemunhar o milagre. Sobram exemplos de seu recato. Certamente, Jesus não se agrada de saber que alguns tentam transformar a fé num show.
Estão infectadas as igrejas que priorizam milagre e não coragem existencial. Paulo considerou tudo como esterco pela excelência do conhecimento de Cristo – esse, somente esse, deve ser o alvo da espiritualidade cristã. Não se cultua a Deus para descobrir um jeito certo de “alcançar milagre” ou para ter uma fé mais “eficiente”. No culto, celebra-se o amor gratuito e unilateral de Deus. O Evangelho é boa notícia porque todos são aceitos sem exigências. Deus quer bem sem fazer distinção; não se ganha o favor de Deus com obras. Graça é o chão onde todos podem alicerçar a vida com liberdade e sem culpa. O cristão não precisa que Deus conserte as dificuldades da vida, basta a sua companhia. O Apocalipse foi taxativo com uma igreja infectada: “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se... Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele. O evangélicos precisaram, como nunca, ouvir esta exortação.
Soli Deo Gloria.
Retirado do Site: www.ricardogondim.com.br

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Que Igreja Seremos? Separados Pela Religiosidade!

Li e gostei do tema proposto, por isso transcrevo aqui para a meditação e análise de meus leitores.
Que Igreja Seremos? Separados Pela Religiosidade!
Autor: Aristarco Coelho
I. Introdução

Se queremos ser uma igreja que ama, se queremos ser pessoas que amam e não pessoas que rejeitam, precisamos reconhecer que há uma armadilha que está sempre bem perto de nós, pronta para se tornar uma grande muralha a nos separar um dos outros e assim nos impedir de amar. Essa armadilha é a religiosidade.
Se você observar os evangelhos, verá que Jesus era doce e sensível com os pobres, oprimidos, rejeitados, com os sem esperança, desacreditados e excluídos; mas quando os religiosos apareciam, as palavras do Mestre eram firmes e contundentes.
Os religiosos nunca foram afagados por Jesus porque a religiosidade é capaz de separar as pessoas e sufocar o amor. Hoje vamos escutar juntos uma das pregações mais contundentes que Jesus fez sobre os males da religiosidade. Capítulo 23 de Mateus.(1) Então Jesus disse ao povo e aos seus discípulos: (2) "Vocês pensariam que estes líderes dos judeus e estes fariseus são Moisés, pela maneira como eles continuam fazendo tantas leis! (3) Pode ser muito correto fazer o que eles dizem, mas acima de qualquer outra coisa não sigam o exemplo deles. Porque eles não fazem o que mandam vocês fazerem. (4) Exigem de vocês coisas impossíveis que eles nem tentam observar. (5) Tudo o que fazem é para se mostrar. Eles se fingem de santos, levando nos braços grandes caixas de orações com versículos das escrituras dentro, e alongando as barras memoriais dos seus mantos. (6) E como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes, e nos bancos reservados na sinagoga! (7) Como apreciam a consideração que se presta a eles nas ruas, e gostam de ser chamados de 'mestre'! (8) Nunca deixem que alguém chame vocês assim. Porque somente Deus é o Mestre e todos vocês estão no mesmo nível, como irmãos. (9) Não se dirijam a ninguém aqui na terra chamando de 'Pai', (10) porque somente Deus no céu deve ser chamado de 'Mestre', porque somente um é mestre de vocês, isto é, o Messias. (11) Quanto mais humilde for o serviço de vocês aos outros, maiores vocês serão. Para ser o maior de todos, é preciso ser servo. (12) Mas aqueles que se acham grandes, sofrerão desapontamentos e humilhação; e aqueles que se humilham serão engrandecidos. (Mat 23:1-11 - BV)

II. Somos nós os religiosos?
Ao falar ao povo, Jesus disse claramente quem eram os religiosos de quem ele estava falando. Na primeira parte de sua pregação, ele estava falando para o povo comum do meio da rua, e para os seus discípulos, sobre o procedimento daqueles que freqüentavam as sinagogas em um dia especial da semana, que se consideravam cumpridores de todas as regras religiosas, e por isso pessoas melhores que o restante dos seres humanos, mas ainda assim viviam longe de Deus e das pessoas.
Eu não sei você, mas quando eu leio as palavras de Cristo sobre os religiosos de seu tempo fico logo indignado: ô gente terrível! Um bando de cegos que não entendia a mensagem de Cristo! Que gente doente! Que gente cruel e sem amor. Rapidamente apontamos o dedo. Rapidamente acusamos. Rapidamente vemos a loucura que a religiosidade pode causar.
Mas, observando mais de perto a descrição que o Senhor fez, é como se um espelho fosse colocado na frente da Igreja e pudéssemos enxergar nas palavras de Cristo a nós mesmos: religiosos do século XXI.
(A) Continuam fazendo leis
(1) Então Jesus disse ao povo e aos seus discípulos: (2) "Vocês pensariam que estes líderes dos judeus e estes fariseus são Moisés, pela maneira como eles continuam fazendo tantas leis!
Os religiosos só se sentem seguros cercados de muitas leis. O ambiente cheio de normas aquieta o coração dos religiosos porque isso lhes dá a sensação de controle diante da complexidade da vida. Se não houver uma lei para determinada situação, os religiosos criarão uma nova lei. E em pouco tempo, essa nova lei será mais forte do que eles mesmos: Isso é religiosidade. Quando os religiosos criam suas leis para se sentirem mais seguros, as pessoas são esquecidas.
(B) Não cumprem suas própria leis
(3) Pode ser muito correto fazer o que eles dizem, mas acima de qualquer outra coisa não sigam o exemplo deles. Porque eles não fazem o que mandam vocês fazerem.
A religiosidade sempre aponta o outro, raramente aponta para si mesmo. Por isso os religiosos são capazes de contar exemplos poderosos sobre outras pessoas, mas nada têm a falar sobre si mesmos, e não é por modéstia e por que não têm experiência própria. Aqueles que vivem no mar da religiosidade podem orientar outros, mas não conseguem falar na primeira pessoa (Eu) porque suas almas estão fechadas para admitir que são limitados e dependentes.
(C) Exigem o impossível
(4) Exigem de vocês coisas impossíveis que eles nem tentam observar.
Os religiosos do tempo de Jesus criaram centenas de leis para garantir que mandamentos dados por Deus fossem obedecidos. Doutores e mestres eram necessários para conciliar todas as essas leis e explicar algo humanamente impossível: como uma pessoa comum poderia cumprir todas aquelas normas.
A religiosidade se esconde atrás dos grandes esforços. O sofrimento diante dos sacrifícios impossíveis é uma das moedas da religiosidade. Alguns religiosos se alimentam exigindo que outros alcancem o inalcançável, ainda que eles mesmos nem tentem fazer; outros se alimentam com o sofrimento de tentar alcançar o inalcançável. Quem vive em torno do impossível (exigindo ou tentando cumprir), não consegue amar, nem ser amado.
(D) Fingem ser santos
(5) Tudo o que fazem é para se mostrar. Eles se fingem de santos, levando nos braços grandes caixas de orações com versículos das escrituras dentro, e alongando as barras memoriais dos seus mantos.
A religiosidade anda de mãos dadas com a negação. Os religiosos têm dificuldade para admitir que são pessoas falhas, que erram o tempo todo e que suas vidas não são assim perfeitas como os outros imaginam. Por isso, os religiosos criam formas de parecem santos: vestem-se como santos, falam como santos, gesticulam como santos... Não que haja roupa, fala ou gestos que sejam característicos dos santos, mas a religiosidade é exatamente assumir que essas coisas existem.
Religiosidade é negação. Religiosos negam e encobrem o próprio rosto, como fez Moisés quando o brilho da glória de Deus estava se desvanecendo do seu rosto. Religiosos acham que serão respeitados se parecerem santos e acabam vivendo uma farsa que os afasta das pessoas, impedindo-as de amar.
(E) Gostam de destaque
(6) E como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes, e nos bancos reservados na sinagoga!
A vida religiosa torna o religioso um auto-enganado a respeito de suas limitações. Então os religiosos passam a gostar do destaque como uma forma de manter o seu engano. Alguns gostam de aparecerem publicamente e lutam por isso, outros são mais reservados buscam o destaque pela excentricidade ou pelo afastamento das pessoas, o que faz deles mitos intocáveis.
De uma forma ou de outra, no coração do religioso, o destaque é uma cortina de fumaça que encobre por mais um pouco de tempo o ser humano que ele é, carente de Deus.
(F) Apreciam as deferências
(7) Como apreciam a consideração que se presta a eles nas ruas, e gostam de ser chamados de 'mestre'!
A religiosidade anda de mãos dados com os títulos e as posições. Os religiosos sentem-se protegidos atrás do reconhecimento das posições que ocupam. A religiosidade criou uma hierarquia de valor: não basta ser um servo de Cristo. Para sentir-se bem, o religioso precisa avançar rumo a reconhecimentos considerados superiores: diácono, evangelista, pastor, missionário, apóstolo e quem sabe “paipóstolo”, como se auto-denomina René Terranova . A religiosidade usa os títulos para tentar preencher o vazio da alma que precisa ser amada assim como está. Quando os religiosos buscam os títulos e as comendas afastam-se das pessoas e tornam o amor impossível de acontecer.
(A) Continuam fazendo leis
(B) Não cumprem suas própria leis
(C) Exigem o impossível
(D) Fingem ser santos
(E) Gostam de destaque
(F) Apreciam as deferências
Será que nos tornamos os religiosos do século XXI? Será que a religiosidade encontrou lugar em nossas vidas e se instalou em nossas igrejas? Será que trocamos o evangelho simples de Cristo por nossas próprias leis e regras? Será que estamos impondo sobre os outros pesos que nós mesmos não levamos? Será que nos tornamos pessoas fingidas e não admitimos quem nós somos? Será que temos encoberto tudo isso pela cortina das deferências e reconhecimentos?
III. Como não se tornar religioso?
Qual a saída para que a igreja não continue a ser um foco de religiosidade que impede as pessoas de chegarem até ao Senhor? Como podemos nos tornar uma ponte em vez de um muro? Não há nenhum programa miraculoso para isso, nem tampouco adiantará participar de simpósios, congresso e encontros.
No entanto, Jesus afirma que existe uma chave com três segredos para vencermos a religiosidade e tornarmos o amor a marca maior de nossas vidas: reconhecermos que somos uma família de iguais, que temos um Pai amoroso e que temos um guia que nos levará até Ele, seu filho Jesus Cristo.
(8) Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. (9) A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. (10) Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. (Mat 23:11,12 - ARA)
(A) Somos uma família de irmãos
(8) Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.
Eu já tenho falado aqui sobre a perda do significado da expressão irmão ou irmã em nossas igrejas. Irmãos não podem ser escolhidos, irmãos são recebidos. Irmãos não deixam de ser irmãos por nenhuma razão. Nós nos chamamos de irmãos porque fomos gerados pelo mesmo Espírito. Uma nova natureza foi formada em cada um de nós através da fé em Jesus Cristo e isso nos faz iguais.
Temos um mesmo pai, temos um mesmo Espírito, temos uma mesma herança, fomos amados com a mesma intensidade, somos corrigidos com o mesmo amor. Fomos alcançados pela mesma Graça, seremos transformados à mesma semelhança de Cristo. O destino eterno que nos espera é o mesmo, e o louvor que sairá de nossos lábios adorará o único Deus Verdadeiro, Pai de todos.
A religiosidade não tem espaço quando nos consideramos uma família de irmãos. Esse é o ambiente em que o amor tem lugar.
(B) Temos um mesmo pai
(9) A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus.
A religiosidade é vencida com uma atitude de submissão ao Pai. Quando os filhos buscam para si a posição e a autoridade que competem ao pai, a família com certeza vai sofrer. Temos um pai que é presente. Não precisamos nos tornar a nós mesmos pais, nem tratar como pais qualquer um de nossos irmãos.
Comunique suas necessidades aos irmãos, mas clame antes de tudo ao Pai celeste. Compartilhe com os irmãos, mas confesse primeiro ao pai dos céus. Conte com os irmãos, mas confie, sobretudo nas palavras do seu Pai eterno. Confiar no Pai nos livra da religiosidade. É o amor do Pai que nos tornará capazes de amar nossos irmãos. João diz que nos amamos porque Ele nos amou primeiro.
Quando o amor do pai se torna um referencial para cada um de nos, então a religiosidade não encontrará oxigênio para sobreviver e estaremos nos tornando um igreja que ama.
(C) Cristo é o nosso guia
(10) Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo.
Por fim a religiosidade é banida da vida da igreja, e de nossas vidas, quando Cristo e apenas Cristo se torna o nosso guia.
Ter Cristo como guia e colocar-se atrás dele. Segui-lo para onde ele for. Ter Cristo como guia é não se aventurar sozinho pelo caminho, mas esperar até que Ele se levante e ir após ele. Cristo é o guia porque ele sabe a direção e o caminho. Ele viveu aqui as mesmas dores e sofrimentos que vivemos. Ele conhece o caminho que leva ao pai, porque Ele mesmo é esse caminho. Cristo aprendeu o caminho pela obediência para que pudesse agora ser nosso guia.
Quando decidimos depender de Cristo como nosso guia, não há espaço para religiosidade. Aí nos tornamos pessoas que amam. Aí nos tornaremos uma igreja que ama.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aspectos da Ética do Novo Testamento

A ÉTICA DO NOVO TESTAMENTO

A visão ética do Novo Testamento é normativa para a comunidade dos santos, ou seja, a Igreja. Essa visão enraíza-se na proclamação do reinado de Deus por Jesus e no anúncio de Paulo da justiça salvífica de Cristo. Ela tem também exigências específicas feitas dentro de circunstâncias históricas muito concretas. Os cristãos contemporâneos devem se empenhar no processo contínuo de reflexão ética e estabelecer pontos de comunicação entre eles e a sociedade mais ampla. Agindo assim, comunicarão a outros aquilo em que crêem. A visão moral do crente, porém, deve enraizar-se primariamente no Novo Testamento.

Extratos Éticos do Sermão da Montanha
A face mais visível do Reino de Deus é chegada com o ministério de Jesus Cristo e a “legislação” desse reino é sintetizada de uma maneira primorosa no Sermão do Monte. Diferente dos demais rabinos que se limitavam apenas em interpretar a Lei segundo suas tradições. Jesus se dirige aos seus discípulos e a multidão com a autoridade daquele que além de interpretar a Lei ousa ampliá-la e aprofundá-la. A seguinte expressão: “ouvistes o que disseram os antigos, eu porém vos digo...” demonstra a autoridade do Rei que pode emendar, suprimir ou substituir sentenças segundo a sua vontade.
O ensino ético de Jesus é propagado em oposição ao ensino dos escribas e fariseus que possuíam uma espécie de monopólio do sagrado entre o povo comum. A severidade e o rigor no cumprimento das inumeráveis filigranas da interpretação rabínica da Lei pelos fariseus, conferiam-lhes “status espiritual” privilegiado entre a raia miúda. Evidentemente isso se revertia em vantagens sociais e econômicas.
A figura da realeza de Jesus subvertia a ordem social. O que se entendia como sinais de um reino terreno sistematicamente sofria um desmonte conceitual através dos eventos da vida de Jesus: manjedoura, família comum, discípulos do povo, montaria no jumentinho, lava pés. Ou através de seu ensino: o bom samaritano, o jovem rico, crianças e o reino, etc.
A mensagem libertadora do Reino de Deus é apresentada ao povo sem a necessidade da intermediação do clero corrompido e distante da realidade dos marginalizados da religião. A mensagem da parábola do bom samaritano quebra os paradigmas da religiosidade judaica quando mostra a insuficiência e o descaso do clero em ajudar a pobre vítima do pecado.
Valores do reino de Deus Expressos no Sermão do Monte
A Felicidade do Discípulo (Mt 5.1-12).
“Bem aventurados...” esta expressão ocorre nove vezes no Evangelho de Mateus, traduzida do grego makarios também significa feliz. Cada versículo das bem-aventuranças possui duas partes distintivas: a primeira seguida da palavra makarios acrescentando uma qualidade: atitude, comportamento, experiência de vida. A segunda parte consiste de um motivo. Surge a questão: a felicidade do discípulo está contida na primeira parte ou na segunda? Ou, o discípulo é feliz por causa da sua atitude ou dos motivos? Uma resposta adequada a essa questão encontramos no texto de Carlos Queiroz: “A felicidade do discípulo está centrada na arte de viver como luz do mundo – portanto, como quem já tem a virtude em si e, como consequência, já não depende da ação do outro para ser o que é...Ele ama porque é assim o seu modo de ser; tem fome e sede de justiça porque é assim natureza de seus apetites; é pacificador porque a paz é fruto da sua essência de vida.”
Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5.13-16). John Stott sintetiza de uma forma interessante o significado dessas duas expressões de Jesus. O sal no mundo antigo era fundamental. Em uma época sem as facilidades de refrigeração que possuímos atualmente o sal tinha como finalidade precípua a conservação de alimentos. O discípulo então teria o papel de evitar a deterioração das instituições sociais e políticas (família, escola, igreja, governo). A função do farol era a de iluminar as embarcações para evitar o naufrágio e assim chegar ao porto seguro. Tal como o farol o discípulo sinaliza a salvação de Deus em meio a tormenta deste mundo tenebroso.
A Auto Mutilação (Mt 5.21-32). O discípulo se caracteriza por não pertencer a este mundo e não possuir seus valores. Paulo em Rm12.1-2 nos exorta a não tomarmos a forma dos padrões corruptos do sistema maligno que controla este século. Enquanto os religiosos de sua época se limitavam a aparentar santidade em suas relações, configurando o pecado apenas quando acontece o ato. Jesus destaca a origem do pecado nas motivações interiores. Desta forma Ele denunciava como igualmente pecadores diante de Deus: o assassino e o ofensor, o adúltero e o lascivo. Como no episódio da mulher adúltera, pecadores flagrados ou pecadores escondidos são igualmente passíveis de condenação e por isso necessitados de arrependimento. Na questão do olhar podemos afirmar que: o ímpio desnuda a mulher com seus olhos, o religioso busca cobri-la e o discípulo cuida dos seus olhos. O discípulo que mutila os seus desejos pecaminosos no coração age preventivamente.
O Uso Publicitário da Fé (Mt 6.1-21). Práticas tão comuns e tão necessárias para desenvolvermos nossa vida cristã como jejum, oração e esmolas são reavaliadas por Jesus no Sermão do Monte. Seguindo a mesma lógica da motivação do coração, o Senhor denuncia o exercício de atitudes reconhecidas como piedosas como forma de obter prestígio diante dos homens. Pode parecer contraditório, mas é possível realizar manifestações “poderosas”, performances plasticamente perfeitas e “santas” com o único objetivo de se projetar socialmente diante dos demais. O risco da falsificação ministerial é apontado por Jesus constantemente aos apóstolos e discípulos. Lembramos que um dos apóstolos, Judas tinha interesses escusos mesmo sendo um dos doze escolhidos por Jesus.
A Solidez do Ensino de Jesus (Mt 7.24-27). A vida cristã não se caracteriza por demonstrações gratuitas de carismatismo, pirotecnias ou espetáculos para atrair incautos. Os valores do Reino se distinguem pela permanência, estabilidade e capacidade de resistir às intempéries. O discípulo tem a segurança da vida eterna, a presença real do Espírito Santo e sentido para a sua vida terrena (vocação). As bases da mensagem cristã são profundas e vividas a partir da regeneração promovida por Deus no momento da conversão. O cristão não se esforça para ser filho de Deus, porque ele já o é. Seu crescimento naturalmente ocorre em direção à eternidade através de uma vida santa. Quem tem seus fundamentos baseados em um conhecimento teórico do evangelho ou busca viver de acordo com a justiça própria está construindo seus alicerces em terreno arenoso. Certamente não subsistirá, a mensagem do evangelho só pode ser vivida por pessoas que verdadeiramente nasceram de novo.
Por Pastor Sérgio Pereira (adaptado)

Masturbação é Pecado?

Definimos masturbação como sendo a auto-satisfação provocada pelo contato das mãos com o órgão sexual, terminando em orgasmo, sem, contudo ter acontecido a relação sexual.
Não é uma indicação de distúrbio de personalidade, nem tampouco indício de distúrbio mental. Há algum tempo atrás os médicos condenavam a prática como algo prejudicial e até mesmo associada a desvios mentais. Talvez a medicina chegasse a tal conclusão ao observar que alguns pacientes mentais entregavam-se obsessivamente a masturbação. O problema da masturbação é tão velho quanto à natureza humana. O registro histórico da desaprovação do ato remonta ao tempo do “Livro dos Mortos” dos antigos egípcios, que data de 1550 a.C. Pelo código moral dos antigos judeus ortodoxos, era considerado um dos pecados mais graves. Em 1770, foi considerada uma das causas da loucura, e responsável por “encolhimento do cérebro”. O remédio sugerido na época foi uma dieta especial e banhos frios. Atualmente os médicos não consideram a prática prejudicial, a menos que provoque ansiedades ou depressão.
A nova escola de pensamento insinua que a masturbação é um ato natural que deve ser aprovado e até mesmo encorajado. A igreja ainda tenta evitar uma confrontação aberta sobre este assunto. Nosso silêncio tem prejudicado milhares de jovens cristãos. Temos sido covardes, omissos, cômodos e prejudiciais através do nosso silêncio. A masturbação não é um dom divino para que o indivíduo possa liberar o impulso sexual. Não é um ato normal e não é sancionado pela Bíblia Sagrada. A Bíblia não contém nenhum texto específico esclarecendo esse assunto, porém analisando o contexto sagrado entendemos ao pé da letra que a prática da masturbação é pecado e aquele que a pratica pode perder a sua salvação.
Faço a seguinte pergunta neste artigo: porque como cristão não posso masturbar-me? Respondo:
(1) porque a masturbação torna-se uma fuga da realidade da vida;
(2) porque a masturbação cria sentimentos de culpa e de inferioridade causando derrota espiritual;
(3) porque a masturbação torna-se um hábito ao ponto, de exercer controle sobre o individuo;
(4) porque a masturbação nos leva ao pecado de cobiça (Ex 20.17; Mt 5.28);
(5) porque a masturbação viola a consciência na área da liberdade cristã (Rom 14).
Para se ter vitória sobre a prática da masturbação, aconselho o leitor a esquecer-se de tudo o que você tenha feito no passado, a parar de fazer promessas a si mesmo, a Deus ou a seus pais, se estes o apanharem no ato; a lembrar-se de que você não é um(a) tarado(a), um impuro e muito menos um maníaco pelo fato de ter-se masturbado; desfaça-se de tudo que leve você a essa prática como: revistas pornográficas, filmes eróticos, sites da internet, etc.; procure não ficar desocupado, passe mais tempo lendo a Bíblia e leia bons livros, lembrando-se de que “mente desocupada é oficina do diabo”. Se cair na prática, confesse a si mesmo e a Deus, esqueça o acontecido e siga em frente.
Deus não quer que você fique fazendo promessas de parar. Não é desejo dele que você lute sozinho nessa batalha. Ao invés de sentir-se envergonhado e culpado, levante a cabeça e diga a si mesmo: “está certo, errei, mas vou prosseguir, vou conseguir superar isso, não estou amarrado, vou lutar até me libertar completamente”. Com oração e um pouco de esforço o hábito de se masturbar será substituído por outras práticas edificantes. Deus entende o problema e sabe por que você o pratica. Não se condene mais. Levante a cabeça e tenha fé no seu Deus.
Pr. Sérgio Pereira