quarta-feira, 18 de agosto de 2010

As qualificações bíblicas de um pastor

Adaptado por Pr. Sérgio Pereira
Em um tempo em que o titulo “pastor” está desgastado e surgem aqui e acolá os “apóstolos”, “patriarcas” e por aí vai, urgem olharmos para a Bíblia e vermos quais eram os títulos empregados para descrever o trabalho pastoral junto a Igreja do Senhor.
No Novo Testamento, homens com qualificações especiais reveladas pelo Senhor (I Tm 3.1-7; Tt 1.5-9) foram selecionados para supervisionar e cuidar dos seus irmãos. Estes homens foram chamados presbíteros ou bispos, e sua função era pastorear o rebanho de Deus (At 20.17,28; I Pe 5.1-3). Pelo seu exemplo e ensinamento, eles eram encarregados da responsabilidade de guiar o rebanho no serviço do Senhor (Hb 13.7,17).
Tais homens eram selecionados nas igrejas locais (At 14.23; Fp 1.1). Observe que nunca lemos no Novo Testamento sobre um só homem pastoreando uma igreja; havia sempre mais de um (At 20.17; Fp 1.1). O propósito de Deus não era dar alguma posição de poder a algum homem, mas colocar bons homens na posição de olhar por seus irmãos.
A Bíblia usa três palavras (em grego) para descrever os homens que cuidam do rebanho de Deus, a saber:

1. Presbíteros (algumas vezes traduzida como anciãos) são homens de maturidade espiritual e experiência.
2. Eles também são chamados bispos, mostrando que têm responsabilidade por supervisionar uma congregação. Esses homens tinham que supervisionar o rebanho onde estavam (1 Pe 5.2). Não há a mais leve sugestão de bispos nas igrejas primitivas tentando supervisionar ou comandar o trabalho de outras igrejas. Tais termos como igrejas matrizes, igrejas filiais, igrejas patrocinadoras e igrejas de missões são invenções humanas sem qualquer base bíblica. Quando pastores de uma igreja procuram supervisionar seus irmãos de outras congregações, eles estão indo além das instruções do Senhor. Ninguém, especialmente aqueles que guiam o povo de Deus, deve exceder o que Deus determinou (I Co 4:6; Cl 3.17). Isto não significa que um bispo de uma igreja local não possa ensinar irmãos em outros lugares. Pedro serviu como presbítero no tempo em que ele escreveu sua primeira carta (I Pe 5.1). Presbíteros, como qualquer outro cristão, podem ensinar qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer tempo. Mas os bispos não têm direito de pastorear mais do que o rebanho local no qual servem.
3. O termo pastor também descreve seu trabalho de alimentar, proteger e cuidar do rebanho de Deus.
No tempo da igreja primitiva, estas não eram três posições distintas, mas três palavras usadas para descrever os mesmos homens (At 20.17,28). O modelo bíblico é que cada igreja local tenha uma pluralidade de homens servindo deste modo para cuidar e guiar as ovelhas (At 14.:23; Fp 1.1; Tt 1.5). Leiamos as qualificações que o Espírito Santo revelou:
"É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo" (I Tm 3.1-7).
"...Alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem" (Tt 1.5-9).
Esses textos usam palavras fortes ("necessário" e "indispensável") para mostrar que um homem tem que possuir todas estas qualidades para servir como pastor. Não temos direito de escolher ou aceitar homens não qualificados como pastores.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Meu Artigo no Mensageiro da Paz de AGOSTO 2010


Uma vez mais o Jornal Mensageiro da Paz brinda-me com o privilégio de ter nele publicado um artigo de minha autoria. A edição nº 1503, Ano 80 de Agosto de 2010, traz na página 6 o artigo intitulado "Remanescentes e a Falsa Religiosidade".

Agradeço ao irmão Eduardo Araújo, um dos redatores do referido jornal e ao Pastor Silas Daniel, que é o editor-chefe.


Adquira o seu exemplar e prestigie-nos com a leitura do referido artigo!

Você confere o artigo clicando no link abaixo:
http://prsergiopereira.blogspot.com/2009/10/em-meio-falsa-religiosidade-ainda-ha.html

A Deus seja a glória!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Hupomonê, Uma Virtude Destemida

Hupomonê é uma das palavras mais nobres de todo o Novo Testamento. Normalmente vem traduzida por paciência ou perseverança, mas não temos em português uma palavra que transmita toda a plenitude do seu significado.
No grego clássico não é uma palavra muito comum; é usada desde resignação à labuta que sobreveio ao homem contra a sua vontade, de suportar o aguilhão do pesar, o choque da batalha e a chegada da morte. Tem uso muito interessante: é usada para a capacidade de uma planta de sobreviver em circunstâncias severas e desfavoráveis.
No grego posterior, na literatura judaica mais avançada, é especialmente comum; no livro apócrifo de IV Macabeus, por exemplo, é aquela qualidade de “poder de resistência espiritual” que capacitava os homens a morrerem por Deus ou em nome de Deus.
No Novo Testamento o substantivo hupomonê é usado trinta vezes, e o verbo correspondente hupomenein é usado no mesmo sentido por quinze vezes. Conforme dissemos, a tradução normal do substantivo é paciência, e do verbo, perseverar, mas quando examinarmos pormenorizadamente o seu uso, algumas verdades, que são inspirações começará a emergir.
(1) Hupomonê é muito comumente usada em conexão com tribulação. A tribulação produz perseverança (Rm 5.3). O cristão o deve recomendar-se “na muita paciência” e “nas aflições” (II Co 6.4). Os tessalonicenses são recomendados por sua “constância” e fé nas “tribulações e perseguições” (II Ts 1.4). O cristão deve ser perseverante (hupomenein) na “tribulação”. Tal uso é comum em Apocalipse, pois é caracteristicamente o livro do mártir (Ap 1.9; 3.10; 13.10).
(2) Hupomonê é usada em conexão com a fé. A provação da fé produz “perseverança” (Tg 1.3). É hupomonê que aperfeiçoa a fé.
(3) Hupomonê é usada em conexão com a esperança. A tribulação produz esperança (Rm 5.3). São a paciência e a consolação que produzem a esperança (Rm 15.4,5). É a firmeza da esperança dos tessalonicenses que é louvada (I Ts 1.3).
(4) Hupomonê está vinculada com alegria. A vida cristã é marcada por perseverança e longanimidade com alegria (Cl 1.11).
(5) Hupomonê em sua maior frequência tem conexão com algum alvo da glória, com alguma grandeza futura. As referências são muito numerosas para serem citadas por extenso (Lc 21.19; Rm 2.7; Hb 10.36; II Tm 2.10,12; Tg 1.12; 5.11).
Agora podemos perceber a essência e a característica desta grande virtude de hupomonê. Não é a paciência que se pode sentar e curvar a cabeça, deixando as coisas descendo contra ela e aguentar passivamente até a tempestade passar. Não é meramente passar por algumas coisas. É o espírito que pode suportar as coisas, não simplesmente com resignação, mas com a esperança fulgurante; não é o espírito que fica sentado num só lugar, esperando estaticamente, mas, sim, o espírito que suporta as coisas porque sabe que estas coisas o estão levando para um alvo de glória; não é a paciência que aguarda inflexivelmente o fim, mas a paciência que espera radiantemente a aurora. Tem sido chamada “uma constância masculina debaixo da provação”.
Já foi dito que ela sempre tem um pano de fundo de andreia, que é coragem. Crisóstomo chama hupomonê de “raiz de todo o bem, mãe da piedade, fruto que nunca murcha, fortaleza que nunca é tomada, porto que não conhece tempestades”. Chama-a de “rainha das virtudes, alicerce das ações corretas, paz na guerra, calma na tempestade, segurança nas conspirações”, e diz que nem a violência dos homens nem os poderes dos malignos podem lesá-la. É a qualidade que mantém o homem de pé enfrentando o vento, “não com resignação taciturna, mas com santa alegria; não apenas com a ausência de murmuração, mas com um cântico de louvor”.
Somente a hupomonê, a virtude destemida, pode capacitar o homem a agir dessa forma!

sábado, 10 de julho de 2010

OS NOVOS APÓSTOLOS E SEUS APELOS POLÍTICOS

OS NOVOS APÓSTOLOS E SEUS APELOS POLÍTICOS
João A. de Souza Filho
Pois meus amigos, estou inquieto, muito inquieto e até certo ponto desolado com os apelos que recebo pela Internet. O último apelo que recebi veio da parte de uma pessoa que se apresenta como “apóstola”. Eu a conheço faz tantos anos. É uma pessoa sincera, fiel, grande pregadora. Juntos viajamos, e juntos choramos tantas vezes diante de Deus, intercedendo a favor da igreja e da sociedade brasileira. Mas, ela foi separada para ser apóstola – e, consequentemente nos separamos. Ainda a admiro muitíssimo. Mas, creio que ela perdeu o foco da visão. Não somente ela, mas aqueles que se dizem apóstolos e profetas hoje no Brasil perderam o foco do propósito de Deus – ou conhecem e têm revelação de um foco espiritual e de um propósito divino que desconheço!
Ela apela para que nós os evangélicos nos unamos e votemos na candidata a Presidente Marina Silva. Marina Silva, indiscutivelmente é mulher de coragem e de caráter. Contaram-me que leu meu livro Ecologia à Luz da Bíblia que foi editado em 1992. Excelente mulher.
Mas, particularmente não concordo que os líderes da igreja brasileira fiquem atrelados a candidatos políticos, e que façam apelos para que se vote em algum deles em particular. Ora, basta que se divulgue o perfil educacional, político e religioso de cada um deles, e as pessoas decidirão sozinhas em quem votar.
Os pastores deveriam ficar engajados na obra de evangelização, da edificação do corpo de Cristo, na prática das boas obras e na intercessão contínua diante de Deus a favor da nação.
Por isso, a cada dia fico mais convicto de que a maioria dos chamados apóstolos são falsos – e não estou afirmando que não existam homens que sejam verdadeiros apóstolos. Os verdadeiros apóstolos demonstram seu ministério sem precisar ostentar o título. Isso acontece também com os demais dons ministeriais. Os verdadeiros pastores, mestres, profetas e evangelistas não precisam da ostentação do título para se apresentarem. Eles são o que são. Assim, existem hoje verdadeiros apóstolos, mas não esses que aí estão e ostentam títulos. Ninguém precisa de título para ser respeitado: A autoridade é espiritual e não pelo título ou posição eclesial.
Posso afirmar biblicamente que o falso sempre aparece antes do verdadeiro. Antes de Jesus aparecer, havia muitos que se denominavam Messias. Teudas apareceu no cenário israelita e era acatado “por todo o povo” (At 5.36). Conforme a história muitos surgiram em Israel afirmando serem o Cristo. O próprio Jesus falou sobre isso.
Aguardamos a chegada dos verdadeiros apóstolos, que não pensam em si mesmos, nem no seu reinado, fama, e no enriquecimento à custa do ministério. Jesus Cristo ainda continua sendo o modelo de apóstolo, e seus apóstolos são também modelos de apóstolos. Querer afirmar que vivemos noutra época não é desculpa para se deixar de viver a vida simples, de despojamento a favor do reino de Deus.
É por isso que continuo afirmando que os líderes que aí estão, fazendo política partidária, buscando seus próprios interesses e de seus feudos espirituais não fazem parte do rol dos verdadeiros apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres da Igreja. São falsos. À luz das Escrituras são falsos! Estão enganando a igreja e os escolhidos!
Por que afirmo isto? Porque os verdadeiros apóstolos devem ter algumas características que os assemelhem aos apóstolos da igreja primitiva. E os que andam por aí ostentando títulos de apóstolos sequer seriam indicados para servir as mesas, como os irmãos escolhidos em Atos 6.

Pense nisto!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Céu e o Inferno

Palestrei sobre esse tema há duas semanas para o grupo de adolescentes de minha igreja, sob a solicitação da liderança. A pedido deles estou postando o rascunho dessa palestra para apreciação dos leitores.

O Céu e o Inferno

Por Pastor Sérgio Pereira

Texto Base: Mt 25.31-34,41

Introdução
Quando ouvimos a palavra céu e inferno, acabamos por pensar inevitavelmente em lugares descritos na Palavra de Deus, contudo não sabemos ao certo o que vêm a serem esses lugares. Por não compreendermos não damos a devida importância que o assunto merece. Nosso propósito no presente estudo é analisarmos o que a Bíblia realmente ensina sobre o céu e o inferno.

1- AS TRADUÇÕES BÍBLICAS
Não podemos deixar de mencionar que as inúmeras versões em português das Bíblias trazem diversas palavras para tradução de inferno, sabemos sobre a adulteração dos textos Bíblicos fieis aos originais desde a antiguidade, por essa razão não vemos a verdade sendo ministrada nas novas versões da Bíblia para mantê-la menos agressiva a religiões pagas.
As palavras usadas nas Bíblias em português são: Sepultura; Além ; Morte; Inferno .
Todas essas palavras foram usadas na ocasião de tradução das palavras originais que significam o local de tormento, conhecido em nossa língua como “inferno”.

2- O CÉU OU OS CÉUS
O primeiro texto onde aparece a palavra “céu” é Gn 1.1 e aparece no plural, ou seja, “céus”. A palavra original em hebraico usada no livro de Gênesis por Moisés para descrever os céus foi “shamayim” , essa palavra em hebraico tem o plural na terminação “im”, portanto indica claramente que há mais de um céu. Os céus são: inferior, intermediário e superior.
Céu inferior ou “AURONOS”: esse céu é o local onde podemos claramente ver as nuvens, o ar atmosférico sendo o céu que envolve a terra e o ar, inclusive o azul celeste está aparente no céu “auronos”.
Céu intermediário ou “MESORANIOS”: já esse céu é o local imenso onde estão localizadas as estrelas e planetas, já não é azul, pois vemos que ao sair da atmosfera terrestre o espaço é escuro e preto, sendo um vácuo onde estão as estrelas. Conhecido por céu astronômico, onde estão os planetas.
Céu superior ou “EPORANIOS”: esse céu e chamado de o céu dos céus , o lugar onde está o Senhor e os santos, onde os anjos circulam.
2.1. O CÉU É PROMETIDO ÀQUELES QUE SÃO FIÉIS ÀS ORDENANÇAS DE DEUS:
a) “Na casa de meu Pai há muitas moradas." Jo 14.2
b) “Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono.” Is 66.1
2.2. O CÉU É:
a) Lugar eterno: II Co 5.1; Sl 45.6; 145.13.
b) Alto lugar: Is 57.15
c) Lugar de paz, sem fome, sem tristeza, dores e choro: Ap 7.16,17
2.3. FORAM LEVADOS PARA O CÉU EM VIDA:
a) Enoque: Hb 11.5
b) Elias: II Rs 2.11
c) Senhor Jesus que retornou: At 1:11.
2.4. FORAM ARREBATADOS E CONTEMPLARAM OS CÉUS:
a) Estevão: At 7:55,56
b) Paulo: II Co 12.1-4
c) João: Ap 1:10-18

3- O INFERNO
A palavra “inferno” aparece na Bíblia por 30 vezes, sendo apenas 10 vezes em todo o Velho Testamento e 20 vezes no Novo Testamento, porém não foi registrada a mesma palavra para inferno em todas as passagens.
Sobre o inferno C. S. Lewis uma vez escreveu: "Não há nenhuma doutrina que eu removeria de mais bom grado do cristianismo do que isto, se eu tivesse o poder. Mas essa doutrina tem o pleno apoio das Escrituras, e sobretudo das próprias palavras do nosso Senhor."
Lewis não está sozinho no seu temor da verdadeira idéia do inferno. É um assunto que pode causar um calafrio de horror em qualquer coração. Mas a verdade é que o inferno não é um acréscimo arbitrário. Ele é essencial ao céu e à própria existência de um Deus justo.

3.1. PURGATÓRIO: A INVENÇÃO CATÓLICA
Trata-se de uma invenção do catolicismo, criada pelo papa Gregório I, em 593. O Concílio de Florença, realizado em 1439 a aprovou e foi confirmada no Concílio de Trento, em 1563. Sua sustentação está no livro de II Macabeus 12.42-46 (livro apócrifo.) Não há na Bíblia textos que afirmam a existência do purgatório, na realidade, a Palavra de Deus mostra com clareza a existência de apenas dois destinos eternos, o Céu e o Inferno, que são selados com a morte.
Duas teorias semelhantes ao purgatório:
A- O Limbus Patrum: o vocábulo limbus significa borda, orla. A idéia é paralela ao purgatório e foi criada pelos católicos romanos para denotar um lugar na orla ou na borda do inferno, onde as almas dos antigos santos ficavam até a ressurreição. Ensina ainda essa igreja que o limbus patrum era aquela orla do inferno onde Cristo desceu após sua morte na cruz, para libertar os pais (santos do Antigo Testamento) do seu confinamento temporário e levá-los em triunfo para o céu. Identificam-no como sendo o “seio de Abraão” – Lc 16:23
B- O Limbus Infantus: a palavra infantus refere-se a crianças. Na doutrina católica, havia no Sheol-hades um lugar de habitação das almas das crianças que não foram batizadas. Segundo essa doutrina, nenhuma criança não batizada pode entrar no céu.

3.2. PALAVRAS ORIGINAIS TRADUZIDAS POR INFERNO OU SEMELHANTE
A palavra hebraica SHEOL
está traduzida para inferno nas seguintes passagens: Dt 32.22; Sl 18.5; 55.15; 86.13; 116.3; 139.8; Pv 5.5; 7.27; 9.18; 15.11-24; 23.14; 27.20; Is 5.14; 14.9-15; 28.15-18; 57.9
A palavra grega HADES está traduzida para inferno nessas passagens: Mt 11.23, 16.18; Lc 16.23; Ap 6.8; 20.13
A palavra GEHENNA está também traduzida para inferno nas seguintes passagens: Mt 5.22-29; 10.28; 18:9; 23.15-23; Mc 9.43; Lc 12.5; Tg 3.6
A palavra TARTAROO aparece somente uma vez na Bíblia e traduzida para inferno também em: II Pe 2.4
Agora a explicação dos significados dessas palavras acima para entender o lugar chamado inferno e os demais lugares, uma vez que embora sejam palavras traduzidas igualmente, não significam o mesmo e exato local, à exceção de SHEOL e HADES que são iguais porém em idiomas diferentes (Hebraico e Grego). Não houve na realidade falha do tradutor quando menciona inferno no lugar delas, pois cada uma das palavras originais tem um significado próprio e complexo na sua descrição, vamos então procurar defini-la todas.
SHEOL- Essa palavra usada no Antigo Testamento do idioma Hebraico expressou o local onde foram lançados os espíritos daqueles que se mantiveram infiéis ao Senhor Deus, sem arrependimento e sem Seu Divino perdão. Tal local é o conhecido INFERNO propriamente dito, um local onde a vida da pessoa (afinal cada não somos apenas carne mas sim espírito primeiramente), segue seu curso em tormento eterno e também a caminho da eterna separação do Criador no dia do Juízo.
- Nesse local está acesa a ira de Deus pois desprezaram Seu infinito amor Redentor – Dt 32.22

- Um local onde existe apenas a essência da vida não carnal, a alma de cada indivíduo não remido – Sl 86.13
- Um local onde o Senhor ainda vê os que ali estão e tem conhecimento do que se passa lá – Sl 139.8
- Um lugar que está abaixo dos céus – Pv 15.24
- Além de tudo é um local que nunca se farta de receber almas – Pv 27.20
HADES- Uma palavra de mesmo significado que a anterior, porém em outro idioma, o Grego agora, foi usada no Novo Testamento em várias situações.
GEHENNA – Esta palavra Grega tem sua derivação de duas palavras sendo “GE” que significa um abismo, e “HINNOM” significando então um local conhecido como o vale ou abismo de Hinnom, situado ao lado sul e leste de Jerusalém e no tempo do Antigo Testamento era o lugar onde sacrificavam crianças recém nascidas no fogo ao falso deus Moloque (II Rs 16.3; 21.6) e onde o ímpio rei Manassés queimou seus filhos (II Cr 33.6), esse lugar era de aflição morte e fogo, um local de tormento muito grande. Jeremias o chamou de Vale da Matança por causa dos cadáveres que em breve ali seriam amontoados pela arremetida babilônica (Jr 7.32; 19.6). Mais tarde foi chamado de “Geena” o lugar onde em Jerusalém jogavam e queimava o lixo, o depósito de lixo com mau cheiro, fumaça e odores de putrefação que se encontra fora das cidades. Jesus mencionou tratar-se do lugar onde o fogo não se apaga e o verme e bicho nunca morre (Mc 9.43-44). O vale tornou-se uma metáfora para morte, corrupção e incêndio.
TARTAROO- Foi usada apenas uma única vez no texto de II Pedro 2.4 um local de confinamento de anjos caídos (demônios), mas não todos eles, e sim apenas alguns deles. Mas essa palavra foi usada na mitologia pagã grega para definir onde os deuses eram punidos e foi usada no livro apócrifo de Enoque (2.20) para referir aos anjos caídos também.

3.3. O SHEOL-HADES ANTES E DEPOIS DO CALVÁRIO:
Antes do Calvário: o Sheol-Hades dividia-se em três partes distintas: (1) Lugar dos justos, chamado Paraíso, seio de Abraão, lugar de consolo (Lc 16:22,25; 23:43); (2) Lugar dos ímpios, denominado lugar de tormento (Lc 16:23); (3)A terceira fica entre a dos justos e a dos ímpios, e é identificada como lugar de trevas, lugar de prisões eternas, abismo (Lc 16:26; II Pe 2:4; Jd 6), nesta parte foi aprisionada uma classe de anjos caídos, a qual não vai sair desse abismo, senão, quando Deus permitir na Grande Tribulação – Ap 9:1-12
Depois do Calvário: houve uma mudança dentro do mundo das almas e espíritos dos mortos após o Calvário. Quando Cristo enfrentou a morte e a sepultura, e as venceu, efetuou uma mudança radical no Sheol-Hades (Ef 4:9-10; Ap 1:17,18). A parte do paraíso foi trasladada para o terceiro céu, na presença de Deus (II Co 12:2,4), separando-se completamente das “partes inferiores” onde continuam os ímpios mortos

3.4. O INFERNO É DESCRITO COMO:
a) Castigo eterno: Mt 25.46
b) Fogo eterno: Mt 25.41
c) Chamas eternas e Fogo devorado: Is 33.14
d) Fornalha acesa: Mt 13.41,42,49,50
e) Lago de fogo: Ap 20.15
f) Fogo e enxofre: Ap 14.9,10
g) Fogo que não apaga: Mt 3.12
h) Lugar de punição: II Pe 2.4
i) Lugar de tormento: Lc 16.23

3.5. JESUS E O SEU ENSINO SOBRE O INFERNO
Há várias razões para acreditar na existência do inferno, mas nenhuma tão convincente como a que Jesus mesmo disse. Das doze vezes que gehenna aparece no Novo Testamento, todas, exceto uma, vêm da boca do Senhor (Tg 3.6). É Jesus que em todo o Novo Testamento pinta a figura mais gráfica do julgamento dos condenados, advertindo aos seus ouvintes severamente de tal destino (Mt 5.2,29; 10.28; 23.15,33; Mc 9.45-48; Lc 12.5).
- Ele pinta o inferno como uma fornalha de fogo eterno e um processo interminável de corrupção (Mt 25.41; Mc 9.48)
- São trevas enchidas de um choro angustiante, um lugar de castigo eterno (Mt 8.12; 25.46).
Este fogo, estas trevas, devem ser subentendidos literalmente? Talvez não, pois o diabo e os seus anjos que não possuem corpos materiais deverão sofrer a mesma sorte. Mas não há qualquer consolo nisso. Linguagem figurada é usada quando palavras comuns falham. A realidade do inferno será muito pior do que as figuras sugerem. O inferno é o lugar onde Deus não está, e poucos de nós têm seriamente contemplado como seria a absoluta ausência de Deus.

3.5. O LAGO DE FOGO
A expressão Lago de Fogo aparece cinco vezes no Novo Testamento e todas elas em Apocalipse. (19.20; 20.14-15; 21.8). Então, conforme indicam as Escrituras, esse local será a morada ETERNA de todos que já morreram sem Cristo, pois lemos que a morte e o inferno serão jogados no Lago de Fogo (Ap 20.14).

O inferno, em última análise, não é algo que Deus tenha acrescentado ao destino dos incrédulos, mas sim a conseqüência natural das escolhas que eles têm feito. Há afinal somente duas espécies de pessoas: aquelas que dizem a Deus, faça-se a tua vontade, e aquelas a quem Deus diz, no final, faça-se a tua vontade. Todos os que irão para o inferno ali estarão porque escolheram contra a vontade e a misericórdia de Deus. E o que têm escolhido?
Eles têm escolhido afastar-se de Deus e de todas as suas qualidades. Isso significa que desde que Deus como Criador tem dado à vida o seu propósito e sentido, a vida no inferno será eternamente sem sentido e inútil. Será uma terra cinzenta e desesperada, destruída de esperança e sonhos.
E porque Deus é amor (I Jo 4.8), o inferno será um lugar onde não haverá amor. Nele estará a miséria empilhada de todo o ódio, malícia, inveja e ciúmes que jamais houve. Não haverá nenhuma compaixão, nenhuma meiguice, nenhuma atenção, nenhuma preocupação desinteressada por outros; somente o choro ininterrupto de egoísmo.
E porque Deus é luz (I Jo 1.5-6), o inferno será verdadeiramente um lugar de "trevas" ininterruptas e absolutas. Não trevas literais, físicas, mas as trevas da maldade, perversão e impiedade.

sábado, 8 de maio de 2010

CUIDADO COM AS CISTERNAS ROTAS

Por Pastor Sérgio Pereira

“Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas que não retêm as águas”. (Jr 2.13)

O profeta Jeremias viveu nos anos entre 627 e 587 a.C. Foi profeta durante quarenta anos, profetizando a Judá e as nações gentílicas. Jeremias nunca casou. Viveu no reinado de Josias, ocasião em que houve um avivamento, ainda que de pouca duração; no reinado de Zedequias, que apesar de gostar de ouvir o profeta, não colocava em prática o que ele falava; também do rei Jeoaquim que desprezava as suas palavras e inclusive tentou matá-lo. O povo de Judá estava afastando-se de Deus, este então enviou Jeremias para falar do perigo que estava incorrendo em não voltar para a fonte de águas, que é o próprio Deus. Por quarenta anos Jeremias denunciou o pecado do povo e os chamou ao arrependimento, sofrendo por isso severas privações. Foi lançado na prisão por duas vezes (Jr 37,38), foi levado forçadamente para o Egito (Jr 43), foi rejeitado por seus vizinhos (Jr 11.19-21), sua família (Jr 12.6), e pelos reis (Jr 36.23).
Cisterna, vem do hebraico “bor”: lugar cavado, poço. É um termo usado 67 vezes no Antigo Testamento, e a cisterna era um lugar onde era guardada água potável. A maioria dessas cisternas eram reservatórios cobertos, escavados na terra ou na rocha, para onde escorria o excesso das águas da chuva e guardadas para serem usadas no período da seca na Palestina que abrangia entre maio e setembro. Uma cisterna seca e abandonada podia ser usada como cárcere, conforme vemos com José e com Jeremias (Gn 37.22; Jr 38.6). Por sua vez, cisternas rotas eram cisternas rachadas, que não guardavam a água e não a mantinham limpa. Qualquer viajante que se aproxima de uma cisterna rota percebe que não há água potável. Apesar de todo trabalho dos que a escavaram, foi inútil, pois não há esperança nessa cisterna para os que a procuram.
O texto supracitado chama a nossa atenção para dois males que Judá estava cometendo: deixaram o manancial de águas vivas e cavaram cisternas rotas.

1- O POVO ABANDONOU O SENHOR, A FONTE DE ÁGUAS VIVAS – Jr 17.13
Deus é a fonte de água viva, nossa vida depende dele. Sem Deus você não vive. Deus é a fonte de vida abundante, Deus não é uma cisterna, mas uma fonte. Uma cisterna apenas armazena água, mas uma fonte produz água. A água corre da fonte. A fonte é inesgotável. A fonte tem água viva, água limpa, água cristalina, água que flui abundantemente. Isso é um símbolo da vida que Cristo nos oferece. Quem nele crer tem uma fonte a jorrar para a vida eterna. Quem nele crer nunca mais terá sede.
Judá abandonou o Manancial de águas vivas. Foi uma rejeição lenta, por dias sem fim. Um esquecimento despercebido, devagar, aos poucos: cedendo um pouco aqui, um pouco ali; não falando de Deus aos filhos conforme ordenava a lei mosaica; levando um cordeiro desqualificado para o sacrifício, realizando um ritual vazio, sem sentido espiritual, apenas na aparência; esqueceram das ofertas alçadas; esqueceram dos pobres e necessitados; perderam-se na prostituição. O pecado do povo é tão grave que até os céus ficam espantados e são tomados como testemunhas (Jr 2.12). É algo simplesmente inacreditável! Israel saiu da direção de Deus e procurou o Egito e a Assíria. Fez isso pensando que seria lucro, mas foi uma grande perda; pensaram que seria uma benção, mas receberam o castigo; pensaram que sairiam saciados mas ficaram mais sedentos (Jr 2.17-19).
Se Deus é o manancial das águas vivas, por que o seu povo o abandona? Muitas vezes, o povo tem se cansado de Deus. Tem sido atraído e seduzido pelo pecado, pelo mundo, pelas cisternas rotas.. Miquéias pergunta: “Povo meu, que te tenho feito? Por que te enfadaste de mim?” (Mq 6.3). O filho pródigo estava insatisfeito na casa do pai e foi para um país longínquo onde gastou tudo o que tinha vivendo dissolutamente. Após perder tudo percebeu que na casa do pai havia uma fonte inesgotável onde até os menos favorecidos tinham oportunidade para servir-se (Lc 15.11-32).

2- O POVO DE DEUS CAVOU CISTERNAS ROTAS QUE NÃO RETEM AS ÁGUAS
Ao invés de aproveitar os abundantes rios da Palestina, Israel estava cavando cisternas que não retinham as águas e cujas águas não eram saudáveis, causando varias doenças. A essa prática chamamos irracionalidade, loucura, autodestrutibilidade.
Por afastarem de Deus, eles cavaram cisternas rotas, quebradas, rachadas que além de não reterem as águas deixando vazar, eram cisternas em que a conservação da água ficava comprometida.
Eis o perigo de ser seduzido por algo artificial. Israel deixou o Senhor e se deixou ser seduzir por ídolos. Israel pensou: o nosso Deus é muito exigente. Queremos uma religião que nos custe menos, que nos dê mais liberdade, que não nos cobre tanto. Queremos ser livres como os outros povos para fazermos conforme a nossa própria vontade sem nos sentirmos feridos pela nossa consciência.
Cisternas rotas é a maneira humana de satisfazer suas necessidades espirituais. São Doutrinas segundo as suas próprias concupiscências capazes de amontoar mestres segundo seus próprios desejos e ambições. (II Tm 4.3). É a busca desenfreada por prazer nas coisas do mundo e um tipo do cristão que nunca guarda o que lhe é confiado (II Tm 1.14; Ap 3.11). É a aceitação do sincretismo religioso, que condensa um pouco de tudo, trazendo uma opção religiosa um pouco mais interessante. A teologia da prosperidade com suas inovações materialistas e cheias de “sementinhas” no seu bojo, nocauteando grandes lideranças que ficam assoberbadas com a garantia do dinheiro fácil.
Cisternas rotas falam da constante inversão de valores entre os cristãos pós modernos. O que era pecado, já não é mais. O que dantes prejudicava, agora parece fazer bem. Os cultos foram transformados em shows, os pregadores e cantores em estrelas pop stars, a adoração genuína em louvorsão ritmado com músicas frenéticas com letras carregadas de heresias e manipuladoras da grande massa. A igreja vira clube, o pastor que deveria ser profeta e denunciar essa inversão, pelo contrário, se deixar levar pela nova onda, pois percebe que dessa forma é mais fácil enriquecer em nome de uma fé operante totalmente distorcida daquela apresentada pelas sagradas escrituras. Os programas evangélicos de TV sob o pretexto de evangelizar, fazem grandes campanhas de sementes, num discurso que até parece ouvirmos os vendedores de indulgencias dos dias de Lutero. A oração que nos eleva até a presença do Altíssimo tem sido substituída por um determinismo condenável do tipo “eu determino”, “eu ordeno”, “eu exijo”, “eu reivindico”, como se fossemos nós a mandarmos nos desígnios do Eterno.
Ao preferir cisternas rotas, o povo alimenta-se de pó ao invés de beber da fonte. Quem troca o Senhor por outras fontes pode morrer de sede. Por causa da água que bebemos das cisternas, vivemos dias de completa insensatez, de extrema loucura. Negamos a veracidade de Deus e abandonamos o Senhor por completa ignorância das Escrituras (Os 4.6). Cavar cisternas rotas gera fadiga, exaustão, desilusão.

Até quando vamos ficar reivindicando cabritos para festejar, se desfrutamos da agradável companhia do pai? (Lc 15.29-31). Até quando vamos morrer de sede, se Cristo nos oferece água que jorra para a vida eterna? (Jo 4.10,13,14). Precisamos compreender que Deus é a fonte de águas vivas e somente Ele prove água capaz de transmitir vida (Is 55.1; Jo 4.10; 7.37-38). Precisamos entender que: O conteúdo vale mais que a aparência; a família vale mais que o serviço cristão; a igreja vale mais que os outros lugares; a Palavra de Deus vale mais que as experiências pessoais; e o Criador vale mais que a criatura.

Mensagem pregada pelo Pastor Sérgio Pereira no Culto de Edificação Espiritual na Assembleia de Deus do Distrito 8 – Shalom/Espinheiros, Joinville (SC), em 04/05/2010.

sábado, 24 de abril de 2010

Casa de Oração ou Antro de Assaltantes


Apesar da extensa mensagem, resolvi postar aqui por concordar com tudo o que Pr. Isaltino Coelho Filho escreveu aqui, apesar do autor ser um pastor batista, penso que seus escritos valem para qualquer denominação. Li, reli, sublinhei as partes mais importantes e por fim, esboçei parte deste pensamento e outros que me sobrevieram para pregar à liderança de minha igreja. Aos leitores desse blog, certamente que serão edificados pela palavra aqui apresentada. Boa leitura!


Casa de Oração ou Antro de Assaltantes?

Discurso paraninfal do Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho aos bacharelandos em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Campinas, em 7 de março de 2009


Eis o texto de Mateus 21.12-13, na Almeida Século 21: “Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali vendiam e compravam; e revirou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, fazeis dela um antro de assaltantes”. Não seguirei pelos vários usos deste texto em nosso meio. Analisá-lo-ei á luz do seu contexto. Jesus citou Jeremias, 7, onde o escopo é maior que a venda de bugigangas no templo, coisa, aliás, ainda em voga em nosso meio. Há seitas neopentecostais a vender bênçãos. É lhes raso vender quinquilharias.
Ao citar Jeremias, Jesus foi além do comércio no templo. Este era um dos aspectos da questão. O pano de fundo de Jeremias vivia-se no tempo de Jesus. E no nosso. Bem disse Durkheim: “A única lição que a história nos ensina é que não aprendemos nada das lições da história”. Por isso vejamos o assunto casa de oração x antro de assaltantes.
Casa de oração é a casa de Deus. Antro de assaltantes é o estado espiritual de uma sociedade e igreja doentes. Antro de assaltantes não é banditismo, mas abandono do propósito divino, e estabelecimento do nosso. É recusa da vontade de Deus, que é santa, e estabelecimento da nossa, que, mesmo cheia de boas intenções, é pecaminosa. Antro de assaltantes é o desvio que os homens fazem do propósito divino. Deus queria de um jeito e o povo de outro.

O primeiro sintoma da sociedade e da igreja antro de assaltantes é a confiança na instituição e o desprezo pela conversão. Deus dizia: “Endireitai os vossos caminhos e as vossas ações, e vos farei habitar neste lugar” (Jr 7.3). Era uma chamada à conversão. O povo respondia dizendo: “Este é o templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR” (V. 4). À chamada à conversão, o povo respondia com religiosidade supersticiosa. A instituição “templo” lhes era um sinal de que nada lhes aconteceria. Para que conversão? Tinham o templo, tinham religião, tinham a instituição.
O mesmo acontece hoje. Nossa sociedade é religiosa. E também usa a religião contra Deus e seu chamado à conversão. Vivemos numa época de politicamente correto, em que tudo é certo, e todo mundo deve ser acatado. Exigir conversão é ser fundamentalista. É ser radical e intolerante. Afinal, religião, todo mundo tem. E mesmo quem não tem é gente boa, é de Deus.
Deus pedia conversão e o povo respondia com a instituição. Como hoje. “Precisamos de mais instituições, mais escolas e mais área de lazer (a delinqüência juvenil, descobriu-se, é por falta de lazer dos jovens – então, mais lazer para eles)”. Estas coisas são boas, mas são paliativas, e não tocam no fundo da questão. O problema do ser humano, mais que econômico e recreacional, é espiritual. Não é epidérmico, mas vem de dentro. “O coração do homem é mau desde a sua meninice”, diz a Bíblia. Apregoa-se o discurso falido do Iluminismo, da bondade inata do homem, e pensa-se que se criarmos mais instituições, o mundo será melhor.
Quanta ingenuidade no noticiário midiático! Alguém foi ministrar aulas de capoeira numa favela carioca. Surgiram discursos elogiando isto como “resgate da cidadania dos jovens marginalizados pela sociedade”. Com capoeira? Este discurso me soa superficial. Ele não toca na questão fundamental.
Nosso problema não é institucional, é espiritual. Muitos pensadores cristãos facilitam este equívoco. Para eles, tudo tem explicação sociológica, nunca espiritual. Respondem a tudo e tudo interpretam por pensadores seculares, e não pelo evangelho. Pensadores são, mas não pensadores cristãos. Não sustentam a visão cristã. Sua cosmovisão é acristã, se não anticristã. É o triunfo da instituição, o nome que dou, nesta fala, à construção humana. É a recusa à conversão, que é a chamada de Deus.
Nossa editora oficial e a boa parte de nossas instituições (colégios, seminários e juntas) passam por crise financeira. Algumas faliram. Na mesma época que a JUERP (minha editora até o fim) entrou em crise, a CPAD também entrou. Esta se recuperou e é uma editora de peso, com livros de valor. Lembro-me de uma foto publicada em algum lugar (esqueci-me onde) de pastores assembleianos de joelhos, numa reunião da CPAD, na hora da crise. Eles resolveram com oração e a orientação divina que veio em resposta. Nós, quando entramos em crise, criamos um GT, uma comissão, alguma instituição. Sou batista do papo amarelo, mas vejo que nutrimos uma crença ingênua e quase idolátrica em nossas instituições. Fui para o seminário com 19 anos, e discutíamos reestruturação denominacional. Tenho 37 anos de ministério, e estamos discutindo reestruturação denominacional. Quando Jesus regressar, estaremos discutindo reestruturação denominacional. Não será que nossas instituições precisam de conversão, ao invés de mais mudança de nomenclatura e de forma? Por que não uma chamada ao jejum e à oração nacionais pela denominação batista, para Deus remover o que e quem está errado? Por que mais GTs?
Para ficar claro que não estou atacando minha denominação, que amo e na qual quero encerrar minha carreira: há muita igreja antiinstitucional que se tornou instituição, e passou a se valorizar mais que qualquer outra coisa. O fenômeno é mais amplo e atinge muita gente.

O segundo sintoma da sociedade e da igreja antro de assaltantes é a ênfase no culto, na liturgia, e não no caráter. Deus pedia conversão e ética no relacionamento social: a prática da justiça, não oprimir o estrangeiro, o órfão e a viúva, não derramar sangue inocente (vv. 5-6). A seqüência da conversão, falando como cristão, é mais que praticar fórmulas litúrgicas. É deixar que o caráter de Cristo se forme em nós, por obra do Espírito Santo. O povo respondia com sua religiosidade, inclusive o culto a Baal. Como temos cultos hoje! No bairro em que moro há quase cinqüenta igrejas evangélicas. Talvez haja mais igrejas que bares. Só batistas contei oito, num perímetro de cinco quilômetros. Mas que cultos são esses, que adoração é essa, que não produzem retidão nem impacto na sociedade? Muitos cultos são catarse pura. Outros são insanos. Pode-se levar a sério uma igreja cujo credo traga “sapateado de anjos”? Bem, sapateiem os anjos lá e sigamos cá. Uma das razões da destruição de Judá foi a injustiça social, ou seja, o abandono da ética. A adoração que não produz vida correta é mero alarido.
Tenho muitas dificuldades com a liturgia de nossas igrejas. Não agüento mais cantar corinhos ingênuos, de música pobre e de teologia manca. A imaginação é fértil, mas canhestra. Num culto desses, um dia desses, cantou-se um corinho em que as três primeiras sentenças gramaticais não tinham qualquer conexão entre si, cada uma tinha um sujeito diferente e cada uma abordava um tema diferente. Nada entendi. O que me deixou pior foi que as pessoas faziam cara de quem sentia dor, fechavam os olhos, com um ar sofrido, e se requebravam. Aflige-me ouvir, após cada corinho, um sermãozinho sem nexo algum. As coisas deviam ser bem definidas. Quem prega, que pregue, não cante. Quem canta, que cante, não pregue. É duro agüentar sermão de grupo de louvor. Nenhum pensante merece! Mas é moda. Ai do pastor que disser que a maior parte dos corinhos tem música pobre e letra capenga, sem sentido, e que se sustentam só pelo alto volume (barulho é coisa de quem não tem conteúdo) e pelo gestual! Como temos louvor, e como nos falta santidade! Como temos adoração, cultos, templos, e como falta integridade aos adoradores! É a filosofia do antro de assaltantes: mais importância ao culto e à liturgia que ao caráter. Ela mascara a ausência de santidade com ritualística.
Vocês enfrentarão esta mentalidade no ministério. Gente que quererá festa, mas não correção. Que quererá liberdade para fazer o que quer, sem restrição. Que quererá um culto para se soltar e não para aprender as verdades da Bíblia. Quererá adoração, mas não caráter. Muitas igrejas querem festa, mas Deus diz “Para que me trazeis tantos sacrifícios? Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais de engorda. Não me agrado do sangue de novilhos, de cordeiros e de bode” (Is 1.11). Ele diz que está farto de cultos! E o que deseja ele? “Lavai-vos e purificai-vos; tirai de diante de meus olhos as vossas obras más; parai de praticar o mal; aprendei a praticar o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1.16-17). Deus quer retidão. Não digo que a liturgia seja hipócrita, mas não aceito que vida cristã seja o que sucede num determinado dia da semana, conduzido por determinadas pessoas, num momento determinado, num lugar determinado, chamado culto. Isto é mais que confundir a casca com o miolo. É confundir o farelo com o pão. É guetizar a igreja.
Vocês não foram chamados para serem animadores de auditório, mas orientadores do povo de Deus. Não foram chamados para ganharem um concurso de popularidade, mas serem fiéis aos propósitos divinos exarados na Bíblia. Não permitam que o antro de assaltantes de uma sociedade festiva vaze para dentro da igreja e a contamine. Não sou contra o culto nem contra cânticos. Repito: Não sou contra o culto nem contra cânticos. Sou contra a bobagem, a superficialidade, a alegria fingida, a manipulação e a ênfase na liturgia mais que no caráter. Vivemos numa época de baixíssimo nível cultural. Hoje não há espaço para um Beethoven, mas para DJs. Não há espaço para um Monet, Picasso, um Di Cavalcanti, uma Tarsila, mas para pichadores, pois dizem que isto é arte. As pessoas não conhecem Machado de Assis, mas BBB. A mediocridade é chocante e invadiu a igreja. A pobreza musical e litúrgica de nossos cultos é desalentadora. Mas algo incomoda mais que a pobreza: o copismo nível cultural do mundo. A igreja não mais vanguardeia, mas copia. O antro de assaltantes de uma crença em que “o que vale é a intenção” entrou em nosso meio. Para Deus não vale a intenção. Vale o certo. Não ousarei definir o que é certo em liturgia, mas defino o que é errado. Tudo que é sensual, que apela aos sentidos físicos mais que ao espírito, que busca satisfazer os anseios ao invés de nos levar a alcançar a perspectiva de Deus para nos, é errado. Se não promove a santidade, mas satisfaz à necessidade de balanço, de meneios, de se soltar, deve ser repensado. Adoração não é catarse. É consciência do Sagrado e quebrantamento diante dele.

Por fim, antro de assaltantes é a confiança em si e em seus deuses. Judá não confiava em Iahweh, mas em Baal, no Egito, na Síria. Fazia seus deuses e se rendia a eles. Os contemporâneos de Jesus não criam nele, mas confiavam na sua visão pessoal. Disse Lutero: “Aquilo em que um homem confia isso é o seu deus”. A sociedade não quer Deus, o Deus Vivo e Verdadeiro, e faz os seus deuses. A igreja de hoje confia mais no poder humano que em Deus. Tem um Deus, mas crê em deuses que ela constrói. Certos planejamentos financeiros, certas abordagens, certas ênfases, certas posturas políticas, certos bastidores, me fazem crer que a crença no poder de Deus é secundária. Apoio a políticos sabidamente sem caráter e lançamento de evangélicos absolutamente despreparados à vida política, e a sofreguidão com que a igreja busca o poder material, seja financeiro ou político, me levam a perguntar: “Em quem cremos, afinal?”. E ainda: “O que queremos com o credo antro de assaltantes?”. Intrigou-me ver crentes brasileiros discutindo o evento Obama com um fervor quase religioso. A mídia falou de “obamania”. Talvez o correto seja “obamalatria”. Já vi este filme antes, com títulos diferentes: “lulatria”, “colloratria”, “tancredolatria”, “planocruzadolatria”. Todos deram errado. Porque toda confiança em homens, instituições e ideologias, além de idolatria, é frustração. Nossa teologia nos ensina a depravação da raça humana, a pecaminosidade total da raça. Mas esperamos socorro do produto da raça pecaminosa. Muitos dos problemas da igreja residem aqui: não levar a Queda a sério. Achar que é uma historiazinha engraçada, a fábula de uma serpente falante, sem considerar seu ensino. O homem tornou-se mau, corrompido e corruptor. O homem é um Midas às avessas. O que Midas tocava se transformava em ouro. O que o homem toca se torna em pecado. Por isso não creio na redenção via instituição. Por isso censuro a festa religiosa sem santidade, sem foco em Deus e com foco no homem. E por isso censuro a visão de que políticos e ideologias podem nos trazer o reino de Deus ou transformar o mundo. Não creio que pecadores inconversos podem nos salvar.
Não estou censurando a visão política. Estou censurando nossa expectativa em messias humanos, em salvadores terrenos. Tenho visto que os olhos da igreja se voltam para mais para a terra que para os céus. Como Nietzsche pediu em uma de suas obras. Aliás, já vi pastor dizer-se apaixonado por Nietzsche. Se o leu não o entendeu…
Deuses terrenos não são misericordiosos. Nada podem fazer, nada fazem, e cobram caro pela não ajuda. Quando aprenderemos o que é depender da graça, o que é confiar no poder de Deus, e esperar sua ação? Quando mostraremos que os valores do reino nos são mais importantes que as moedas dos cambistas? Quando valorizaremos mais a cruz que a mesa do cambista?

CONCLUSÃO
O que Jesus fez no antro de assaltantes? Derrubou as mesas, expulsou os cambistas e proclamou a santidade do templo. Eis o que espero que vocês façam:
1º) Não ponham instituições acima de Deus e dos valores do reino. Não desprezem a conversão, a santidade e a piedade. Não preguem adesão a um grupo social. Preguem conversão. Igreja é mais que instituição. É o corpo de Cristo. Amem-na, valorizem-na, dediquem-se a ela. Vivam para Deus e não para ideologias eclesiásticas.
2º.) Sejam pregadores da Palavra, homens e mulheres da Bíblia. Sejam condutores do povo de Deus, e não animadores de auditório. Evitem o estrelismo e fujam das estrelas do culto. Dobrar joelhos é mais importante que bater palmas. Culto é quebrantamento e não forró. Levem o povo de Deus a buscar seriedade espiritual e não a catarse.
3º) Dependam da graça de Deus. Não aceitem as insidiosas e sutis manifestações de idolatria eclesiástica contemporânea. Sejam “cristomaníacos” e não “qualqueroutracoisamaníacos”.
Derrubem as mesas da profanação do evangelho e afirmem a santidade de Deus!