quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Cristão e as Festas Juninas

Por Pastor Sérgio Pereira

A origem de tais festividades remonta à antiguidade, quando se prestava culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos a esta deusa eram denominados Junônias, atualmente festas juninas. Segundo a mitologia romana Juno era a protetora do casamento, do parto e sobretudo da mulher em todos os aspectos da sua vida, assemelha-se à deusa grega Hera, com quem foi universalmente identificada. Juno, na mitologia romana, era a principal deusa e a contrapartida feminina de Júpiter, seu irmão e marido. Com Júpiter e Minerva, formava a tríade capitolina de divindades difundidas pelos reis Etruscos, cujo templo se erguia no Capitólio, em Roma. Recebeu vários epítetos, segundo os papéis que desempenhava, como, por exemplo: Juno Iterduca, que conduzia a noiva à nova casa; Juno Lucina, a deusa do parto, que auxiliava o nascimento das crianças; Juno Natalis, que presidia o nascimento de cada mulher; e Juno Matronalis, que protegia a mulher casada. Tornou-se um anjo da guarda feminino, assim como todo homem possuía seu "gênio", toda mulher tinha sua "juno". Sua festa principal era a Matronália, celebrada em 1º de março, data em que mulheres casadas se reuniam e levavam oferendas ao templo de Juno Lucina, trazendo inspiração para o Catolicismo Romano que colocou tais festividades no mês de junho. As representações de Juno variavam de acordo com o epíteto escolhido. Com maior frequência, era representada de modo semelhante à grega Hera, de pé e como matrona de austera beleza, às vezes com características militares. Quando o cristianismo foi implantado na Europa, depois de muito relutar, a Igreja Romana aceitou algumas das festas pagãs, entre elas as Junônias.
Outra fonte diz-se que as festas juninas são de origem europeia, e que fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a Festa Junina do dia de "Midsummer" (24 de Junho) tornou-se, pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a Festa Junina é o traço comum que une todas as festas de São João europeias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França). Estas celebrações estão ligadas às fogueiras de Páscoa e às fogueiras de Natal. Uma lenda católica cristianizando a Festa Junina pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.
Para os brasileiros as festas juninas são uma herança portuguesa resultante dos cultos pagãos em louvor a terra, com a data de nascimento de São João. Sua origem foi influenciada por festas bárbaras e pagãs, com fogueiras e queimas de fogos para afugentar os maus espíritos. Começaram nos campos e plantações, daí os trajes típicos de caipiras e sinhazinhas, com casamento de roça, discurso do padrinho, as capelinhas decoradas, etc. Mais tarde as festividades tomaram um cunho religioso com apresentação de tradições locais, influenciada pelas lendas e hábitos do populacho.
Se tivermos as suas origens na mitologia romana, veremos tal festividade sendo categoricamente condenada por Jeremias no texto que segue:
“Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes; pois eu não te ouvirei. Não vês tu o que eles andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém? Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira. Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o Senhor; não se provocam a si mesmos, para a sua própria confusão? Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, sobre as árvores do campo e sobre os frutos da terra; sim, acender-se-á, e não se apagará. Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios, e comei a carne. Pois não falei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem” (Jr 7.16-23).
O costume dessas festas é movido pela tradição romana. Tais festas são uma forma de culto aos santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antonio. João Batista e Pedro jamais aceitaram adoração ou veneração (Jo 3.23-30; At 10.25,26). O costume é religioso e movido pela tradição Católica, por mais que elas tragam brincadeiras que agradem nossas crianças, o perigo é que as tradições e costumes possam entrar na vida dos pequeninos, o povo de Israel sofreu com os costumes de povos que o próprio Deus pediu para não se envolver com eles. Observe o que Paulo escreve:
“Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2.8)
Como cristãos não somos contra as festas, pois somos um povo festeiro, mas antes de participarmos de qualquer festa necessitamos avaliar qual é a sua finalidade. Não concordamos com os princípios das “inocentes festas juninas” que sorrateiramente tem-se recebido permissão de muitos cristãos e até de pastores, daí não entendermos o porquê de nossos filhos não terem mais desejo pela Bíblia, ou por servir ao Senhor Jesus.
Alguns pais de minha igreja tem-me perguntado: Meu filho é obrigado a participar da festa junina porque vale nota no boletim! Este tem sido um problema para muitos pais evangélicos. No Inciso 5º da Constituição Federal reza o seguinte: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais dos cultos e suas liturgias".
Por fim consideremos que o Brasil é o maior país agrícola do mundo. No entanto, importamos alimentos, arroz, feijão, trigo, café, cacau etc. Deveríamos exportar, pois temos terras de excelente qualidade. Um dos problemas da falta de produção agrícola é a desvalorização do "homem do campo" que é humilhado nas festas juninas. As Festas Juninas humilham as pessoas do campo; o caipira quando não é banguela é desdentado, seu andar é torto, corcunda por causa da enxada, a botina é furada, suas roupas são rasgadas e remendadas, um pobre coitado. A Bíblia diz: “Quem caçoa do pobre insulta a Deus, que o fez” (Pv 17.5).

CURIOSIDADES: VOCÊ SABIA?
QUADRILHA. Que a quadrilha é uma dança de origem francesa? Foi trazida ao Brasil no início do século XIX passando a ser dançada nos salões da corte e da aristocracia brasileira. Com o passar do tempo, deixou a nata da sociedade e incorporou-se às festas populares gerando, assim, suas variantes no interior do país.
PIROLÁTRICOS. Você sabia que os cultos pirolátricos são de origem portuguesa? Antigamente, em Portugal, acreditava-se que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus demônios na noite de São João. Atualmente, no mês de junho intensifica-se o uso desses artifícios, porém, desassociado dessa antiga crendice.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O CONHECIMENTO INCHA

POR PASTOR SÉRGIO PEREIRA

“A Ciência incha, mas o amor edifica” (I Co 8.1)

Não sei se estou mais crente ou menos crente, mas a verdade é que estou cansado. Cansado de ver tanta agressividade em torno de debates intermináveis em cima de uma pseudo apologia da fé cristã. Cansado de ver renomados teólogos e apologistas como se estivessem numa arena na época dos gladiadores, onde cada qual quer fazer tinir sua espada com mais vibração do que o outro.
Os constantes debates em cima de coisas tão absurdas me fazem enojar de tudo o que estão chamando de cristianismo ou defesa da fé. São debates sobre pregações, canções, letras e melodias, cada qual querendo ser mais sábio do que o outro, querendo demonstrar ser mais versátil na teologia do que o outro, e por aí vai. Isso me cansa, me causa dor, me entristece, porque ao invés de estarmos aproveitando nossos conhecimentos para a conquista de almas e o crescimento do Reino de Deus na terra, estamos nos enfrentando dentro do Reino, nos matando e nos enfraquecendo mutuamente.
O Apóstolo Paulo, no texto supracitado está falando das coisas sacrificadas, e em tal contexto precisamos entender que a cidade de Corinto era influenciada pelo poder idolátrico e pela filosofia da Grécia, com seus milhares de deuses de toda espécie. Um certo comentador romano informou que havia mais de trinta mil deuses na Grécia. Portanto, havia deuses para todo tipo de coisas e gostos. Além disso parece que os crentes coríntios se orgulhavam de seus conhecimentos filosóficos, daí a razão pela qual Paulo afirmar que “a ciência incha”. A impressão é que as pessoas estavam condenando umas às outras, por isso, o conhecimento (a ciência) nunca resolveria a questão, pois onde há argumentação, o conhecimento só “incha”, tornando cada um mais seguro de sua posição. Sem amor, nosso conhecimento até mesmo das verdades espirituais produz orgulho, arrogância e presunção, nossa resposta inteligente só humilha o outros à medida que nos incha.
Este é o desafio que urge que entendamos: nosso conhecimento destituído do genuíno amor cristão e da compreensão tolerável dos limites do meu irmão, não produzirá mudanças, pelo contrário inchará, ou seja, nos fará arrogantes, presunçosos, orgulhosos de nossas cátedras e inteligência.
Na vida pouco importa o que somos ou o que pensamos saber, nosso conhecimento é incompleto quando destituído de amor. Nenhum de nós sabe o que realmente devemos saber para resolver inúmeras questões.
Gosto muito do que Hernandes Dias Lopes diz: “Não somos uma ilha. Nossas palavras, ações e reações afetam as pessoas a nossa volta. Vivemos em comunidade, por isso nossas atitudes nunca são neutras. Elas ajudam ou estorvam as pessoas. Nossa conduta não deve ser regida apenas por nossas opiniões. Precisamos levar em conta, também, as pessoas que estão perto de nós. Nossa ética é governada pelo amor e não apenas pelo conhecimento. Nem todos na comunidade têm o mesmo conhecimento e a mesma consciência que temos”.
E mais: “A ética cristã é regida não só pelo conhecimento que você tem, mas pelo amor que você nutre pelo seu irmão. Se a sua atitude provoca e escandaliza seu irmão, você está pecando contra ele, golpeando-lhe a consciência fraca”. (I Corintios, Como resolver conflitos na Igreja, Hernandes Dias Lopes, Editora Hagnos, pág. 154).
Façamos nossa parte: amemos, amemos e amemos! Deus se encarregará de mudar os intoleráveis, transformar os hereges, e restaurar os falsos profetas.
Temos nos tornado exibicionistas de plantão, ostentadores de conhecimento, mas destituídos de amor, de compreensão, de espiritualidade e acima de tudo de uma vida piedosa e santa. Precisamos deixar de querer transformar as pessoas à força, isso não funciona, lembremo-nos das palavras de Zacarias: “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).
Levemos nossas intolerâncias aos pés da cruz, destituímo-nos de nossos achismos teológicos, de nossas posições quase sempre equivocadas, e unamo-nos em prol do crescimento do Reino e acima de tudo para o louvor do Grande Rei e Senhor!
Que o Santo Deus tenha piedade de nós!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os Ídolos do Coração

Por Pr. Sérgio Pereira

Ao ministrar a escola dominical no ultimo domingo fui surpreendido pelo comentário da revista quase no final de lição fazendo alusão aos ídolos do coração. Confesso que foi a parte que mais me empolgou no assunto da refeida lição.
Observe as palavras de Ezequiel 14.3: “Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos dentro do seu coração, tropeço para a iniqüidade que sempre têm eles diante de si; acaso, permitirei que eles me interroguem?”.
A palavra hebraica para ídolos usada por Ezequiel é gillûl, que significa “tora sem forma, bloco vazio”, referindo-se assim para mostrar a inutilidade, futilidade e incapacidade dos ídolos adorados pelo povo. Por sua vez a palavra hebraica para coração utilizada por Ezequiel é leb que quer dizer: “ser interior, mente, vontade, coração e inteligência”.
Diferentemente do uso mais comum do termo, o profeta Ezequiel o aplica à adoração que ocorre dentro do coração humano. A referência não é a imagens, estátuas ou coisas semelhantes, mas a tudo que o coração do homem venha a adorar dentro de si. O contexto indica que “ídolo do coração” é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus na vida de alguém: “porque qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que moram em Israel que se alienar de mim, e levantar os seus ídolos dentro do seu coração, e tiver tal tropeço para a iniqüidade, e vier ao profeta, para me consultar por meio dele, a esse, eu, o SENHOR, responderei por mim mesmo” (Ez 14.7). O texto deixa claro que aquele que se aproxima de ídolos está se afastando de Deus. Isso acontece pelo fato de que o coração humano não comporta a dedicação dupla. A Bíblia destaca o fato de que é impossível servir a dois senhores (Mt 6.24). Desse modo, ao se aproximar de um ídolo o homem está se distanciando de Deus. O resultado natural disso é que esta escolha se torna motivo de constante tropeço para o idólatra, que tem o seu comportamento moldado por aquele a quem serve. Como a própria expressão deixa claro, a idolatria ocorre no coração. Levando em conta o uso do termo “coração” nas Escrituras, podemos concluir que a idolatria afeta o entendimento e crenças (cognitivo), as emoções e desejos (afetivo) e vontades (volitivo).
João Calvino dizia que “o coração é uma fábrica de ídolos”. Embora nossa idéia de idolatria esteja associada à adoração de imagens e a criação de imagens, as Escrituras descrevem a idolatria como um problema do coração do homem.
A idolatria é a substituição de DEUS por outro ser ou coisa que assume maior importância em nossa vida. Ao falar de coração a Bíblia fala das três principais operações do homem interior: mente, afeições e vontade. Em vez de pensar nestes três aspectos (mente, afeições e vontade) como sendo separados e isolados um do outro, pense neles como operando continuamente em conjunto, um com o outro.
No Antigo Testamento a idolatria refere-se ao desvio do homem de Deus. Por sua vez, o Novo Testamento traz na palavra “desejos” (gr. epithumiai) a característica e o resumo para o mesmo desvio.
Vivenciamos uma época de conflito de princípios e inversão de valores sem precedentes. Condenamos os idolatras que se curvam diante de Maria e outros santos do Catolicismo Romano, mas erroneamente alimentamos desejos e prazeres internos que ocupam o lugar que é de Deus em nossas vidas e corações.
Temos precisado de algo mais além de Deus para que a vida tenha mais significado ou sejamos mais felizes e se isso estiver acontecendo em nossas vidas, então tal coisa funciona como meu ídolo!
Adoramos e veneramos as bênçãos, por elas cometemos os mais absurdos erros e desvios doutrinários, esquivando-nos de participar dos ensinamentos bíblicos pois os fins estão justificando os meios. Pergunto: como podemos saber se adoramos mais as bênçãos do que ao Deus verdadeiro? Duas respostas:
(1) Se eu estiver disposto a pecar para conseguir o que mais quero. A ética atual é a ética do momento, da conveniência. Estamos mais preocupados com resultados do que com a verdade; buscamos mais a conveniência pessoal do que fazer o que é certo diante de Deus. Preferimos o que dá certo ao invés do que é certo.
(2) Se quando eu não conseguir o que quero a minha reação for pecaminosa, é sinal de que o coração está cheio de ídolos.
O que quero, em si, não é necessariamente pecado! Mas a intensidade com que busco me leva a pecar. (Mt 22.37; 6.33). A questão mais profunda aqui não é o que motiva a buscar as bênçãos mas, quem é o senhor dos padrões de pensamento, sentimentos ou comportamento. Quem além de Deus ocupa minhas convicções e meus desejos? O que se observa em pessoas com ídolos no coração é que as tais nunca estão satisfeitas, sempre precisam de algo mais para se sentir realizado.
Muitas coisas têm ocupado nossas mentes sufocando a presença de Deus: o desejo incontrolado por fama, poder e dinheiro; a crescente manipulação de interesses; a busca ansiosa por reconhecimento; a família; os bens materiais; as posições eclesiásticas (disputadíssimas por sinal nos últimos dias); e tantos outros ídolos que tem deixado o nosso Deus em segundo plano.
Temos servido a Jesus sem compromisso, somos discípulos de improviso, vivenciamos um evangelho superficial. Alguns cristãos têm apenas um verniz, uma casca de piedade, mas nenhuma essência de santidade (Cl 2.20-23).
Deus nos chama a responsabilidade para consagrar a Ele todo o nosso coração: “E agora, ó Israel, que é que o Senhor, o seu Deus, lhe pede, senão que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os Seus caminhos, que O ame e que sirva ao Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e que obedeça aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu próprio bem” (Dt 10.12,13).
Urge entendermos novamente as palavras de Jesus a Marta: “mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (Lc 10.42).
Precisamos discernir entre o que é santo e o que é profano (Lv 10.10; Ez 44.23), precisamos deixar de lado a duplicidade religiosa, a falsidade, as máscaras que nos escondem por certo tempo, mas não são afiveladas com segurança tamanha que Deus não possa tirar e desmascarar. Precisamos ser boca de Deus e só o seremos se separamos o precioso do vil (Jr 15-19-21).
“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!” (I Jo 15.21)

Fontes:
http://www.conselheirobiblico.com/index.php?option=com_content&view=article&id=91:idolos-do-coracao&catid=16:estudos&Itemid=103. Acesso em 25/05/09.
http://www.ibcu.org.br/apostilas/terapia_biblica/aula6.pdf.
Acesso em 20/05/09.
Champlin, R.N. & Bentes, J.M. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Candeia: 1991.
POWLISON, David. Ídolos do coração e feira das vaidades. Brasília: Refúgio, 1ª edição, 1995.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O GRANDE DIA DO SENHOR

Há dias atrás ministrei em minha igreja uma mensagem com este tema tão palpitante. A maneira como Deus manifestou-se ainda está marcado em minha memória. Razão pela qual optei em compartilhar os rabiscos desta mensagem com os internautas, com o esboço que se segue:
O GRANDE DIA DO SENHOR

Texto Base: Sofonias 1.4-18

Introdução: o nome Sofonias no hebraico Sefanya, significa “Jeová esconde”., é um dos chamados profetas menores, era tataraneto do rei Ezequias. Pregou em Judá no reinado de Josias provavelmente entre os anos 640-621 a.C., foi contemporâneo de Naum e de Jeremias. Distingue-se pelo rigor moral, rude clareza e franqueza absoluta, simplicidade e energia, baseadas na certeza na ação de Deus na história humana.

Transição: o “Dia do Senhor” referido em Sofonias é o dia em que um inimigo estrangeiro, a espada do castigo do Senhor, infligiria grande destruição sobre Jerusalém. Esse inimigo foi diversas vezes identificado como os citas, os assírios ou os babilônios. Parece que o cumprimento dessa profecia aconteceu quando Nabucodonosor, rei de Babilônia, capturou Judá no ano 605 a.C. O cumprimento definitivo ocorrerá durante a Grande Tribulação. Dentro desse contexto o “Dia do Senhor” tem a ver com o justo juízo de Deus que cairá sobre o mundo incrédulo e castigará a rebelião contra Ele.

1- OS PECADOS CONDENADOS POR DEUS – vs. 4-9
A- As práticas sensuais em adoração a Baal (vs. 4). Os quemarins: hebraico chemarim: ministrantes dos ídolos, estão em vista os “sacerdotes vestidos de negro” que serviam a diferentes deuses.
B- Os que adoram o exército do céu sobre os eirados (vs. 5). A adoração dos eirados era praticada mediante o oferecimento de incenso e libações – Jr 19.13; 32.29
C- Os sincretistas que juram por Deus e por Malcã (deus dos amonitas) (vs. 5). Esse deus é interpretado como uma referência a Moloque
D- Os apóstatas (vs. 6) – “deixam de andar em seguimento do Senhor”
E- Os indiferentes (vs. 6) – “os que não buscam ao Senhor, nem perguntam por Ele”
F- Os versículos 8 e 9 condenam quatro pecados cardeais:
a. Conformidade com este mundo, simbolizada pelo uso de roupas de fabrico estrangeiro;
b. Saltar sobre o umbral:
1. Imitavam a adoração dos filisteus – I Sm 5.5
2. Ladrões que entram para saquear
c. Violência espalhafatosa
d. Fraude e engano

2- COMO O DIA DO SENHOR AFETARÁ JERUSALÉM – vs. 10-13
A- O Senhor fará ouvir um grito
B- Os juízos de Deus são súbitos e assustadores que os ouvidos dos homens formigam quando ouvem a seu respeito:
a. Observe I Sm 3.11-13; II Rs 21.12; Jr 19.3
b. Tinir os ouvidos significa “vibrar os ouvidos fazendo-os ficar vermelhos de vergonha”

3- CARACTERÍSTICAS DO GRANDE DIA DO SENHOR – vs. 14-18
A- É chamado de grande, pois será um julgamento terrível e todo-consumidor, que varrerá todos a sua frente, sem respeitar nenhuma classe.
B- O dia do Senhor produzirá melancolia e trevas – Is 13.9-10
C- O dia do Senhor trará a destruição causada por Jeová – Jl 1.15
D- Nenhuma riqueza de prata ou ouro poderá livrar uma única pessoa do dia do Senhor – Ez 7.19
E- O dia do Senhor será tenebroso – Am 5.18,20; 8.9
F- Na visão de Sofonias será um dia: amargo, de indignação, de angústia e de ânsia, de alvoroço e desolação, de trevas e escuridão, de nuvens e densas trevas.
G- Na ótica do Novo Testamento:
a. O dia do juízo virá quando a sociedade ficar obcecada com a prosperidade e segurança – I Ts 5.3a
b. O dia do juízo será como as dores de parto de mulher prestes a dar à luz – I Ts 5.3b
c. Começará primeiro pela Casa de Deus – I Pe 4.17-18

4- O DIA DO SENHOR NA VISÃO DO APOCALIPSE: As Fases da Grande Tribulação
A- Abertura dos sete selos – Ap 6.1-17; 8.1-5
a. Primeiro selo: cavalo branco – anticristo, paz;
b. Segundo selo: cavalo vermelho – guerra;
c. Terceiro selo: cavalo preto – fome;
d. Quarto selo: cavalo amarelo – morte;
e. Quinto selo: os santos martirizados são justificados;
f. Sexto selo: terremoto, abalos cósmico, cataclismo no céu e na terra, de tal forma que os homens pediram aos montes que os ocultassem da ira do Cordeiro;
g. Sétimo selo: as sete trombetas.
B- O soar das sete trombetas – Ap 8.6-13; 9.1-21; 11.15-19
a. Primeira trombeta: 1/3 da vegetação é destruída, a terça parte da terra consumida por saraiva e fogo misturados com sangue;
b. Segunda trombeta: lançado ao mar algo semelhante a um grande monte ardendo em fogo, o resultado foi 1/3 da vida oceânica é destruída;
c. Terceira trombeta: caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha e 1/3 da água doce é envenenada;
d. Quarta trombeta: 1/3 dos astros luminares se escurecem;
e. Quinta trombeta: abismo aberto, o homem sofre; primeiro ai: gafanhotos do abismo;
f. Sexta trombeta: quatro anjos são soltos; segundo ai: a terça parte dos homens são mortos;
g. Sétima trombeta: a abertura das taças.
C- O derramamento das sete taças da ira de Deus – Ap 16.1-21
a. Primeira taça: chagas, tumores e pestes generalizadas;
b. Segunda taça: total envenenamento da água salgada;
c. Terceira taça: total envenenamento da água doce;
d. Quarta taça: calor abrasador do sol, irradiação solar se agrava profundamente, provocando a morte dos homens;
e. Quinta taça: trevas e dores sobre a capital do anticristo;
f. Sexta taça: o Eufrates seca e, aparecem três espíritos imundos semelhantes a rãs, capazes de fazer prodígios, a fim de congregar os reis de todo o mundo para a batalha final do Armagedom - Ap 16.16
g. Sétima taça: terremoto e chuva de granizo, Babilônia é destruída.

5- OS ABRIGADOS DA IRA DO DIA DO SENHOR – 2.3
A- Os que buscam ao Senhor no dia da sua graça – Is 55.6; II Co 6.1,2; Tg 4.8
B- Os que fazem a sua vontade – Jo 14.21
C- Os justificados pela graça de Cristo – Rm 5.1-2; 8.30-39
D- Os que compartilham da mansidão de Cristo – Mt 5.5; 11.29

6- O APARECIMENTO DE CRISTO EM GLÓRIA – Ap 19.11-16
A- Seu nome: fiel e verdadeiro
B- Os olhos flamejantes de fogo não deixarão escapar nada, porque Ele vem para julgar e guerrear – II Ts 1.7,10
C- Os muitos diademas na sua cabeça mostram que Ele vem como Rei dos reis
D- O nome que ninguém conhece, a não ser Ele mesmo, fala de sua glória intima e da natureza que Jesus reparte com o Pai – Lc 10.20; Jo 17.5
E- O manto tinto de sangue prova o seu sacrifício no Calvário
F- Os remidos estarão montados em cavalos brancos que o acompanharão

Conclusão: para aqueles que desejam escapar da ira do grande dia do Senhor ainda há tempo para arrependimento – Sf 2.1-2
Por Pastor Sérgio Pereira

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Procurar Deus: é Moda?

Deus é a causa e o efeito de tudo, a fonte de todas as faculdades e sentimentos do homem. Razão pela qual, o ser humano vive em sua procura, e para tal acaba atropelando meios e subterfúgios inimagináveis na ânsia de encontrar o que é essencial, a Divindade.
Tal procura parece evidenciar o chamado “problema de Deus”, que sempre se apresenta na consciência do homem. O citado “problema de Deus” parece surgir cotidianamente pelo fato das necessidades experienciais do ser humano.
Ao que parece, mesmo que interiormente o homem sente a necessidade da procura de Deus, ao mesmo tempo, não dá importância alguma para conhecê-lo e nem busca saber se tal conhecimento é possível ou não. Razão pela qual surge avassalando as crenças, o “evangelho do ateísmo”, carregando em seu bojo, homens da sociedade e, pasmem teólogos da maior credibilidade.
A partir daí surgem então ideologias das mais diversas negando a existência de Deus, que acabam denotando ou despertando o interesse de muita gente para a procura de Deus, na sua essência, caráter e personalidade.
Esse retorno à procura de Deus leva o ser humano a falar d’Ele com freqüência em todos os lugares: rádio, TV, internet, livros, jornais, revistas, nas rodas de amigos, etc. Porém, parece que essa retomada na busca por Deus, apresenta-se na roupagem de uma “moda”, tornando-se tão frágil e precária como todas as modas que surgem e desaparecem como o vento.
A moda é uma característica totalmente humana, que se expressa em todas as áreas: costura, esportes, arte, literatura, tecnologia, e até na teologia, evolvendo a religião e afetando o relacionamento homem-Deus. Mas a moda não determina sobre a vida do homem, e sim este, determina sobre ela, logo Deus não pode ser visto como uma moda. A moda é transitória, Deus é permanente; a moda é mutável, Deus é imutável; a moda é criada, Deus é incriado; a moda é humana, Deus é divino; a moda glorifica aquele que a idealizou, Deus com suas obras se auto glorifica, pois nunca a glória pode ser do homem.
Nossa existência, a maneira de entendermos a vida, nossa humanização, os valores com os quais trabalhamos e nos realizamos, se estiverem longe ou distanciados de Deus, entram em cheque-mate. Deus torna-se, ou é essencial em nossa vida e existência. Deus traça os limites dos nossos atos e sentimentos e do nosso próprio ser. Deus nos tira do nada, nos mantém no ser, como prova de seu vivo amor. Para Deus desliza todas as nossas emoções e pensamentos. Deus não pode ser tido como moda!
Os grandes pensadores Marx, Nietzsche, Freud, Sartre expuseram sobre a grandeza, a inteligência e a glória humana. Revelaram conquistas cientificas e tecnológicas inigualáveis enfatizando e honrando os atos humanos, sem, todavia reconhecerem que o homem faz e acontece porque tudo provem do Criador.
Enquanto o ser humano continua dominando e não reconhecendo os seus limites diante do Criador; os seus valores, sua dignidade, tornam-se fútil, vazia, insignificante. Quanto mais longe de Deus o homem permanecer, mais precária será sua existência, mais patéticos serão os seus atos e conhecimentos. Enquanto o homem diminui distante de Deus, Deus continua o que é: essência, realidade, causa e efeito de tudo. Na verdade, o homem precisa voltar-se para Deus e reconhecer que apenas Ele pode salvar a humanidade de sua total prevaricação, garantindo um sólido fundamento ao valor e a dignidade da pessoa humana.
Estudar Deus, descobrir Deus não é um passatempo, mas uma necessidade vital à própria existência do ser humano, porque somente através desse estudo de Deus, desse descobrir a Deus é que o ser humano conseguirá compreender a si mesmo, a saber o significado e a importância de sua própria vida. Somente com e em Deus o homem poderá ter a realização de si mesmo.
Os animais e os robôs são diferentes do ser humano. O homem não se contenta em registrar informações e dados; ele questiona, agita as mentes, propõe problemas, formula perguntas. Enquanto os animais e os robôs contentam-se em registrar informações e dados, o homem interroga sobre o significado, estrutura, origem, e procura explicações. No homem existe a sede do saber, do conhecer; é uma sede que abarca todas as esferas da vida: a vida e a morte, a natureza e a história, o ser e o vir a ser, a cultura e a religião, etc. Entre todas as questões, existem aquelas relativas a Deus: Deus existe? Quem é Deus? O que Deus faz? Se Deus é bom, porque coisas ruins acontecem? Tais questionamentos são de suma importância, porque na resposta deles está o sentido da existência humana, a realização do projeto de humanidade, e o efetivar do valor absoluto do ser humano. Na verdade, tais questionamentos nos levarão a uma dimensão de compreensibilidade a respeito do Ser de Deus e do ser do homem, tornando possível, como dissemos acima, a realização pessoal do ser humano.

No amor eterno d’Ele,

Pr. Sérgio Pereira

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ser Santo na Sociedade Pós Moderna

Por Pastor Sérgio Pereira

A Igreja de Cristo fora estabelecida por Ele para ser sal da terra e luz do mundo e assim resplandecer diante dos homens objetivando levá-los à luz de Cristo e a glorificarem o Pai eterno (Mt 5.13-16). Infelizmente parece-me que a Igreja dos tempos pós modernos ao invés de influenciar a sociedade através de sua vida baseada e alicerçada na Palavra de Deus, tem-se deixado influenciar pela sociedade. Na verdade, nos dias em que estamos vivendo ser crente virou sinônimo de status, de ser bem sucedido. Hoje se é crente, mas é artista de filme pornográfico. É crente, mas é ludibriador, enganador, mentiroso, trapaceiro. É crente, mas é assaltante, traficante. É crente, mas leva uma vida de moral vergonhosa.
Nos tempos pós modernos cristãos tem abusado da liberdade cristã com pretexto para o pecado, quando o apostolo Paulo nos recomenda exatamente o contrário (Gl 5.13).
A sociedade atual vive num caos moral, ético e espiritual. Os valores tem sido invertido diariamente. Vivemos fantasiados o tempo todo como se estivéssemos em um baile de máscaras, evidenciamos o que não somos. Uma onde de libertinagem tem avassalado a nossa sociedade e sorrateiramente tem invadido o ambiente do culto cristão, em nossa práxis diária da fé confundimos a essência com a aparência e nos deixamos levar pelos apelos ilusionistas de uma espiritualidade divorciada da Bíblia e distante da prática moral estabelecida pela lei de Deus.
A volta de Jesus está próxima! Todavia, a Igreja não está preparada para recebê-lo. Lamentavelmente ela está cheia de máculas e rugas, sua condição parece cada vez mais degradante e carece de pureza e santidade. Os escândalos envolvendo os lideres evangélicos são cada vez mais freqüentes. Líderes carismáticos que com mestria manipulam a emoção do povo, são os que causam os mais devastadores efeitos morais e espirituais, colocando a Igreja sob suspeição.
O cristianismo evangélico descamba para uma prática fria e ineficaz, os tempos gloriosos do inicio do pentecostalismo dão lugar à apatia e à inoperância. Paradoxalmente, isso parece ocorrer em meio a muita euforia, “cultos shows” que atraem multidões ávidas por movimentos exteriores e emoções carnais manipuladoras e frenesi humano. Vivenciamos uma era de templos cheios e espíritos vazios, sequiosos por um mover sobrenatural de Deus.
Como povo de Deus precisamos voltar a sermos identificados não pelas nossas posições políticas, ou pelas estruturas denominacionais, mas pela santidade que se evidencia por uma prática diferenciada da do mundo, pois é exatamente o que nos falta. É preciso entender que somente um povo santo será usado por Deus para mudar os destinos que a sociedade está tomando. Deus está procurando homens e mulheres que sejam santos em meio a sociedade pós moderna e vivenciem na prática aquilo que pregam em suas teorias.
Estamos cheios de boas intenções para com o Reino de Deus. Pregamos até coisas fenomenais e tremendas enquanto vivemos horrivelmente o evangelho do Reino. Pergunto: nossas boas intenções têm produzido caráter cristão? Nossas boas intenções produzem vida ou morte? Nossas boas intenções têm produzido vida no altar?
Precisamos entender que somente examinando a Palavra de Deus e a colocando em prática é que alcançaremos o padrão estabelecido por Deus para a sua Igreja. O problema é que ao examinarmos alguns textos das sagradas escrituras, nós os achamos “pesados demais” para esta geração e aí para agradarmos os ouvintes arrumamos uma explicação teológica distante da verdade para afrouxarmos a corda e acomodar o pecador dentro de nossas Igrejas. Pregadores do evangelho permitam-me disser-lhes escondido na cruz de Cristo: o evangelho de “boas intenções” não trará vida a esta geração, mas os sepultará cada vez mais no sórdido engano do pecado. Somente a santidade gerada pela exposição da Palavra de Deus é que nos devolverá o poder que tanto precisamos para sacudir esta geração que está sendo atormentada pelo pecado e pela malignidade.
Um povo santo não pode aceitar nada menos do que viver de modo santo a fim de glorificar o Pai celestial. Quando a Igreja perde essa noção, descamba para o secularismo, misticismo, legalismo, liberalismo e ascetismo, gerando a própria morte.
Ser santo em meio a uma sociedade corrompida pelo pecado é o bem maior do cristão. Não podemos ficar alienados, acomodados e conformados com o mundanismo que invade a Igreja do Deus vivo, pois se vivermos numa comunidade estéril e descompromissada com a Bíblia, certamente experimentaremos a morte espiritual, e mortos espiritualmente de que adiantará a vida física?
É urgente buscarmos a santidade de Deus. É urgente redimensionarmos os nossos valores. É urgente mudarmos nosso estilo de vida. É urgente nos quebrantarmos diante de Deus suplicando-lhe por misericórdia e desejando a Sua presença ardentemente. É tempo de santificação!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Avivamento

Por Pastor Sérgio Pereira

Vivenciamos dias em que nossos púlpitos enfatizam de forma exarcebada um retorno ou a chegada de um grande avivamento. Na verdade, traduz-se por avivamento grandes reuniões, êxtase religioso, uma experiência temporária com o Espírito Santo, umas poucas conversões, manifestações de sinais e maravilhas, danças litúrgicas, cair sobre a influência ou toque de alguém muito “ungido” e por ai vai as definições que temos sobre tão palpitante tema nesses dias modernos. Mas, isso é avivamento?
Avivamento é um mover do Espírito Santo trazendo um retorno do cristianismo pregado na Igreja Primitiva, cristianismo esse a ser vivido tanto na Igreja como na sociedade em que ela está inserida. G. J. Morgan, define avivamento como o “despertar na humanidade a consciência de Deus, mediante a presença interior do Espírito Santo. É Deus manifestando-se através da vida humana, fazendo jorrar o Seu poder redentor em frutos de justiça, na constituição da Sua encarnação da alegria e do arroubo do Evangelho no prados da Galiléia, um brado glorioso do pentecoste subindo numa doxologia de amor redentor”.
No hebraico vetero-testamentário, avivar é hayan que significa preservar a vida, trazer a vida ou fazer viver. Por sua vez o grego traz a palavra zoopoieo aludindo a vivificar, tornar vivo, estar com vida. Traduzindo para o contexto religioso diríamos que avivamento é:
1. Um retorno ou a recuperação da vida ou de uma aparente morte (Sl 85.6);
2. Avivamento é um choque na apatia e no descaso, uma recuperação de um estado de torpor (Is 64.1-3);
3. Uma recuperação daquilo que está esquecido, obscurecido ou deprimido. O avivamento restaura verdades que uma vez criadas e vividas estão agora jogadas em total descaso ou esquecimento;
4. Avivamento é uma reforma da doutrina e da pregação (Ed 7.10);
5. Conforme diz Arthur Wallis “avivamento é o contra-ponto do declínio que gera novo ímpeto espiritual”.
Todavia, a melhor definição parece ser a de Vance Havner que define avivamento como “uma operação do Espírito de Deus, entre o seu povo, é o cristianismo voltando ao normal”.
Numa olhada rápida aos avivamentos vetero-testamentários observaremos que os mesmo tiveram características similares e importantíssimas que deveriam ser ressaltadas no avivamento que queremos hoje. Obsevemos: (1) todos aconteceram em dias de grande crise moral e espiritual; (2) todos começaram a partir de um personagem movido por Deus como profeta que incentivava o povo a um retorno para Deus; (3) cada avivamento veio através de uma redescoberta dos princípios exauridos da Palavra de Deus; (4) todos os avivamentos trouxeram o povo à adoração e ao louvor; (5) em todos, os ídolos foram destruídos; (6) em todos, o povo deixou de lado as práticas condenadas por Deus; (7) em todos, seguiu-se um período de grande prosperidade nacional.
É preciso rapidamente que voltemos a buscar com ímpeto um avivamento com as características já descritas acima. Um avivamento que acorde espiritualmente o crente adormecido, chamando-o a responsabilidade (Gl 5.24,25). Um avivamento que desperte o cristão indolente, retirando-o da inércia e motivando-o a retornar às suas atividades (Rm 13.11). Um avivamento que revitalize as forças do cristão desalentado (Is 40.19). Um avivamento que estimule o cristão desmotivado para que prossiga sua caminhada espiritual (Pv 4.18; I Tm 4.15). Um avivamento que amplie a visão espiritual do cristão determinando aonde ele quer chegar (Pv 29.18).
Certamente que Deus é soberano e opera como e quando quer, entretanto se queremos um avivamento, Ele não o faz sem que nos debrucemos em oração e clamor. Em tempos de total apatia e inércia espiritual, avivamentos explodiram quando indivíduos ou grupos na coletividade começaram a orar.
As igrejas evangélicas no Brasil estão a ver uma falência espiritual. As igrejas tradicionais estão estacionadas, sem conseguir evangelizar, lutando contra o conservadorismo, o liberalismo teológico e o legalismo litúrgico. Os pentecostais estão marcados por uma moral seletiva, sua frágil teologia está minada pelo misticismo. Muitos de seus lideres estão transformados em “marajás da fé”, lutando apenas pelo poder eclesiástico sem a menor vocação para ser servo, todavia habilidosos em suas articulações.
Necessitamos de forma urgente de um avivamento de oração. Quando os líderes abandonarem seus títulos honoríficos e ralarem os joelhos em oração de quebrantamento, poderemos reacender a chama do avivamento (Jl 2.17). A falta de oração é o prelúdio de nossa falência espiritual. Não oramos, porque oração não dá dividendos a curto prazos, queremos resultados imediatos. Deixamos de orar, porque oração deve ser de portas fechadas e nós gostamos dos aplausos dos homens. Não queremos orar, porque isso representa perda de tempo, assim achamos que o sucesso é sinônimo de ativismo.
Sem oração produzimos movimento e ativismo, mas quando oramos produzimos avivamento! É tempo de avivamento!

Soli Deo Gloria!