quarta-feira, 27 de março de 2013

Não se Barganha Com um Deus Que Não Precisa de Você – D.A. Carson



Não se Barganha Com um Deus Que Não Precisa de Você – D.A. Carson 

“Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse.” (Atos 17.24-25)

Isso não é extraordinário? Deus não precisa de você. Ele certamente não precisa de mim. Ele não precisa de nossos grupos de louvor! Não é como se Deus chegasse à quinta-feira à tarde e comece a dizer: “Nossa, mal posso esperar até o domingo para eles arrasarem com as guitarras novamente! Estou me sentindo muito sozinho. Preciso de uma agitação aqui em cima.” Ele não precisa de nossa adoração. Ele não precisa de nosso dinheiro! Ele não precisa de nós! Não precisa de nada!
Na eternidade passada, antes que houvesse qualquer coisa, Deus era. E ele era inteiramente cheio de alegria e contentamento. E mesmo lá, ele já era um Deus de amor, pois, nas complexidades da unicidade de Deus, em categorias que veremos nesta série, o Pai amava o Filho! Chegarei a estas categorias. Havia uma alteridade dentro do próprio Deus! Ele não nos criou porque estava solitário e pensou: “Sabe, meu trabalho como Deus, seria um pouco mais palatável se eu fizesse um ou dois pra carregar minha imagem, que me bajulem de vez em quando.” Ele não precisa de nós.
Mas não me entenda mal. Isso não significa que ele não reage a nós. Que ele não se deleite em nós, que não se desagrade de nós. Não significa nada disso. Ele reage sim a nós. Mas ele reage não por causa de alguma necessidade intrínseca em seu próprio ser ou caráter. Mas ele responde a partir sua inteira volição de suas perfeições e vontade Não porque ele não prevê o futuro. Não porque ele deixou as coisas saírem do controle. Não porque abandonou sua soberania. Não porque ele não é soberano. Não porque ele tem um problema psicológico. Não porque ele precisa de alguma coisa. Mas por causa das perfeições de tudo o que ele é, características e atributos; ele responde sempre de acordo com seus atributos. O tempo todo. Ele nunca é menos que Deus.
Você consegue imaginar o quão difícil foi para Paulo conseguir apontar a cruz para um punhado de acadêmicos sofisticados cuja inteira noção de religião se baseava em “uma mão lava a outra”? E então, para ficar ainda mais complicado, Paulo adiciona outra linha: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.” Nós precisamos dele.
Isso também vem de Gênesis 1, 2 e 3. Vida, fôlego e tudo mais. Quando o Senhor Jesus estava vivo no início do primeiro século, ele ensinou que nenhum pardal cai do céu sem a autorização de Deus. Até mesmo os cabelos de sua cabeça são contados. Isso significa, em meu caso, que Deus está fazendo uma contagem muito rápida. E ele conhece todos. Até os que desaparecem. E toda vez que respiro, é com sua autorização. Paulo nos lembra. Precisamos dele para a vida, a respiração e tudo mais. Para comida. Para saúde. Eu sou uma criatura completamente dependente. Não sou o Criador.
Agora, como você terá um relacionamento com um Deus assim? Ele não é apenas um vovô molenga, e não é distante. Ele é tão soberano quanto os deístas querem, mas é muito mais pessoal. E ele não tem nenhuma necessidade. Você não tem nada para barganhar. De fato, a única razão pela qual você ainda está vivo é por causa de sua permissão. Semana passada, um de meus amigos que leciona em um seminário em Dallas, um bom homem, professor de Novo Testamento. Já escreveu livros importantes. Tem três filhos. Um é missionário na Sibéria, um é missionário na Rússia, e o outro é missionário no Afeganistão. Tinha saído para se exercitar. Chegou em casa, deitou-se e morreu. Não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. Se seu coração continua batendo, é porque Deus permite. Se ele alguma vez disser: “Tolo, esta noite te pedirão sua alma,” você morre. Ou se ele disser: “Venha para casa, meu filho. Agora é a hora. Seu trabalho terminou,” você vai.
Como barganhar com um Deus assim? “Deus, eu… eu te dou 10%!” Ele é seu dono! Ele é dono da sua vida! Ele é dono do planeta inteiro! O que isso significa? “Senhor, vou me tornar missionário. Isso fará de mim uma pessoa melhor?” “Vou me tornar diácono na igreja.” Não, não. Há apenas uma maneira de ter um relacionamento com esse tipo de Deus. Se ele demonstrar graça soberana. Porque ele não deve nada a você. Você e eu somos rebeldes. E não temos nada para barganhar.

Por Don Carson. Copyright The Gospel Coalition, Inc. Original: The God Who is There: Part 3. The God Who Writes His Own Agreements
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. Editora Fiel © Todos os direitos reservados. Original: Não se barganha com um Deus que não precisa de você – D.A. Carson [O Deus Presente 3/14]

terça-feira, 19 de março de 2013

Mensagem "Toalha, Bacia e Água" - Jo 13.4-8,14-17


Assistam essa mensagem que preguei no Templo Central da Assembleia de Deus em Florianópolis (SC) no dia 02 de Fevereiro de 2013.

A Tentação do Imediatismo


Somos uma geração ansiosa por resultados imediatos. Temos sido definidos como a geração “fast-food”. Ninguém quer perder tempo, afinal, tempo é dinheiro. Por isto temos dificuldade em esperar, queremos respostas rápidas e soluções ligeiras. Com facilidade, quando expostos a tentações encontramos enorme dificuldade para resistir, fomos ensinados a atender os desejos imediatamente. Vivemos uma espécie de tirania e absolutização dos desejos.

Até na nossa espiritualidade temos pressa. Queremos a benção sem pagar o preço. Somos atraídos a movimentos que prometem muito e exigem pouco, onde as coisas parecem acontecer de forma urgente. Vive-se uma atração irresistível em busca de gurus que possam “controlar o céu” e nos dar o que precisamos. Somos corroídos pela necessidade de satisfação imediata dos desejos.

Ninguém quer considerar o processo da espiritualidade. Jesus teve que passar pela cruz e pelas tentações insidiosas do maligno antes de ser glorificado. Considere as lutas de pessoas realmente santas: Horas de devoção, busca incessante, rendição, entrega, noites passadas em claro em busca de graça, verdadeiras batalhas na intercessão. Muitos hoje vivem em busca de lideres que prometem soluções imediatas com preço mínimo, e ao voltarem para casa descobrem que as lutas são vencidas diariamente e com perseverança, e não de forma mágica. Afinal, não existe almoço grátis!

Por causa de nosso imediatismo, sacrificamos consciência em resposta ao ganho fácil, aceitamos propinas em troca de conforto imediato, não queremos atrasar uma gratificação espiritual em troca de uma proposta que nos dê alivio no agora. Votos espirituais são sacrificados pelos simples desejo de satisfação imediata. Por causa desta atitude, e pela pressão do urgente, tomamos decisões sem avaliar as implicações. Fazemos pela urgência ou pela “opção mais fácil”, e em geral pagamos um preço muito caro. São pessoas que não conseguem resistir às compras, e entulham sua casa de sapatos desnecessários, roupas novas no guarda roupa já lotado, apesar do cartão de crédito estar estourado… Não conseguem resistir ao charme da mulher bonita, ainda que tenham que sacrificar sua fé, suas convicções morais e sua família. Gente que se entrega ao imediatismo sem avaliar as conseqüências que tais atitudes poderão trazer para sua vida familiar, moral e espiritual.

São pessoas que não conseguem esperar o tempo de Deus e assumem posições comprometedoras para sua vida, tornando-se espiritualmente desautorizadas. É o imediatismo destruidor que se esquece que a vida tem processos e é bom aguardar estes processos de Deus.

A Bíblia afirma peremptoriamente: "Peca quem é precipitado”, e ainda: “fazer sem refletir é loucura”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PALESTRA EBO LAGES (SC) - FORMANDO DISCÍPULOS NO MODELO DE JESUS

No último dia 23/11 tive o privilégio de ministrar na Escola Bíblica de Obreiros da Assembleia de Deus em Lages (SC), cuja igreja está sob a liderança do Pr. Elias Werlich. A liderança daquela brilhante igreja esteve reunida e pude ministrar sob o tema "Formando Discípulos no Modelo de Jesus".
O esboço das duas aulas ali ministradas eu transcrevo abaixo para a apreciação dos meus seguidores e meus leitores.

FORMANDO DISCÍPULOS NO MODELO DE JESUS

 Pr. Sérgio Pereira[1]

Texto Base: Mt 28.19,20; Mc 3.14

Introdução: Precisamos partir do modelo apresentado por Jesus (embora não seja o primeiro modelo apresentado na Bíblia) que é o mestre dos mestres. Jesus teve um ministério onde ensinou multidões, mas concentrou a sua mensagem nos seus discípulos, formando a base para a continuidade do seu ministério a partir do discipulado. Sendo esta a principal ordem dada aos seus discípulos antes da sua ascensão (Mt 28.18-20; Mc 3.14).

1- O QUE É UM DISCÍPULO?

A-  A palavra “discípulo” (grego “mathêtês”) aparece por 269 vezes nos Evangelhos e em Atos. Significa “pessoa treinada, ensinada, aluno, aprendiz”.

B-   Um discípulo é alguém que crê em tudo o que Cristo disse e faz tudo o Cristo manda

C-   Um discípulo é alguém que aprende, vive o que aprende e o comunica a outros.

D-  Um discípulo é alguém que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu Mestre com a finalidade de ensinar a outros.

E-   Não basta sermos seguidores, precisamos ser discípulos!

F-   Todo discípulo é um crente, mas nem todo crente é um discípulo.

1.     O crente espera pães e peixes; o discípulo é um pescador.

2.    O crente luta por crescer; o discípulo luta para reproduzir-se.

3.    O crente depende dos afagos de seu pastor; o discípulo está determinado a servir a Deus.

4.    O crente gosta de elogios; o discípulo do sacrifício vivo.

5.    O crente entrega parte de suas finanças; o discípulo entrega toda a sua vida.

6.    O crente cai facilmente na rotina; o discípulo é um revolucionário.

7.    O crente precisa ser sempre estimulado; o discípulo procura estimular os outros.

8.    O crente espera que alguém lhe diga o que fazer; o discípulo é solícito em assumir responsabilidades.

9.    O crente reclama e murmura; o discípulo obedece e nega-se a si mesmo.

10. O crente é condicionado pelas circunstâncias; o discípulo as aproveita para exercer a sua fé.

11.  O crente exige que os outros o visitem; o discípulo visita.

12. O crente busca na palavra promessas para a sua vida; o discípulo busca vida para receber as promessas da Palavra.

13. O crente pensa em si mesmo; o discípulo pensa nos outros.

14. O crente pertence a uma instituição; o discípulo é uma instituição em si mesmo.

15. O crente vale porque soma; o discípulo vale porque multiplica.

16. Os crentes foram transformados pelo mundo; os discípulos transformaram, transformam e transformarão o mundo.

17. Os crentes esperam milagres; os discípulos os fazem acontecer

18. Os crentes se destacam construindo templos; os discípulos se fazem para conquistar o mundo.

19. O crente sonha com a igreja ideal; o discípulo se entrega para fazer uma igreja real.

20.A meta do crente é ir para o Céu; a meta do discípulo é ganhar almas para povoar o Céu.

21. O crente necessita de festas para estar alegre; o discípulo vive em festa porque é alegre.

22.O crente espera um avivamento; O discípulo é parte dele.

23.O crente agoniza sem nunca morrer; o discípulo morre para dar vida a outros.

24.O crente longe de sua congregação lamenta por não estar em seu ambiente; o discípulo cria um ambiente para formar uma congregação.

25.Ao crente se promete uma almofada; ao discípulo se entrega uma cruz.

26.O crente cai nas ciladas do Diabo; o discípulo as supera e não se deixa confundir.

27.O crente responde talvez... o discípulo responde eis-me aqui.

28.O crente preocupa-se só em pregar o evangelho; o discípulo prega e faz outros discípulos.

29.O crente espera recompensa para dar; o discípulo é recompensado porque dá.

30.O crente espera que o mundo melhore; o discípulo sabe que não é deste mundo e espera o encontro com seu Senhor.

2- ENTENDENDO E ATENDENDO A CHAMADA DE JESUS PARA FAZERMOS DISCÍPULOS (Mc 1.14-20).

A-  A estratégia usada por Jesus e como ele considerava as oportunidades que tinha. A estratégia inicial de Jesus foi bem específica: "...pregando o Evangelho de Deus" (vs.14).

B-   O conteúdo da sua mensagem procurava destacar a importância que Deus dá ao homem enviando-lhe o seu reino: "o tempo esta cumprido, e é chegado o reino de Deus" (vs.15).

C-   Jesus Chama para o Arrependimento e a Fé (vs. 15). Não há caminhada cristã sem esse primeiro passo da parte do homem. Não há nem mesmo cristianismo.

D-  Jesus Chama para uma Vida de Serviço (vs.17). A chamada ao discipulado tem dois lados. O primeiro é a chamada para seguir a Jesus, ser um discípulo fiel e leal ao Mestre. O outro lado é para cumprirmos a missão que ele tem designado para cada um de nós. Jesus chama o homem primeiro para ser seu seguidor, fazer sua vontade e viver seus valores.

E-   Jesus Chama, não só pela Capacidade, mas também pela Disponibilidade (vs. 18). A resposta à convocação de Jesus foi imediata. Os homens simples do povo são chamados por causa desta disponibilidade para o serviço. Disponibilidade não é ociosidade; é, antes um estado de prontidão, de disposição para o serviço. Os primeiros não olharam para as redes e ficaram com pena de deixar a sua profissão e seguir a Jesus, para se tornarem seus discípulos.

3- COMO JESUS FAZIA DISCÍPULOS? UMA ANÁLISE DO SISTEMA DE DISCIPULADO DE JESUS

A-  O método de Jesus baseava-se muito mais no relacionamento do que na absorção de conhecimento acadêmico ou intelectual

a.    Mc 3.14 – “estar com Jesus” seria a marca do treinamento desses homens, veja At 4.13

b.    Deste momento em diante ficava claro que o ensino de Jesus seria o da convivência pessoal

B-   A proposta de Jesus era para além da vivencia relacional (Mc 3.8)

C-   Jesus fazia-os descobrir as propostas do Reino de Deus através das parábolas por Ele ensinadas (Mt 13.1-52)

D-  Jesus levava-os a conhecê-lo numa intimidade jamais demonstrada diante das multidões

a.    Sua transfiguração (Mt 17.1-8)

b.    Seu sono durante uma tempestade (Mc 4.38)

c.    Seu estado de fadiga e fome junto ao poço de Jacó (Jo 4.6-8)

E-   Jesus os levava a uma prática ministerial

a.    Eles confrontaram-se com demônios (Mt 17.14-21)

b.    Foram confrontados com a oração (Mt 26.36-46)

c.    A confrontação para a restauração de Pedro (Jo 21.15-23)

F-   Jesus valoriza o individuo pela alma não pelo bolso. Para Ele não há “peixe grande ou peixe pequeno”

a.    Zaqueu (Lc 19.1-9)

b.    A mulher samaritana (Jo 4.7-29)

c.    Nicodemos (Jo 3.1-21)

G-  As expectativas de Jesus quanto ao ministério diferenciavam-no de seus discípulos  (Mc 10.32-45)

a.    Jesus esta caminhando cheio de coragem, mas seus discípulos estão atemorizados (vs. 32)

b.    Jesus caminha em direção à cruz, seus discípulos ambicionam a glória (vs. 33-38)

                                        1.    Para Jesus o caminho da glória passa pela cruz, s discípulos queriam a glória sem a cruz.

c.    Jesus exerce sua autoridade para servir, os discípulos ambicionam poder para dominar (vs. 37-41)

                                        1.    Houve uma crise entre eles por causa de poder (vs. 41)

                                        2.    Uma vez mais se discutiu sobre quem era o maior (Mc 9.33-35)

4- ANÁLISE DE ALGUNS EPISÓDIOS SOBRE O MODELO DE DISCIPULADO DE JESUS

A-  Lições da pesca maravilhosa (Lc 5.1-11).  Neste acontecimento da grande captura de peixes, Jesus demonstrou os métodos para os ganhadores de almas.

a.    Um pescador de homens deve ir onde as pessoas estão (vs. 4a).

b.    Um pescador de homens deve usar o equipamento correto (vs. 4b).

c.    Um pescador de homens deve obedecer a Cristo e a sua Palavra (vs.5b).

d.    Um pescador de homens deve reconhecer suas próprias inadequações (vs.8).

e.    Um pescador de homens deve dar o seu testemunho em primeiro lugar (vs.11).

B-   A Parábola da Ovelha Perdida e Suas Lições (Lc 15.4-7). O tratamento do pastor da parábola é o que temos por referencial:

a.    Ele valoriza a ovelha perdida. O pastor poderia ter se contentado com as noventa e nove que estavam seguras e desistido da ovelha peralta que rebeldemente desgarrou-se. Mas o pastor não desistiu de buscar a ovelha, ainda que fosse uma ovelha rebelde.

b.    Ele procura pela ovelha perdida. O pastor saiu em busca da ovelha perdida.

c.    Ele desce aos mais profundos abismos para buscar a ovelha perdida. O pastor correu riscos para encontrar a ovelha perdida.

d.    Ele toma nos braços e leva para o aprisco a ovelha perdida. Ele não sente nojo da ovelha que caiu no abismo, mas desce os despenhadeiros mais perigosos para arrancar das entranhas da morte a ovelha que se perdeu e encontra-a, toma-a amorosamente nos braços e a leva para o aprisco.

e.    Ele corre riscos pela ovelha, se identifica com ela. Ao coloca-la sobre os ombros, toda a sujeira e sangue que estão na ovelha, vem para as vestes do pastor, mas ele não está preocupado com sua reputação.

f.    Ele celebra com alegria a volta da ovelha desgarrada. A Bíblia diz que há festa no céu por um pecador que se arrepende. Os anjos exultam de alegria ao verem uma ovelha sendo resgatada das garras da morte.

BIBLIOGRAFIA
ARANGUREN, Luis. Discipulado Transformador. LifeWay. São Paulo, 2002
BONHOEFFER, Dietrich. Apostila Discipulado.
BUENO, Luiz Augusto Corrêa. Apostila: O Discipulado na Missão da Igreja.
KORNFIELD, David. Série Grupos de Discipulado, Vol. 1. Editora Sepal. São Paulo, 1994.
KUIPER, R. B. El Cuerpo Glorioso de Cristo. Grand Rpids, T.E.L.L. 1985.
LOPES, Hernandes Dias. Artigo: Em Busca da Centésima Ovelha, disponível in: www.ipbvit.org.br/boletim/1413.pdf. Acesso em 19/04/2011.
MOORE, Waylon. Multiplicación de Discípulos. Casa Bautista de Publiciones. El Paso, 1981.
PEREIRA, José Maurício. Artigo: O Discipulado Determinado Por Jesus. Publicado no Jornal Aleluia 347, de novembro de 2009.
RICHARDS, Lawrence O. Teologia do Ministério Pessoal. Edições Vida Nova. São Paulo, 1980.
SITTEMA, John. Coração de Pastor. Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2004.


[1] Pastor Sérgio Pereira. Membro da CGADB (34536) e da CIADESCP (1246). Bacharel em Teologia, Especializado em Teologia Prática, professor, conferencista e pregador. Autor de algumas matérias dos cursos em teologia oferecidos pela FAEST – Mafra (SC). Pastor Setorial do Setor 5 –Tapera em Florianópolis (SC).
E-mail: prsergiopereira@gmail.com / Blog: http://prsergiopereira.blogspot.com / TWITTER: @pr_srgio
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

AOS SANTOS EM CRISTO JESUS

Aos Santos em Cristo Jesus
 
Por Jaime Marcelino
"Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (Fp 1: 1, 2)
Dirijo-me a todos os evangélicos leitores deste site, desejoso de que a saudação contida no texto acima encontre guarida nos seus corações. No entanto, é necessário que reflitamos no referido texto, crendo que nosso Senhor Jesus Cristo nos dará compreensão e a experiência da graça e da paz!
Ora, Paulo, o real autor da carta aos filipenses, no momento que a escreveu estava preso e acorrentado a soldados especiais, que eram os da guarda pretoriana! Mas, apesar disso, vemo-lo cheio de contentamento, a ponto de desejar aos seus irmãos, que estavam livres ou fora da cadeia, o que ele e Timóteo experimentavam abundantemente - "graça e paz"! Ora, qual é o segredo de tal experiência?
1. Paulo e Timóteo eram conscientes do privilégio que é ser escravo de Cristo Jesus. Vejo isso pelo fato de eles terem se apresentado como "servos de Cristo Jesus". Ora, isso é da máxima importância, uma vez que eles dois se rendiam, não a homem algum, mas à vontade dAquele que, dos céus, domina sobre tudo (cf. Fp 2). Por essa razão, Paulo não considerava a sua prisão como proveniente de César, o imperador, pois disse: "as minhas cadeias em Cristo" (Fp 1:). Também, Paulo pode dizer que seu viver era Cristo (Fp 1: 21); sua fortaleza era Cristo (Fp 4: 13); sua alegria estava em Cristo (Fp 4: 10); e, seu morrer era lucro, por ser Cristo seu tudo! Oh! Que grande privilégio é servir a Cristo Jesus! E nisso está a abundante graça!
2. Como "servos de Cristo Jesus", quer presos quer soltos, Paulo e Timóteo alegremente serviam aos que seu Senhor conquistou para Si, a saber, "todos os santos em Cristo Jesus". Muito se poderia escrever sobre isso, mas uma das maiores provas da amorosa disposição de Paulo para servir a seus irmãos pode ser vista quando ele se encontrou num santo dilema. Ei-lo: Depois de ter afirmado: "Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro", e mais: "estar com Cristo [...] é incomparavelmente melhor", Paulo declarou cheio de amor: "Mas, por vossa causa. É mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé" (Fp 1: 21-26). Em outras palavras, mesmo esmagado pelos dois desejos, preferiu servir aos irmãos, deixando de querer o que seria incomparavelmente melhor, para ele. Afinal, seu amor por Cristo o levava a servir "os santos em Cristo Jesus", para que, disse ele: "aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco" (v. 26). E quanto a Timóteo, o que pode ser dito? Basta que tomemos as doces palavras de Paulo acerca de Timóteo, e isso será o bastante para demonstrar quanto ele servia a Cristo servindo os santos em Cristo Jesus: "Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai. Este, com efeito, é quem espero enviar, tão logo tenha eu visto a minha situação" (Fp 2: 20-23).
Oh! Quanta "graça" havia nesses dois servos de Cristo Jesus! E quanto eles, na medida em que serviam os santos em Cristo Jesus, gozavam "paz"!
3. Paulo e Timóteo criam ser também "santos em Cristo Jesus". Antes de serem servos de Cristo Jesus, eles foram "chamados para [ser] santos" no sentido de "separados para dedicação ou devoção a Deus"; mas, sobretudo, foram feitos santos no maravilhoso aspecto da sua nova natureza. Daí, o uso que Paulo fez da expressão "em Cristo Jesus", para definir e qualificar o vocábulo "santos". Neles, pois, habitava o Espírito Santo, o regenerador e santificador do povo de Deus. O Espírito que fora enviado em nome do Pai e do Filho, a fim de glorificar o Filho. Por isso, Paulo e Timóteo criam que, sendo Jesus "santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus" (Hb 7: 26), e que tendo "oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados [...] aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10: 12, 14). Por esta razão, Paulo e Timóteo, sendo "santos em Cristo Jesus", procuravam "ser achados em Cristo Jesus" para mais e mais "alcançar" o alvo para o qual foram conquistados por Cristo Jesus, a saber, a perfeição em Cristo Jesus. Em outras palavras, eles se esforçavam para experimentar o que disse o apóstolo Pedro: "antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe3: 18).
Espero que tenham percebido como "exagerei" no uso da expressão "Cristo Jesus". Por que o fiz? Porque devemos estar certos de que nossa maior necessidade é ter a Cristo Jesus como nosso tudo! E se quisermos ver esta atitude em Paulo, basta que observemos que ele usou o Nome do Senhor Jesus, nos dois versículos do nosso texto, três vezes!
Assim, caro leitor, se você já crê no glorioso evangelho de Deus, com respeito ao Seu Filho, Jesus Cristo, lembre duas coisas: Primeiro, a graça do Senhor Jesus lhe foi abundante, pelo que você nasceu de novo, tendo sido feito um dos "santos em Cristo Jesus". Segundo, lembre que é vital que a graça do Senhor Jesus continue operando para que os "santos em Cristo Jesus" vivam a vida cristã de modo a glorificar a Deus em Cristo Jesus. E é somente pela operação da graça de Deus em Cristo Jesus, que é Seu favor beneficiando os santos em Cristo Jesus, que eles servirão a Cristo Jesus, servirão aos demais no Senhor Jesus. E assim, "a Paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus"!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A “Síndrome do Carro Novo”

Por falta de tempo devido ao acumulo do trabalho pastoral, tenho tido dificuldade para escrever e atualizar esse blog. Por isso hoje quero postar um artigo de autoria de outro pastor. Sempre lembrando que posto aquilo que concordo e que gostaria de ter escrito. Leia e comente.


A “Síndrome do Carro Novo”


Confesso que ri muito quando folheava uma revista destinada à Escola Dominical, editada por uma séria e conceituada editora evangélica. Seu autor, Pastor Elinaldo Renovato, muito sabiamente se referia aos novos costumes eclesiásticos surgidos principalmente em favor da Teologia da Prosperidade e da confissão positiva e dei de cara com esse nome de síndrome. Como todos sabem a síndrome não é doença, mas, um estado de funcionamento alterado onde várias alterações físicas e psicológicas surgem em decorrência dela. Seu aparecimento se nota em alterações para mais ou para menos, dependendo do caso. Certo é que, ela nunca deixa o corpo sem alguma seqüela e algumas, infelizmente, são irreversíveis.
O autor da lição compara os novos costumes a uma síndrome chamada de “do carro novo” lembrando o episódio de Uzá e da Arca, em II Samuel 6.1-3. Os sacerdotes sabiam que a Arca deveria ser transportada em seus ombros, segura pelas varas, mas, a vontade de inovar e a falta de observação às prescrições dadas por Deus no tempo da peregrinação no deserto fizeram com que alguém que não era sacerdote pusesse as suas mãos nela, resultando assim em sua morte. Uma coisa trágica que poderia ser evitada se as prescrições divinas fossem observadas.
Quando paro para pensar nos “carros novos” que os cristãos têm construído para carregar as coisas sagradas que Deus tem ordenado à sua igreja, fico deveras preocupado. A graça de Deus, uma coisa tão simples de ser entendida, tem sido transformada em algo esotérico, somente conferida aos grandes iniciados. Rituais restauracionistas são incluídos nas liturgias das igrejas. Tocam shofar (aquele berrante de chifre de carneiro, só presta para fazer barulho), fazem festas judaicas, vivem falando “shalom” (existe uma palavra em português que transmite toda a plenitude dessa, que é em hebraico: paz. Simples, não é?). Vestem os thalit (xales de oração) As determinações e decretos tomam o lugar da vontade divina, o que vale é a confissão positiva. Os rituais passam a ter valor sacramental. Correntes de “tantos dias” para quebra de maldições hereditárias (crente tem isso?). As bandeiras de Israel estão nos altares, nos carros e o judeu é tido como um filho predileto de Deus, apesar de sua incredulidade e de estarem planejando a reconstrução do templo de Jerusalém. A graça é liberada aos dizimistas fiéis e os demais estão “roubando a Deus” e sendo amaldiçoados. Pastores se intitulam apóstolos e ficam em lideranças máximas de comunidades, contrariando as Escrituras Sagradas e o chamado Didaché, documento do século II que prevê que o apóstolo que aparecer nas igrejas e nelas permanecer mais de dois dias, deve ser reputado como falso.
A graça de Deus é algo que nos livra das maldições do pecado. Paulo fala o tempo todo em suas cartas sobre ela. Nada de misterioso ou ritualístico. Dogmático sim: a graça de Deus anula o pecado de uma vez por todas e fim de papo! Igreja que constrói carro novo para carregar algo que deve ser levado nos ombros está em franca rota de colisão com a Palavra. Os ministros que assim permitem causarão a morte de muitos Uzás. Quantos ainda terão de morrer até que a Arca seja devolvida aos ombros dos sacerdotes? A Palavra da salvação é do púlpito, não de rituais proscritos e louvores inconsistentes. Se a Bíblia deixar de ser lida, pregada em sua simplicidade e enfeitada com achismos e exterioridades perigaremos ter um Evangelho maculado e de cêpa humana. Não sou eu, mas, Paulo é quem diz:"Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema".
Algumas pessoas me perguntam:”Pastor, o senhor não é um pouco radical com seus pontos de vista em relação às músicas, costumes e práticas das igrejas? Eu respondo que não. Sou bíblico e não admito que se inventem coisas para “dar uma ajudazinha” à Palavra Revelada que se basta a si própria. Não abro mão disto.
Que a Igreja assuma o seu papel de carregar nos ombros o Concerto de Deus com ela e que os “carros novos”, por mais bonitos que sejam, sejam banidos em nome de Jesus para que o verdadeiro Evangelho da Graça encontre o seu lugar devido.

Autor: Pastor Gilmar de Araújo Duarte, Ministro de Educação Cristã da Primeira Igreja Batista em Brás de Pina, Rio de Janeiro, RJ.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

FRUSTRAÇÃO PASTORAL

Tenho o costume de postar aqui artigos na maioria de minha autoria. Quando isso não acontece, posto artigos cujo teor são mensagens que após serem por mim lidas, geram em minha mente o seguinte pensamento: "eu gostaria de ter escrito isso". Por essa razão publico neste modesto blog o presente artigo de autoria do Iminente Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho.


FRUSTRAÇÃO PASTORAL

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 1 de julho de 2012

Num retiro de pastores, um colega me indagou qual a minha frustração pastoral após quatro décadas como pastor. Respondi que era ter que preparar mamadeiras para crianças que nunca cresceram espiritualmente. A maior parte do tempo e das emoções de um pastor (e da igreja) é gasta cuidando de gente que não amadurece.
Um colega disse que em sua igreja ele precisa telefonar para todos os membros ou visitá-los durante a semana, senão eles não vão à igreja, por que “não foram tratados como merecem”. Em uma igreja, um crente se escondia atrás de uma coluna e no dia seguinte telefonava para saber se o pastor sentira sua falta. Igreja é hospital, recebe doentes, mas é lugar de cura. Há doentes que se recusam à cura. Querem afagos. O Espírito Santo não produz doença, e sim saúde. Mas as igrejas estão cheias de doentes emocionais. Um diácono, líder de visitação numa igreja, falou-me de um irmão que mudara de denominação porque na nova tratavam-no como se fosse a primeira vez que lá chegara. Este não entendeu o evangelho!
Há igrejas que falam muito de cura. Nesta semana ouvi pela tevê um pregador repreender (?) câncer, reumatismo, tumores e todas as doenças. E as doenças espirituais? Nunca vi alguém repreender a infantilidade, melindres e criancice emocional. Quando eu era criança, havia a figura do garoto que era “pereba”, como a gente dizia (ruim de bola), mas era o dono da bola. Até pênalti ele batia. E perdia! Se não, levava a bola para casa. Em criança, vá lá. Em adulto pega mal!
Parte do tempo para treinar pessoas para o serviço cristão se perde com bebês espirituais. Muito de nossas emoções se gasta afagando criancinhas em Cristo. Poderíamos investi-las na busca de pessoas para Cristo.
O alvo de Deus para nós é chegarmos “ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não sejamos mais inconstantes como crianças…” (Ef 4.13-14). Devemos ser crianças na malícia, mas adultos no entendimento (1Co 14.20). Crianças espirituais impedem a marcha da igreja de Jesus. São clientes e não soldados engajados na luta!
Graças a Deus que a igreja não se compõe só de deficientes espirituais. Há adultos espirituais, confiáveis, “pau pra toda a obra”. Em Monte Dourado, o irmão Sales, meu hospedeiro para os cursos de treinamento da COBAP, falava-me de alguns irmãos da igreja e dizia: ”São gente com que se pode contar a qualquer hora. Se a igreja precisar deles às 3 da manhã eles estarão lá”. Cá na Central também os há!
Frustram-me crianças espirituais que demandam cuidados para darem um mínimo de resposta à igreja. Mas realizo-me com tantos adultos, “pau pra toda a obra”. Deus tenha misericórdia das crianças. Que elas tenham juízo e cresçam. Deus seja louvado pelos maduros. Que eles nunca desanimem!

FONTE: http://www.isaltino.com.br/