quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fim de Ano: Tempo de Gratidão



Fim de Ano: Tempo de Gratidão


Por Pr. Sérgio Pereira

Disse como muita propriedade certo escritor que agradecer faz bem ao coração. É terapia funcional que alivia as tensões da alma e alegra o rosto. A gratidão faz parte da vida do servo de Deus. Gratidão é voltar os olhos ao passado e com esperança direcionar os olhos para o futuro. A gratidão enobrece o individuo engrandecendo-o.
Ações de graças são um aspecto do louvor a Deus, e representam uma oferta feita a ele. No Velho Testamento, ações de graças freqüentemente são citadas em relação à adoração musical (Ne 12.46; Sl 69.30; 100:4; etc.). Sob o Novo Testamento, louvamos a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão em nossos corações (Cl 3.16; Ef 5.19-20). Na antiga aliança, ações de graças são mencionadas várias vezes quando se fala das ofertas e dos sacrifícios feitos pelo povo judeu (II Cr 33.16; Sl 107.22; Jr 33.11). Na aliança de Cristo, mostramos a gratidão em nossos sacrifícios e ofertas (II Co 9.11-12). Pensando dessa forma ajudará o nosso louvor. Ao invés de oferecer adoração egoísta, do estilo e da maneira que nos agrada, louvaremos ao Senhor da maneira que ele pede. Bandas de rock ou hinos acompanhados por instrumentos musicais podem agradar ao homem, mas o Senhor, na Nova Aliança, pediu louvor que vem do coração, oferecido com a voz e os lábios do adorador que serve em espírito e em verdade (Jo 4.24; I Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Hb 13.15). Quando louvamos a Deus para mostrar a nossa gratidão, vamos levantar as nossas vozes em adoração sincera. Vamos cantar louvores a Deus porque ele merece a honra. Pensemos no significado de cada palavra que cantamos, porque queremos adorar em espírito e em verdade.
A gratidão ou ações de graças trazem como resultado coisas maiores do que as recebidas até o momento, o senso de dependência de Deus e por fim, o senso de comunhão e união.
Assim quero ao final de mais um ano expressar minha gratidão a Deus.
Sou grato por minha família, que ao término de mais um ano está feliz, unida, entrelaçada com laços de fraternidade, cumplicidade e amizade.
Sou grato pelas provações, lutas e adversidades que enfrentei durante este ano. Elas me amadureceram, me aperfeiçoaram e me ensinaram a ser melhor do que eu era.
Sou grato pelas mudanças bruscas que enfrentei. Elas serviram para direcionar minha vida dentro do propósito e do plano já estabelecido por Deus e que era por mim desconhecido até então.
Sou grato pelos amigos que conquistei, por aqueles que mantive e por aqueles que se revelaram não serem meus amigos como eu pensava. Em tudo isso, aprendi que apesar das pedradas, devo continuar cultivando relacionamentos e apostando na amizade, pois esse é o desejo do Senhor.
Sou grato a Deus pela igreja que pastoreio. Junto a eles tenho aprendido a doar-me sem precedentes, a entregar-me sem qualquer resquícios de mesquinhez, a viver em comunidade, a partilhar o pão, a chorar com os que choram e a alegrar-se com quem se alegra.
Sou grato a Deus pelo ano que está chegando. Haverá conquistas, mas sei que antes delas, virão vales, adversidades,lágrimas que nos prepararão para recebermos o que Deus já tem preparado para nós.
Por tudo isso, obrigado Senhor!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ele Viu, Veio e Venceu



Ele Viu, Veio e Venceu


Norbert Lieth


Os que vieram antes de Jesus podiam apenas dizer como uma pessoa deveria ser. Jesus, porém, mostrou isso em Seu próprio corpo. Ele não apenas indicou o ideal, como os outros fizeram, mas Ele próprio foi o ideal e o viveu diante de nossos olhos. (O. Hallesby, em “Como Me Tornei Cristão)

Ele viu
Nas primeiras páginas da Bíblia lemos que Deus, depois de criar tudo, olhou para a criação e concluiu: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia” (Gn 1.31). O homem, nesse momento, vivia em perfeita harmonia com o seu Criador e com a criação. Mas então o pecado se interpôs, o ser humano perdeu a comunhão com Deus e a criação inteira foi afetada pela queda. A maldade começou a se alastrar: “viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração” (Gn 6.5). Deus enviou o dilúvio e salvou unicamente a Noé e sua família. Mas o pecado sobreviveu dentro da arca, e não demorou muito para que os homens se rebelassem novamente contra Deus. Construíram a torre de Babel, e Deus teve de intervir para acabar com o orgulho ilimitado da humanidade. Assim, os homens foram dispersos por todo o globo terrestre e Deus confundiu sua linguagem. Mais tarde, Deus escolheu Abraão, e depois dele seu filho Isaque e seu neto Jacó. Deus o fez por uma razão bem específica: queria enviar um Salvador, vindo da descendência de Abraão, para resgatar a humanidade da miséria de seu pecado. Para tanto, Deus deu a Abraão a promessa de que através dele e de sua descendência toda a humanidade seria abençoada: “...em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Essa foi uma clara indicação da vinda de Jesus para salvar o mundo, pois Ele veio da linhagem de Abraão através de Isaque e Jacó, que é Israel. Pensando nesse fato, Jesus disse que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). Cristo estava querendo dizer que a salvação para o mundo vem dos judeus porque Ele, como homem, descendia do povo judeu e trouxe a salvação ao mundo inteiro.
Quando Abraão se dispôs a sacrificar seu filho, Deus interferiu e não permitiu que o menino fosse morto. Mas no lugar do sacrifício de Isaque o próprio Deus, um dia, nos concederia um sacrifício de Si próprio trazendo a salvação para o mundo todo. Por esse motivo Abraão declarou profeticamente em relação a esse fato tão significativo no Plano de Salvação: “E pôs Abraão por nome àquele lugar – O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá” (Gn 22.14). Com grande probabilidade, esse lugar onde Abraão queria sacrificar seu filho Isaque fica na cadeia montanhosa de Moriá, no monte Gólgota, onde Jesus Cristo morreu pelos pecados do mundo aproximadamente 2.000 anos depois. Deus havia eleito esse lugar, e lá Jesus quis se sacrificar por nós.

Ele veio
Ele veio como bebê, dependendo dos outros para Seus cuidados. Como criança, já começou a ser perseguido e teve de fugir.
O amor de Deus pelos homens foi maior do que a rejeição destes a Deus. Jesus veio à terra não para reinar como Rei, mas como servo, para nos salvar. Ele nasceu como bebê indefeso em condições de pobreza. Tornou-se servo por sofrer pessoalmente muito mais do que qualquer outra pessoa. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
O que significou o Natal para Deus? Em primeiro lugar, Deus separou-se de Seu Filho. O que essa separação deve ter representado para Ele? Jesus abriu mão de Sua glória no céu, que era um inimaginável reino de luz, pureza e beleza e onde incontáveis multidões de anjos O serviam, para vir à terra, dominada pelo pecado, pela impureza e pelo poder das trevas. Ele, que é a própria vida e que existe desde a eternidade, veio a um mundo onde reina a morte. Ninguém consegue imaginar e compreender esse contraste. Jesus não veio como rei, mesmo sendo Rei. Ele veio como bebê, dependendo dos outros para Seus cuidados. Como criança, já começou a ser perseguido e teve de fugir. Jesus não cresceu na riqueza, pois tinha de trabalhar pelo Seu sustento. Muitas vezes não foi compreendido pela Sua família e pelos Seus amigos. Os religiosos de Israel O rejeitavam e perseguiam. Foi chamado de comilão e bebedor de vinho e, no final da Sua vida, foi traído e negado. Seus melhores amigos O abandonaram.
Cristo foi condenado como malfeitor e humilhado, mesmo tendo feito apenas o bem em toda a Sua vida. Mas a maior dor de Jesus foi ter sido abandonado pelo Pai quando estava dependurado na cruz, porque se fez pecado por nós. Jesus veio ao mundo com o propósito de morrer em nosso lugar, para que pudéssemos viver. Jesus veio para que nós pudéssemos chegar ao Pai.

Ele venceu
Jesus não veio apenas para morrer. Ele veio para vencer. Através de Sua morte e ressurreição Ele venceu o pecado, a morte e o Diabo. Não existe destino que Ele não tenha derrotado, nem desesperança ou medo, escuridão ou perdição que Ele não tenha sobrepujado triunfalmente. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.55-57). Esse é o sentido do Natal! Sem Sua morte e ressurreição não haveria festa de Natal. Por Jesus ser Deus, Ele não podia permanecer morto. O Pai O ressuscitou, Jesus retornou para a glória do Pai e voltará como Soberano sobre todo o mundo.
O Natal é para você apenas uma festa sentimental, com velas, música e presentes? Será que o Natal não significa mais do que um bebê que não sai da manjedoura a vida toda? Está na hora de oferecer um presente a Jesus, um presente que Ele merece há muito tempo: você mesmo! Entregue sua vida a Ele!



(Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br/)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quando os Valores São Invertidos




Quando os Valores São Invertidos



Por Pr. Sérgio Pereira [1]

Um dos assuntos mais comentados e pregados nos dias atuais tem sido a perda dos valores morais, éticos e espirituais. Nossa sociedade permissiva, pregoeira do relativismo moral, de fundamentos filosóficos contraditórios com a palavra de Deus, o resultado não poderia ser diferente: a rejeição ou inversão dos valores absolutos.
Valores são níveis de preferências pelas coisas, objetos, sentimentos, conhecimento, ou comportamentos. Eles geram algum tipo de conduta, ou seja, servem de parâmetro para a ação das pessoas diante das muitas circunstâncias da vida. Os valores sociais são aqueles que fazem parte do acervo existente em nossa cultura; são os nossos costumes, nossas atitudes, nossas preferências, vistos no contexto social, ou aqueles que elegemos, individualmente, como importantes para nossas vidas. Como cristãos não podemos dissociar nossa vida social da vida e dos valores espirituais. Nossa vida social (que se expressa por meio de nossa vida física e humana no trabalho, na escola, na igreja, na festinha, etc) não pode desligar-se do contexto espiritual sem que neguemos a fé.
Parece que que nos dias de Isaias já havia quem fizesse tais inversões. O profeta Isaías denunciou a atitude daqueles que fazem das trevas luz e da luz trevas; do amargo doce e do doce amargo (Is 5.20). Os que postulam essa inversão de valores estão debaixo de um “ai” de maldição. A corrupção e a decadência dos valores morais tornaram-se tão gritantes que os homens não apenas se distanciaram da verdade, mas tornaram a verdade em mentira e a mentira em verdade. Senão observe o texto: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo" (Is 5.18-25; I Pe 1.15).
Hoje o que temos visto é a igreja e também os crentes nos seus particulares trocar o melhor de Deus, as coisas mais importantes que são promessas na Palavra de Deus, por coisas que não tem nenhum valor. Estão trocando a Palavra de Deus (Bíblia) por livros de conhecimento humano de Deus, que não podem edificar a vida de ninguém e introduzem heresias nas igrejas e também na vida dos crentes. (Ec 12.11-13; II Pe 1.16-21; Sl 119.105). Estão buscando sabedoria deste mundo, enquanto deveriam buscar sabedoria do Alto. (Tg 3.17; I Rs 3.1-14; Pv 1.7). Estão trocando a comunhão com o Espírito Santo, os ensinamentos vindos pelo Espírito Santo por sabedoria humana, coisas aprendidas em faculdades que nada pode acrescentar para a salvação do homem (Gl 1.6-12; I Co 2.1-5; Jo 14.15-26; I Co 2.13; Is 29.13). Estão trocando as coisas do alto por coisas terrenas, ou seja, estão trocando a fé no invisível pelo que é visível. (Cl 3.1, 2; Mt 6.25-33; II Co 4.16-18).
Como consequência da inversão de valores o mundo está dentro da igreja, na verdade a igreja não foi construída para ficar de porta aberta para o mundo entrar nela, mas sim porta aberta para ela sair e invadir o mundo. O mundo está dentro das igrejas através de suas musicas, suas doutrinas, seus lazeres, diante deste quadro não vemos diferença entre a igreja e o mundo. Martinho Lutero diz: "Não é a Igreja que deve determinar o que deve ser ensinado das Escrituras, mas são as Escrituras que determinam o que deve ser ensinado na Igreja".
Geralmente se ouve que as pessoas se perguntam se vale à pena ser honesto. A profecia de Rui Barbosa se cumpriu: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Mas receio que a questão seja um pouco pior: as pessoas já não se perguntam se a honestidade vale à pena, mas sim se a honestidade é possível.

CAUSAS DA INVERSÃO DOS VALORES

Ascensão do relativismo moral. Relativismo é a teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Ela parte do pressuposto de que todo ponto de vista é válido. Essa filosofia afirma ainda que todas as posições morais, todos sistemas religiosos, todos movimentos políticos, etc., são verdades que são relativas ao indivíduo. É uma teoria filosófica baseada na relatividade do conhecimento, da cultura e na moral; nada é absoluto. Assim, tudo é variável, tudo depende da situação e na sociedade vigente. Segundo tais ensinos, o bem pode ser considerado “bem” em uma sociedade, em outro lugar, não. Declaram que a moral é algo relativo. Assim, a noção de certo e errado não existe; tudo é relativo. Em consequência, segundo o relativismo, um pode julgar ser pecado uma atitude e outro não. Entretanto, diante da Palavra de Deus, tudo é esclarecido, pois ela é a nossa norma de conduta: “Bem aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14.22). A sociedade pós moderna tem sofrido as conseqüências da adoção dessa teoria filosófica. Assim, temos presenciado o que tem ocorrido na sociedade americana. Muitos estudantes têm matado colegas e professores. Podemos perceber que não são casos isolados, porque em lugares diferentes têm acontecido tais fatos. Por quê? Porque houve o descuido de transmitirem-se verdades fundamentais, tais como Deus, o respeito à vida. E o ensino sobre o pecado e seus efeitos? Não é mencionado. Graças a Deus que tem havido mobilização para o retorno do ensino cristão às escolas. Há necessidade de que os jovens tenham princípios fortes, para nortear sua conduta. Não se pode ficar à mercê do relativismo. Este não serve de guia, não dá certeza de nada, nem segurança. Quem segue o relativismo, não sabe que rumo tomar. Não tem a base para tomar uma corajosa decisão. Estamos vivenciando uma época de relativismo moral com a rejeição de Deus e dos valores cristãos. A verdade absoluta particular está sendo paulatinamente abandonada, a sociedade ergue a bandeira do pluralismo e evita a ideia que há realmente o certo e o errado.
Manifestação Social do Pluralismo. O pluralismo se traduz num maior número de opções disponíveis na sociedade, em todos os aspectos. É no supermercado, na livraria, no vestuário, na arquitetura etc. Pode-se definir pluralização com a frase “viva como achar melhor”, o que tem muitas semelhanças com a antiga Grécia e Roma, só com a diferença de que este “ecumenismo” não tem centro e deu origem a várias cosmovisões. Surgiu um sem número de “fés” que competem entre si, com pouco, ou quase nada em comum.
Crescente mundanismo. O sagrado e o religioso curvando-se ante o profano e o secular. A igreja sendo contaminada por práticas condenadas por Deus. Aberrações litúrgicas tomando o lugar do sagrado culto ao Senhor. Não se faz distinção entre o que é santo e o que é profano. Vivemos numa época de sacralização do profano e de profanação do sagrado. Nunca antes esses elementos estiveram tão misturados como nos tempos pós modernos. Desde há tempos, tenho me preocupado com tudo o que temos colocado no sacro ambiente aqui entre nós. Tenho visto comportamentos dos mais variados no ambiente evangélico pentecostal, comportamentos exibicionistas, egocentristas, o chamado antropocentrismo. Em muitas passagens bíblicas, verificamos a preocupação de Deus com a santidade de seu povo pareada com a preocupação de sua degeneração moral e espiritual (Ez 44.23; Zc 1.14). Esta preocupação tem base no fato de ter o mundo um senhor que se opõe ao Criador, o qual, ainda que muito menor em poder, é entretanto, maior que o homem. Devido a este quadro ameaçador para todo aquele que quiser adorar a Deus, lembrando que o deus deste mundo não conhece a misericórdia, é que o Senhor se apresenta nas Escrituras, como sendo o nosso refúgio e fortaleza para resistir e enfrentar o maligno desmanchando os seus laços. Esta batalha é antiga: quando o homem foi criado Satanás já havia se rebelado contra Deus e desde então ficaram delineados o santo (o que pertence ao Senhor) e o profano ou mundano (o que pertence ao deus deste mundo).
Subversão espiritual. Isso pode ocorrer com pessoas na igreja que, além de imaturas, são carnais, que se deixam levar por novas idéias, princípios e atitudes sem respaldo bíblico. Elas promovem confusão doutrinária, renegam a fé recebida, e forjam outras doutrinas fora dos princípios básicos da doutrina cristã defendidos na Bíblia Sagrada. Além disso, em nome de uma falsa revelação espiritual, contrariando toda a revelação bíblica, distorcem a verdade de acordo com suas conveniências pessoais e desvirtuam o texto bíblico de várias maneiras, para adaptá-lo ao seu modo de crer; aos seus conceitos pessoais (2 Tm 2.18; 3.7,8).

COMO REAGIR A INVERSÃO DE VALORES
Listo alguns princípios fundamentais:
Ø Denuncie o pecado e rompa definitivamente com ele
Ø Viva os valores do Reino de Deus. Não transija com os valores absolutos da Palavra de Deus. Não venda sua consciência. A verdadeira mensagem do evangelho não se conforma com os discursos politicamente corretos, nem tampouco com mensagens extraídas com boa exegese e hermenêutica, mas conforma-se aos elevados padrões da santidade divina (Mt 5.20,48; I Tm 3.15;6.11).
Ø Devemos desprezar e aborrecer aquilo que é mau, amar aquilo que é justo (I Jo 2.15-17) e não ceder aos vários tipos de mundanismo que rodeiam a igreja, tais como cobiça, egoísmo, oportunismo, conceitos humanistas, artifícios políticos visando ao poder, inveja, ódio, vingança, impureza, linguagem imunda, diversões ímpias, vestes imodestas e provocantes, imoralidade, drogas, bebidas alcoólicas e companhias mundanas.
Ø Devemos conformar nossa mente à maneira de Deus pensar (1 Co 2.16; Fp 2.5), mediante a leitura da Palavra de Deus e sua meditação (Sl 119.11,148; Jo 8.31,32; 15.7). Devemos permitir que nossos planos, alvos e aspirações sejam determinados pelas verdades celestiais e eternas e não por este presente século mau, profano e passageiro.

Diferentemente dos seculares, os valores de Deus são: (1) absolutos: Deus é soberano, por conseguinte, seus princípios e preceitos também os são (Rm 11.34-36). O homem pode até rejeitá-los, mas a conseqüência será sua própria ruína (Dt 12.28; Gl 6.7,8); (2) imutáveis: Deus não muda (Ml 3.6; Hb 13.8), por isso, seus preceitos e princípios jamais mudarão, de eternidade a eternidade permanece a palavra de Deus (Sl 119.89; Mc13.31); e (3 ) universais: Deus é único, em toda parte, apenas Ele é Deus (Dt 6.4; II Sm 7.22; Is 45.21; 46.9; I Co 8.4), portanto, seus preceitos e princípios não estão restritos a um determinado país ou região (Mt 28.18-20).
Nós, os cristãos, a fim de dar o exemplo, devemos viver, não de acordo com os preceitos e princípios humanistas, mas com a vontade de Deus que é absoluta, imutável e universal.

[1] Sérgio Pereira é Pastor na AD em Florianópolis (SC), onde atua como Pastor Setorial no Setor 5- Tapera, ministro filiado a CGADB e CIADESCP. Bacharel em Teologia, especializado em Bíblia, professor, conferencista e escritor

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

As Lições da Cruz

As Lições da Cruz









Por Pr. Sérgio Pereira[1]

Não há nada mais emocionante do que contemplar a cruz e o sacrifício que nela foi consumado para a redenção da humanidade. Foi na cruz que Deus abriu os olhos de nossos corações, nos fazendo perceber por meio de sua fronte, seus pés perfurados pelos cravos, seu sofrimento e amor, vertendo, descendo, fluindo misturados. Não há momento na vida de uma pessoa que seja mais sagrado e mais santo do que esse momento em que somos transportados até a cruz porque é lá que aconteceu o momento mais importante da história.
A cruz representa a libertação de todo o jugo do pecado. Abre-nos a porta da comunhão e da reconciliação com Deus através do perfeito sacrifício de Cristo. Da cruz brotam sofrimento e amor, descem, fluem até nós.
Jesus foi crucificado por volta das nove horas da manhã e permaneceu na cruz até as três horas da tarde, sendo que, do meio-dia às três horas, houve trevas sobre a face da terra (Mc 15.25,33). Jesus falou sete vezes durante essas seis horas terríveis e assustadoras: (1) “Pai, perdoa-lhes” (Lc 23.34); (2) “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43); (3) “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19.25-27); (4) “Por que me desamparaste” (Mt 27.46); (5) “Tenho sede” (Jo 19.28); (6) “Está consumado” (Jo 19.30); (7) “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).
É importante lembrar que não foram os milagres que Jesus realizou que nos salvaram, mas sim, a sua morte na cruz. Toda pessoa que busca a Deus precisa passar pela cruz. A cruz é um símbolo central e importante do cristianismo. Envergonhar-se dela é envergonhar-se do próprio Evangelho.
Na cruz Jesus suportou sofrimentos físicos terríveis: (1) seu Semblante ficou desfigurado (Is 53.2). Não havia beleza Nele, nem aparência, nem formosura. Nossa feiúra moral estava sobre Ele. (2) sofreu torturas cruéis (Is 53.4,5,10). A Bíblia diz que Ele foi ferido. Ferimentos de acordo com a definição de um cirurgião podem ser classificados por suas características:
Ø Contusão: uma ferida causada por um instrumento grosso e cego. Era resultado de um golpe com vara (Mq 5.1; Mt 26.67; Jo 18.22)
Ø Laceração: ferimento produzido por um instrumento que rasga, sendo resultado dos açoites que tinham se tornado uma fina arte entre os romanos. O chicote romano era uma tira de couro com varias extremidades, cada uma com uma ponteira de metal. O corpo de Jesus foi todo lacerado, rasgado.
Ø Penetração: ferimento profundo causado por um instrumento pontiagudo. Em Jesus causado pela coroa de espinhos na cabeça (Mt 27.30; Jo 19.2)
Ø Perfuração: do latim “passar através de”. As mãos e os pés de Jesus foram traspassados, os cravos eram cravados entre os ossos para não quebrá-los
Ø Incisão: corte produzido por um instrumento pontiagudo e cortante (Jo 19.34)
A Bíblia relata que o próprio universo entrou em convulsão. Houve trevas. O sol cobriu o seu rosto de vergonha. Houve terremoto, os túmulos se abriram.
Este episódio da crucificação nos deixa três importantes lições espirituais:

1- A CRUZ MOSTRA A NECESSIDADE DE IRMOS ATÉ O FIM
Jesus sabia de tudo o que estava reservado para ele. Sabia que era necessário sofrer e morrer em favor dos nossos pecados. Mesmo diante de tanto sofrimento, Cristo foi até o fim. Mesmo quando Pedro não queria que ele morresse e até se dispôs a ir em seu lugar. Na cruz, foi desafiado pelos soldados e sacerdotes judaicos a descer e mostrar que era o próprio Deus e Rei. Poderia perfeitamente descer daquela cruz e apenas com o sopro de sua boca destruir todos os seus acusadores. Mas, graças a Deus, Jesus não desceu da cruz! Ele encarou o sofrimento até o final. Jesus nos ensinou que precisamos ir até o fim. Não adianta começar bem e desistir no meio do caminho. Quantos cristãos estão ficando pelo meio do caminho?

2- A CRUZ ENSINA A LIÇÃO DO ENVOLVIMENTO (Lc 23.26)
No meio do caminho da via dolorosa, os soldados romanos obrigaram um homem chamado Simão a ajudar Jesus a carregar a cruz. Não é difícil de imaginar que depois de sofrer tudo o que sofreu desde sua prisão Jesus não conseguiria levar à cruz sozinho. Simão deve ter ido a Jerusalém para celebrar as festas. Simão está indo para Jerusalém quando se encontra com a turba que está zombando de Jesus que havia caído sob o peso da cruz, Simão conhece Jesus. Os filhos dele crêem em Jesus. Simão sente compaixão de Jesus. Ele é forçado pelos soldados romanos a carregar a cruz de Jesus ao Calvário, onde Jesus será crucificado.
Esta é uma lição sobre serviço. A cruz de Jesus representa para nós sua motivação ou propósito, a força propulsora de Suas ações altruístas, Sua demonstração do amor do Pai. Como Simão levou cruz de Jesus, assim também nós podemos adotar do Mestre nosso propósito, vivendo uma vida de desinteressado amor, fazendo pelos outros o que Jesus tem feito por nós. Foi para Simão um privilégio carregar a cruz de Jesus. É um privilégio para nós carregar os fardos de outros, nos envolvermos com suas causas.
No início deve ter parecido uma tragédia para Simão, que certamente deve ter perguntado: “Por que me envolver?”. O que Simão diria em casa? Num dia festivo como o da páscoa ele estava sendo humilhado, carregando uma cruz. Na verdade, estava usufruindo de uma oportunidade maravilhosa de aproximar-se de Jesus, envolver-se com Ele e consequentemente converter-se. Alguns textos bíblicos deixam claro que Simão se converteu e sua família se envolveu completamente na obra de Deus (Mc 15.21; Rm 16.13).
Com a participação de Simão na caminhada da via dolorosa, a cruz nos deixa três princípios espirituais que não podemos esquecer: (1) É preciso envolver-se, engajar-se, comprometer-se; (2) Jesus procura pessoas ocupadas para se envolverem em sua obra; (3) O envolvimento na obra de Deus traz recompensas incomparáveis.

3- A CRUZ ELUCIDA A OPORTUNIDADE DE RECOMEÇAR (Lc 23.39-43; Jo 19.30)
Para o ladrão que estava na cruz ao lado de Jesus, a crucificação não foi o fim, mas sim o começo. Naquela situação horrorosa aquele homem teve a oportunidade de recomeçar. Por causa da morte de Jesus, podemos sempre recomeçar. É a cruz que nos traz uma oportunidade de recomeçar. A morte de Jesus na cruz que nos oferece perdão e nova vida.
Por que a cruz traz um recomeço para todo aquele que crê? Quando Jesus estava morrendo, bebeu vinagre e proclamou em alta voz: “ESTÁ CONSUMADO!”. Esta palavra no grego é tetelestai. Era muito usada no cotidiano e tinha alguns significados:
Ø Um servo usava esta expressão para relatar a seu senhor “consumei a obra que me confiaste a fazer”.
Ø Também era usada pelos sacerdotes depois de examinar um animal para o sacrifício e de não encontrar nele qualquer defeito.
Ø Quando um artista completava uma pintura ou um escritor terminava um manuscrito, também dizia: “está consumado”.
Ø No entanto, o uso mais significativo desta palavra era no sentido comercial. Ao receber algum pagamento os mercadores diziam: “está consumado”. A dívida está paga! Totalmente pago!
Por essa razão a cruz é lugar de recomeço. Nela Jesus concluiu a obra que veio fazer. A divida que era contra nós fora totalmente paga (Cl 2.14,15).

Que possamos aprender mais da cruz. E assim seguirmos as instruções do meigo Nazareno: “se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me” (Lc 9.23).





[1] Sérgio Pereira é Pastor Setorial do Setor 5 - Tapera em Florianópolis (SC), ministro filiado a CGADB e CIADESCP. Bacharel em Teologia, especializado em Bíblia, professor, conferencista e escritor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nova Responsabilidade Ministerial: Pastor Setorial em Florianópolis (SC)

Caros irmãos e amigos, recebemos o honroso convite do Presidente da Assembleia de Deus em Florianópolis (SC), distinto Pr. Juvenil dos Santos Pereira, para integrarmos sua equipe de pastores auxiliares neste vasto campo de trabalho. Após um período de reflexão e oração, entendemos ser esta a direção de Deus e aceitamos o seu convite.


Assim, no último dia 01 de novembro, assumimos o pastorado do Setor 5, Tapera, que compreende as congregações de Tapera, Pedregal, Lírio dos Vales e El Shaday. Nossa responsabilidade agora é pastorear um grande rebanho que congrega neste setor no sul da Ilha de Santa Catarina, a mais bela capital do país. Todavia, manteremos espaço em nossa agenda para atendermos aos inúmeros convites para ministrar a Palavra em todo o Brasil. Contamos com vossa intercessão e oração. Abaixo algumas fotos do templo sede do setor.




















segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Soli Deo Gloria

Aqui posto a última postagem sobre as Solas da Reforma, hoje "Soli Deo Gloria", de autoria do Rev. José Maurício Passos Nepomuceno. Leiam e façam seus comentários.




Soli Deo Gloria


Rev. José Maurício Passos Nepomuceno



Durante todo o desenrolar histórico do relacionamento de Deus com Seu povo, um alerta tem sido notório e reincidente: Deus deseja ser glorificado em, por e através de nós e de nossa instrumentalidade.
Deus não precisa receber a glória dos homens para ser completo ou sentir-se realizado. Pois, como disse o próprio Cristo Jesus, Ele já possuía toda glória antes que o mundo existisse (João 17.5). Mas, então, por que Deus deseja ser glorificado pelos homens? Por que os fez para a Sua própria glória?
Na resposta a essas questões, está um dos pontos focais da teologia reformada. Pois, entre os conceitos básicos da Reforma Protestante figura a resposta mais profunda à inquietante questão da razão da existência humana: Por que e para que existe o homem? Os reformados responderam: o homem existe porque Deus o criou e o criou para a sua própria glória.
Essa postura reformada é a mais simples análise do ensino bíblico sobre a existência do homem; basta uma olhadela do texto bíblico e logo descobriremos isso (Isaías 43.7). Desde a meninice, os filhos dos crentes reformados aprendem: qual é o fim principal do homem? Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. Isso é o que diz o Breve Catecismo de Westminster.
Soli Deo Gloria foi um lema reformado que derivava do entendimento de que, assim como o homem, tudo o que ele faz deve se destinar à glória de Deus. Essa deve ser a mola motora que nos estimule a viver neste mundo.
Um dos maiores problemas do homem, em todos os tempos e sobretudo nos dias atuais, é a questão do seu próprio significado. O que significa viver? Muitas pessoas não querem mais viver, pois perderam o rumo, não encontram razão para estarem vivas amanhã.
Nos tempos modernos, os homens descobriram o consumismo, e isto tornou-se o seu fator motivador - depois do primeiro carro, vem o segundo, aquele novo televisor com mais polegadas que a própria estante, a estante maior vem em seguida... E todos esperam que a economia melhore, para poderem consumir mais.
Nos dias dos Reformadores, as mesmas questões estavam fervilhando, mas eram respondidas de outra forma. De uma maneira geral, as pessoas comuns e muitos “incomuns” viviam para a Igreja. Isso aparentemente era muito bom, pois havia um sentimento religioso e uma busca pelo divino. No entanto, a Igreja havia tomado o lugar central da vida das pessoas; elas estavam dependentes da igreja como uma instituição. Definitivamente, o romanismo havia destruído o catolicismo (conforme foi dito por um sacerdote católico-romano em durante a reunião do conselho de padres casados - Goiás).
O Império, o governo local, o comércio, o latifúndio, a extração mineral, o conhecimento, a arte, a filosofia e toda e qualquer outra riqueza estava atrelada à igreja. Onde está o mal disso? Reside no fato de que a igreja pensava em sua própria glória e grandiosidade.
Lutero vivia para a Igreja até que descobriu que a igreja não estava mais vivendo para Cristo e sim para o papado e para si mesma. Não somente ele; Calvino, Zwínglio, Farel, J.Knox..., todos afirmaram com suas palavras e atos que iriam viver para Deus. Como Calvino comentou: “... Deus deseja que a Sua glória seja manifesta no seu povo”. (Calvin Commentaries on the Isaiah 43.7).
Hoje, corremos o risco perigoso de viver para a nossa própria glória. Isso fará, aos poucos, com que as pessoas que estão na igreja percam o sentido real de sua existência, quando outras coisas tomam a frente dAquele que deve ser o nosso único motivo para termos sido feitos “Igreja de Deus”: viver somente para a glória de Deus.
O homem somente encontra o seu significado quando consegue cumprir com o propósito para o qual foi criado. Mas, isso só alcança o homem redimido em Cristo, pois este é recriado por Deus para viver essa realidade.
Ser um reformado implica em viver somente para Ele e para a Sua glória. Por isso, é necessário sempre reformar, para que, em todas as coisas que fazemos, Deus seja glorifcado. Pois, corremos hoje atrás de muitas coisas, visando quase sempre o nosso bem- estar. Não que seja pecado em si o ato de buscar o próprio progresso, mas isso não pode tornar-se o motivo de nossa existência. Descubra a vida gloriosa que há em viver e fazer tudo somente para a glória de Deus. Soli Deo Gloria! Amém!

Retirado de: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/soli_deo__gloria_nepomuceno.htm

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Solo Christus



Abordaremos nesta postagem mais uma das cinco solas da Reforma Protestante, desta feita "Solo Christus". Acompanhe a leitura abaixo e faça seu comentário.



Solo Christus

Somente Cristo! Esta é uma afirmação conclusiva a qual chegaram os Reformadores do século XVI. Eles resolveram, ou melhor, foram guiados pelo Espírito Santo para enxergarem a grandeza da obra redentora de JESUS. Atentaram ao sublime mistério da paixão como um definitivo acontecimento para a salvação, o perdão e a justificação para todos os crentes, em todas as gerações e em todas as épocas. Em um tempo onde Cristo dividia espaço com outros “possíveis mediadores”, a Reforma veio trazer luz sobre uma das verdades mais absolutas e mais enfáticas que poderíamos aceitar; uma verdade que estava sendo negada e negligenciada pelo catolicismo romano: Cristo é suficiente para a nossa salvação!
A doutrina do “Solo Christus” não só reconhece os méritos de Cristo, como também exclui qualquer outra pessoa de dividir essa glória com ele. Somente Cristo, isto é, ninguém além de Cristo. Ninguém além de Cristo era capaz de cumprir os propósitos de Deus quanto à salvação dos pecadores. Ninguém além de Cristo poderia ser a oferta para a remoção das ofensas. Ninguém além de Cristo poderia suportar todo o peso da responsabilidade de ser o justificador, o autor e consumador da nossa fé. Ninguém além de Cristo poderia ter feito melhor a intercessão entre nós e Deus.
Talvez este seja um ponto onde a maioria dos protestantes sejam unânimes até hoje. Negar que somente Cristo é suficientemente poderoso para nos conferir salvação é negar a sua força e chamar de ineficaz o plano de Deus. Era isso o que acontecia na idade média. Em 431 d.C. instituiu-se o culto a Maria, em 787 d.C. passou a venerar as imagens e em 933 d.C. começou a realizar canonizações. Na ótica corrompida da igreja católica, Maria era uma espécie de co-redentora, e que os santos eram também intercessores entre nós e Deus. Desta forma o cristão não via a Cristo como o único caminho, mas como um dos possíveis. É por este motivo que onde a idolatria reina absoluto, Cristo não tem lugar na mente das pessoas. Vejam como exemplo aqui o nordeste. Aqui é a região mais idólatra do país. Há lugares onde o padroeiro é mais levado em conta do que Deus. Vi ontem numa reportagem da TV local um agricultor louvando a São José pela chuva que recebeu nesse mês. Por que isso? Porque ele foi ensinado que São José tem poder para enviar chuvas à terra. E onde fica Deus nisso? Deus não tem mais autoridade de enviar sua provisão? Ou será que ele perdeu essa capacidade porque está muito velho e repassou para José a responsabilidade de regar a terra? É claro que não! Quem ordena e envia as chuvas é Deus. Mas a mente frágil e suscetível das pessoas mais simples é manipulada pela engenhosidade do catolicismo para acreditarem nessas bobagens. Uma pessoa assim nem se lembra de JESUS, não faz idéia do significado da vinda dele ao mundo e de sua morte na cruz. Em vez disso, Maria e os santos, tem total proeminência.
Aprendemos nas Escrituras a reconhecer como digno de louvor somente a Deus, e JESUS como Deus corporificado. Vejam que quando os magos do oriente vieram até onde estava o menino JESUS, eles o adoraram:
“E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra” (Mateus 2.11).
O texto não diz “e os adoraram”, mas “o adoraram”. Maria estava próxima, mas não recebeu adoração alguma, porque ela não é digna disso, era uma simples mulher e tão pecadora quanto qualquer outro ser humano. Maria também precisou da salvação que seu filho veio trazer, ela mesmo disse que precisava do salvador: “Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46,47).
Os escolastas argumentam que por Maria ter sido concebida sem pecado, isto a coloca numa posição de honra acima de todos nós, ou seja, ela e JESUS teriam a mesma essência pura e isenta do pecado original de Adão. Mas onde na Bíblia vemos essa afirmação? Quando alguém encontrar me avisem. Simplesmente não existe; pelo contrário, Paulo nos diz: “Porque TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Roamanos 3.23).
O único que sobre o qual é dito que não teve pecado é o Senhor JESUS Cristo: “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2ª Coríntios 5.21).
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).
“Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1ª Pedro 2.21,22).
Logo a doutrina da “Imaculada Conceição de Maria” não é bíblica, e se não é bíblica é porque procede dos homens e não de Deus. Também não nos é ensinado em parte alguma que os apóstolos ou aqueles que tiveram uma vida piedosa no passado, mereçam receber adoração e culto, ou que eles possam ouvir nossas orações e interceder a Deus por nós. Paulo e Barnabé recusaram-se ser adorados em Listra quando o povo, em sua ignorância espiritual, quis lhes oferecer sacrifícios os invocando como deuses (Atos 14.15). Por que hoje, se eles pudessem se comunicar conosco, seria diferente? O anjo que veio trazer a revelação ao apóstolo João recusou a atitude dele de se prostrar: “Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Revelação 19.10).
Hoje, no entanto, há pessoas que se curvam diante de esculturas de anjos e de homens e mulheres para adorá-los.
A Reforma veio para nos lembra de uma máxima das Escrituras: “E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos” (Atos 4.12).
Não pode existir outro nome, não pode existir mais ninguém. Só JESUS derramou o seu sangue para nos resgatar e reconciliar com Deus, não foi Maria, não foram os apóstolos, não foram os outros santos, foi somente Cristo.
Na segunda Confissão Helvética Lemos: “Só Deus deve ser invocado pela exclusiva mediação de Cristo. Em todas as crises e provações de nossa vida invocamos somente a ele e isso pela mediação de Jesus Cristo, nosso único mediador e intercessor. Eis o que nos é claramente ordenado: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sal 50,15). Temos uma promessa generosíssima do Senhor, que disse: “Se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (João 16,23), e: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mat 11,28). Está escrito: “Como, porém, invocarão aquele em que não creram?” (Rom 10.14). Nós cremos em um só Deus, e só a ele invocamos, e o fazemos mediante Cristo[i]”.
E um logo adiante também diz: “Por essa razão não adoramos, nem cultuamos nem invocamos os santos dos céus, nem outros deuses, nem os reconhecemos como nossos intercessores ou mediadores perante o Pai que está no céu. Deus e Cristo, o Mediador, nos são suficientes. Nem concedemos a outros a honra que é devida somente a Deus e ao seu Filho, porque ele claramente disse: “A minha glória, pois, não a darei a outrem” (Is 42.8)[ii].
Somente em Cristo achamos salvação e somente ele é o nosso mediador e intercessor. Render essa glória a qualquer outro ser humano, constitui-se em idolatria e pecado, pois ofende a santidade e a divindade de Deus.
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1ª Timóteo 1.5).


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[i] Segunda Confissão Helvética, Cap. X §24 – O Livro das Confissões da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América PC(USA) - Missão Presbiteriana no Brasil Central – 1966 - Revisado, atualizado e editado para o contexto da PC(USA) pelo Portuguese Language Ministry of The Outreach Foundation PC(USA), Louisville, Kentucky, por José Pezini e Alcenir Oliveira 2006.
[ii] Segunda Confissão Helvética, Cap. X §25.

Retirado de http://novareforma.blogspot.com/2011/01/serie-cinco-solas-solo-christus.html

domingo, 23 de outubro de 2011

SOLA GRATIA

Continuando a série de psotagens sobre a Reforma Protestante, trago mais um artigo do Rev. Hernandes Dias Lopes sob o título "Sola Gratia". Leiam e façam seus comentários.





SOLA GRATIA


A Reforma Protestante do século XVI voltou à doutrina apostólica da salvação pela graça independente dos méritos humanos. Agostinho de Hipona no século V já havia condenado o Pelagianismo, que ensinava que o homem não está em estado de depravação total e que ele é tão livre quanto Adão antes da queda para escolher o bem e o mal e que o homem tem poder em si mesmo para fazer escolher e fazer o bem.. A doutrina da salvação conforme a interpretação romana desviou-se da verdade bíblica, pregando o sinergismo, ou seja, a salvação como resultado de cooperação humana-divina. Essa idéia popularizou-se até mesmo entre o evangelicalismo brasileiro, quando muitos crêem que Deus não negará sua graça àqueles que fazem o que lhes é possível fazer ou seja, “Deus ajuda quem cedo madruga”.
A doutrina bíblica da sola gratia precisa ser resgatada novamente. A igreja evangélica brasileira precisa passar por uma nova reforma. Precisamos voltar novamente às Escrituras e enfatizar alguns pontos fundamentais, como seguem:

1. O homem, morto em seus delitos e pecados não pode jamais escolher a Deus por si mesmo – A salvação do homem é uma iniciativa divina. Tudo provém de Deus. A queda não trouxe apenas alguns transtornos e feridas para o homem, trouxe-lhe morte. O homem não está apenas ferido, mas morto em seus delitos e pecados. O homem em seu estado natural é inimigo de Deus. Ele é escravo do pecado. Ele é prisioneiro de Satanás, do mundo e da carne. Se Deus não tomasse a iniciativa da nossa salvação estaríamos rendidos ao pecado e condenados à perdição eterna.

2. A escolha da graça é soberana e não depende de méritos humanos – Foi Deus quem nos escolheu e não nós a ele. Foi ele quem nos amou primeiro e não nós a ele. Até nossa resposta ao amor Deus é obra de Deus em nós. É ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar. Nossa salvação foi planejada e determinada por Deus na eternidade, consumada por Cristo na cruz e aplicada pelo Espírito Santo em nós sem qualquer mérito nosso. O apóstolo Paulo diz: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). Não depende do desejo nem do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus. A Reforma insistia nesse conceito teocêntrico, exaltando a eleição divina contra o livre-arbítrio e o descer divino contra o ascender humano em todas as suas formas.

3. A graça Deus é suficiente para a nossa salvação – A nossa salvação é resultado da obra única e monergista do Espírito Santo em nós, aplicando em nosso coração os efeitos do sacrifício de Cristo. Não podemos nem precisamos cooperar com obras, sacrifícios ou penitências para sermos salvos ou aceitos por Deus. Somos aceitos no Amado, o eterno Filho de Deus. Qualquer esforço humano para ajudar Deus em seu propósito redentor é uma pretensão tola e um atentado inconseqüente à soberania divina. A salvação é pela graça mediante a fé e isto não vem de nós, é dom de Deus, não de obras para quem ninguém se glorie, diz o apóstolo Paulo (Ef 2.8,9). A salvação é de Deus, é realizada por Deus, é aplicada por Deus, é garantida por Deus, para a que a glória seja só de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sola Fide

Conforme prometido na postagem anterior, estaremos neste mês de outubro postando artigos relacionados à Reforma Protestante. No artigo anterior falamos sobre "Sola Scriptura", nesse será sobre "Sola Fide", Somente pela fé! Vamos a leitura.






Sola Fide



Rev. Paul Settle

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Romanos 3:28)
Os Reformadores descobriram, à partir das Escrituras, que os pecadores são justificados pela fé somente. Eles descobriram que a fé é mais do que simplesmente andar de cabeça erguida, esperando que as coisas melhorem (confiança desconectada de um objeto de confiança), e que ela é mais do que meramente crer no que uma igreja ou uma autoridade eclesiástica ensina (confiar numa igreja e aceitar seus dogmas sem confiar em Cristo como Salvador).
Na Bíblia, a fé verdadeira e viva é crer na Palavra de Deus e se entregar a Ele em segura confiança. A fé é a apreensão inteligente da alma da verdade revelada, a aceitação da verdade como se aplicando a si mesmo e a resposta para as suas próprias necessidades, a apropriação da verdade como uma palavra e um convite pessoal de Deus, e uma confiança ativa em Deus e no Seu Filho. Os Reformadores enfatizaram que a fé não é apenas a aceitação intelectual de fatos, mas, antes, é a segura confiança no Cristo vivo. “Confiar em Cristo”, diz Sinclair Ferguson, “...é o cerne da fé. Fé significa habitar em Cristo (João 15:1-11); ela significa receber a Cristo (João 1:12) e, portanto, abraçá-Lo em total confiança”. A fé gira em torno de Cristo e está fundamentada nEle. J. I. Packer recordar o acróstico da escola dominical que a expressa perfeitamente: F-A-I-T-H [Fé] — “Forsaking All, I Take Him” [Abandonando tudo, eu O seguro].
A confiança ou certeza da fé brota da consciência de descansar sobre a Palavra de Deus que “não pode mentir” (Tito 1:2). Deus é digno de confiança; Ele fala a verdade; nós cremos nEle e confiamos seguramente nEle. “Agora, pois, Senhor JEOVÁ, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens falado a teu servo este bem” (2 Samuel 7:28). A fé começa com as Sagradas Escrituras que foram escritas por homens inspirados pelo Espírito Santo e cujas palavras, portanto, constituem a própria Palavra de Deus. “Pelo que também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes” (1 Tessalonicenses 2:13).
Nossa experiência de fé começa com as Escrituras; mas, qual é a origem da fé, de onde ela vem? Fé é uma graça, um dom de Deus (Efésios 2:8; Filipenses 1:29). Ela começa (e continua!) como uma obra do Espírito de Deus. Homens caídos não podem ler e entender a Bíblia sem a Sua assistência miraculosa. Eles não podem apreender nem confiar na verdade, nem podem aceitá-la e aplicá-la a si mesmos, ou recebê-la no coração como um convite pessoal de Deus. Pecadores não podem se voltar para Cristo sem o auxílio soberano e poderoso de Deus. Somente quando, e não até que, o Espírito ilumina o coração, um incrédulo pode agarrar as realidades do evangelho, renunciar seus pecados e sua pecaminosidade e vir a Cristo. Em outras palavras, uma pessoa deve “nascer de novo” antes que ela possa crer. A fé, portanto, vem após a regeneração (João 3:3; 1 Coríntios 2:14; João 6:44, 65; 2 Coríntios 4:4-6; João 3:3-8). Nós estamos mortos; o Espírito imparte o sopro de vida; esta primeira respiração é a fé.
Os pecadores estão ligados ou unidos a Cristo pela fé somente. A fé, unindo-nos a Cristo, faz com que todas as bênçãos espirituais sejam nossas (Efésios 1:3). Assim, a fé é suficiente — nada mais é necessário ou requerido. A fé é perfeitamente adequada para salvar, pois ela liga pecadores com um Salvador perfeitamente adequado. Nós desfrutamos uma salvação perfeita porque, à vista de Deus, estamos unidos com um Salvador perfeito. Quando o carcereiro filipense perguntou, “O que devo fazer para ser salvo?”, a resposta de Paulo disse tudo, “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.
Sola Fide!

(Rev. Paul Settle, um dos fundadores originais da Presbyterian Church in America (PCA), serve como pastor assistente na Park Cities Presbyterian Church (PCA) em Dallas, Texas).



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Suficiência das Escrituras

O mês de outubro é mês comemorativo entre os evangélicos. Foi em 31 de outubro de 1517, que Martinho Lutero fixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg suas famosas 95 teses confrontando as heresias proclamadas pela Igreja Romana. Esse dia ficou conhecido no mundo com o dia da Reforma.
Passados 494 anos os pilares daquele movimento ainda se fazem necessários em nossos dias. Em comemoração a esta data, estarei postando durante este mês alguns artigos que enfatizem os pilares desse movimento. Principiarei sobre a suficiencia das Escrituras com um texto escrito pelo Rev. Hernandes Dias Lopes.



A Suficiência das Escrituras


A Reforma do século dezesseis foi um divisor de águas na vida da igreja e também na história da humanidade. A Reforma não foi uma inovação, mas uma restauração. Não foi a abertura de um novo caminho, mas uma volta às veredas antigas. Não foi a introdução de um novo evangelho, mas uma volta ao antigo evangelho. A Reforma foi uma volta à doutrina dos apóstolos, um retorno ao Cristianismo puro e simples. As verdades enfatizadas na Reforma podem ser sintetizadas em cinco “solas”: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solu Christu e Soli Deo Gloria. Vamos destacar agora o Sola Scriptura.
Todas as igrejas cristãs creem nas Escrituras e aproximam-se dela como Palavra de Deus. Porém, nem todas têm o mesmo conceito das Escrituras. A Bíblia não apenas contém a Palavra de Deus, a Bíblia é a Palavra de Deus. A Bíblia não é uma dentre as regras de fé e prática, mas nossa única regra de fé e prática. Destacaremos, aqui, três pontos importantes para a nossa reflexão.

Em primeiro lugar, as Escrituras são inerrantes. Jesus Cristo foi enfático em dizer que as Escrituras não podem falhar. Ele disse, também, que a Palavra de Deus é a verdade. Não há erros nas Escrituras. Não há contradição nos seus registros. Seus relatos não são mitológicos. A Palavra de Deus é fiel e verdadeira e digna de inteira aceitação. Nem uma das palavras de Deus pode cair por terra. Nenhuma de suas promessas pode fracassar. Pode passar o céu e a terra, mas a Palavra de Deus não vai passar. Ela permanece para sempre. Suas profecias se cumpriram, estão se cumprindo e cumprir-se-ão à risca. Deus conhece a história antes de ela acontecer. O próprio Deus que inspirou as Escrituras é quem dirige os destinos da história.

Em segundo lugar, as Escrituras são suficientes. Nada pode ser acrescentado às Escrituras. Ainda que um anjo venha do céu e pregue outro evangelho, além do que está registrado nas Escrituras, deve ser decisivamente rejeitado. Há dois desvios perigosos com respeito às Escrituras atualmente. O primeiro deles é o liberalismo teológico. Os teólogos liberais não creem na infalibilidade nem na suficiência das Escrituras. Aproximam-se dela não com fé, mas com suspeitas; não com humildade, mas com insolência; não com submissão, mas com rebeldia. Atribuem às Escrituras muitos erros. Afirmam que ela está cheia de falhas e que seus relatos históricos estão repletos de contradição. Afirmam que seus milagres não passam de mitos. Esses paladinos do engano e arautos da incredulidade retiram das Escrituras o que está nas Escrituras, atraindo sobre si mesmos a merecida punição de seu erro. O segundo desvio é o sincretismo religioso. Há muitos crentes que olham para as Escrituras como um livro mágico, usando-a apenas como uma espécie de amuleto religioso. Não a estudam com profundidade nem a aceitam como a única regra de fé e prática. Estão sempre buscando novas revelações e correndo atrás de novos sonhos e visões para nortear-lhes os passos. Se os liberais removem das Escrituras seu conteúdo, os adeptos do sincretismo acrescentam às Escrituras suas novas visões e revelações. Desta maneira, ambas as posições são um sinal de rebeldia contra Deus e uma evidência de insolente apostasia. Não precisamos de novas revelações. Tudo que precisamos saber para a nossa salvação, santificação e serviço está contido nas Escrituras. Devemos conhecê-la, obedecê-la e proclamá-la com fidelidade e senso de urgência.

Em terceiro lugar, as Escrituras são eficientes. As Escrituras não são apenas inerrantes e suficientes, elas são também eficientes. Elas realizam todo o propósito de Deus. Elas não voltam para Deus vazia. Elas são mais preciosas do que o ouro e mais doces do que mel. Elas são não apenas inspiradas, mas também úteis para toda a correção, repreensão e ensino. É por meio delas que Deus chama seus eleitos. É por meio delas que Deus santifica seu povo. É por meio delas que Deus consola seus filhos. É por meio delas que Deus fortalece a sua igreja e a equipada para cumprir sua missão.

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Doze Conselhos Importantes Para Aqueles Que Desejam Ser Líderes na Casa de Deus



• Aprendam a amar os outros, a pensar no bem deles, a ter cuidado por eles, a negar-se a si próprios por causa deles e a dar a eles tudo o que têm. Se alguém não consegue negar-se a si próprio em beneficio dos outros, ser-lhe-á impossível conduzir alguém no caminho espiritual. Aprendam a dar aos outros o que você tem, ainda que se sinta como se nada tivesse. Então o Senhor começará a derramar-lhe a Sua bênção.
• A força interior de um líder deveria equivaler à sua força exterior. Esforços em demasia, avanços desnecessários, inquietações, apertos, tensões, falta no transbordar, planos humanos e avanços na frente do Senhor, são todas as coisas que não devem ocorrer. Se alguém está cheio de abundância em seu interior, tudo o que emana dele é como o fluir de correntes de águas, e não existem esforços demasiados de sua parte. É preciso ser de fato um homem espiritual, e não simplesmente se comportar como um.
• Ao fazer a obra de Deus aprenda a ouvir os outros. O ensinamento de Atos 15 consiste em ouvir, isto é, ouvir o ponto de vista de outros irmãos porque o Espírito Santo poderá falar por meio deles. Seja cuidadoso, pois ao recusar ouvir a voz dos irmãos, você poderá estar deixando de ouvir a voz do Espírito Santo. Todos aqueles envolvidos em liderança devem assentar-se para ouvi-los. Dê a eles oportunidades ilimitadas de falar. Seja gentil, seja alguém quebrantado e esteja pronto para ouvir.
• O problema de muito líderes é não estarem quebrantados. Pode ser que tenham ouvido muito, a respeito de serem “quebrantados" porem não possuem revelação dessa verdade. Se alguém está quebrantado, não tentará chegar as suas próprias decisões no que toca a questões importantes ou aos ensinamentos, não dirá que é capaz de compreender as pessoas ou de fazer coisas, não ousará tomar para si a autoridade ou impor a sua própria autoridade sobre os outros, nem aventurar-se-á a criticar os irmãos ou tratá-los com presunção. Um irmão quebrantado não tentará auto defender-se nem remoer-se por algo que ficou para traz.
• Não deve existir nas reuniões nenhuma tensão, tampouco na Igreja. Com respeito às coisas da Igreja aprenda a não fazer tudo você mesmo. Distribua as tarefas entre os outros e os leve a aprender a usar suas próprias capacidades de executar. Em primeiro lugar, você deve expor-lhes resumidamente os princípios fundamentais a seguir e depois se certificar de que agiram de acordo. É um erro fazer você fazer muita coisa. Evite também aparecer demais na reunião, caso contrário os irmãos poderão ter a sensação de que você está fazendo tudo sozinho. Aprenda a ter confiança nos irmãos e a distribui-la entre eles. O Espirito de Deus não pode ser coagido na Igreja. Você precisa ser submisso a Ele, pois, caso contrário, quando Ele cessar de ungi-lo a Igreja se sentirá cansada ou até mesmo enfadada. Se o meu espirito estiver forte em Deus, ele alcançará e tomará a audiência em dez minutos; se estiver fraco não adiantará gritar palavras estrondosas ou gastar um tempo mais longo, o que inclusive com certeza será prejudicial.
• Ao pregar uma mensagem, não a faça demasiadamente longa ou trabalhada, caso contrário o espírito dos santos sentir-se-á enfadado. Não inclua pensamentos superficiais ou afirmações rasteiras no conteúdo da mensagem; evite exemplos infantis, bem como raciocínios passíveis de serem considerados pelas pessoas como infantis. Aprenda concluir o ponto alto da mensagem dentro de um período de meia hora. Não imagine que, o fato de estar gostando de sua própria mensagem, significa que as suas palavras são necessariamente de Deus.
• Uma tentação com que frequentemente nos deparamos numa reunião de oração é querer liberar uma mensagem ou falar por tempo demasiado. Uma reunião de oração deve ser consagrada a oração, muito falatório levará à sensação, de sentir-se pesado, com o que a reunião se tornará um fracasso.
• Os obreiros precisam aprender muito, antes de assumirem uma posição onde tenham de lidar com problemas ou com pessoas. Com um aprendizado inadequado, um conhecimento insuficiente, um quebrantamento incompleto e um juízo não digno de confiança, serão incompetentes para lidar com os outros. Não tire conclusões precipitadas; mesmo quando se está prestes a fazer algo deve-se fazê-lo com temor e tremor. Nunca trate com leviandade as coisas espirituais. Pondere-as no coração.
• Aprenda a não confiar unicamente em seus próprios juízos. Aquilo que consideras correto pode ser errado e aquilo que consideras errado pode ser correto. Se alguém está determinado a aprender com humildade, levará, com certeza, alguns poucos anos para terminar de faze-lo. Portanto, por enquanto, você não deve confiar demasiadamente em si mesmo ou estar muito seguro a respeito, do seu modo de pensar.
• É perigoso para as pessoas da Igreja seguirem as suas decisões antes de você ter atingido o estado de maturidade. O Senhor operará em você para tratar seus pensamentos e para quebranta-lo antes que você possa compreender a vontade de Deus e ser definitivamente 'autoridade de Deus'. A autoridade se baseia no conhecimento da vontade de Deus. Onde não estiver sendo manifestado a vontade e o propósito de Deus, ali não há autoridade de Deus.
• A capacidade de um servo de Deus com certeza será expandida porem pelo mesmo Deus que o capacitou. Descanse em Deus, ame-o de todo o coração. Jesus disse "sem mim nada podereis fazer". A autoridade necessária para o desempenho do ministério é fruto de nosso relacionamento. Nunca olhe para dentro de você mesmo pois isso poderia desanimá-lo, porém, jamais abra mão da:
1. Intimidade com Deus, e
2. O conselho dos sábios que Deus colocou na Igreja.
• "Não fostes vós que me escolhestes, porem eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça afim de que tudo o pedirdes ao Pai em meu nome Ele vos conceda" Jo 15.16.

Extraído do livro "O Testemunho de Watchman Nee" e são partes de uma carta escrita em 10/03/1950 durante o período de vinte anos em que permaneceu preso pelo Regime Comunista Chinês.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não Vou Ficar Calado!

Não Vou Ficar Calado!






Por Pastor Sérgio Pereira




Diz o adagio popular que “quem cala consente”. Por isso resolvi: NÃO VOU FICAR CALADO! Colocarei minha voz em evidencia. Tocarei a trombeta o mais alto que eu puder.
Denunciarei o pecado que sorrateiramente invade a igreja e tende a esconder-se sob o manto da liderança cada vez mais desviada da verdade.
Combaterei os modismos que “em nome de Deus” assolam a igreja, ridicularizando-a, envergonhando aqueles de bom senso, ultrajando os de caráter nobre, blasfemando da Palavra de Deus e por que não dizer enriquecendo os bolsos dos mercadores do evangelho.
Investigarei cada “doutrina” que me apresentarem. Compararei o que ouvir com a Palavra de Deus. Quero unir-me aos cristãos bereanos que não acreditavam em tudo os que lhe diziam sem antes saberem o vaticínio da verdade a luz da Palavra.
Falarei abertamente, quer ouçam, quer deixam de ouvir, as santas verdades apresentadas pela Bíblia Sagrada. Elas não geram “Ibope”, não faturam reais em vendas de dvd´s e cd´s, não enchem a agenda com grandes eventos que na sua maioria só promovem o estrelismo gospel de nossos dias.
Serei contra todo o tipo de oferta levantada enfatizando que o crente ficará rico depois de “semear”. Lembro que nem toda semente germina. Nem toda semeadura produz colheita. Se a semente não germinar, não há colheita. Se não houver adubos suficientes, não haverá colheita. Se não houver sol e chuva em quantidade necessária, a colheita poderá será minguada ou nula. Pode ser que uma praga devaste a lavoura e estrague a colheita. Creio no Deus da providência, mas não posso crer no Deus que tira de uns para dar aos outros. Creio no Deus da prosperidade, mas não consigo crer num deus caloteiro, sonegador de impostos, que desvie da receita federal e use artifícios de pilantragem.
Não vou ficar calado ao ver pessoas disputando cargos eclesiásticos com joguinhos maquiavélicos, com artifícios de difamação, revelando apenas sede pelo poder e a perpetuação nele. Serei intransigente com aqueles que pelo “Reino” favorecem os que ficam calados, amordaçados pela posição e pelo conforto imposto pelo sistema.
Não vou ficar calado ao ligar ao observar que os tele evangelistas promovem mais o seu ministério do que o Evangelho da Cruz. Irrita-me o fato de ter de assisti-los e ficar a vê-los disputarem sobre quem é o maior vendedor de material gospel, quem tem mais tempo de TV. Ninguém quer ser servo, todos querem ser grandes!
Não ficar calado quando pregadores medíocres fazem apologia à ignorância, dizendo que não é preciso estudar, ler a Bíblia ou bons livros, que a boa mensagem é aquela que vem na hora, etc. Não consigo ser edificado quando alguém começa a sua pregação enfatizando que durante aquele dia não leu a bíblia, não se preparou, e tal. Me dá licença. Dá o púlpito a outro. Respeite o povo que veio ali para ouvir algo de Deus.
Não vou ficar calado ao ver os rumos que toma a igreja brasileira. Não farei parte deste evangelho tupiniquim. Não venderei minha consciência, não irei transigir com os valores absolutos de Deus. Não estarei preso a sistemas humanos regados a luxos e conforto. Quero viver do meu pão diário com a consciência tranquila e em paz com Deus e comigo mesmo. Viverei intensamente cada momento que a vida me propuser, sem medo de julgamentos ou criticas.
Não vou ficar calado com a religiosidade que assola e devasta. O ritualismo hipócrita e fingido dos coronéis do evangelho, que mais parecem querer ressuscitar o feudalismo arcaico e opressor. Romperei com as regras que tramam uma santidade fingida. Distanciar-me-ei do legalismo produtor de uma piedade de aparência. Estarei sempre pronto para receber o novo de Deus por sua Palavra.
Não vou ficar calado. Ainda que tentem me calar, terei o meu púlpito certo. Aqui e acolá. Pregarei a tempo e fora de tempo. O Deus que me chamou não me deu espirito de covardia, mas de coragem. Ouvirei sua voz e por ela me guiarei. Aprenderei com aqueles que O seguem e me deixarei ser discipulado por aqueles que O imitam.
Não vou ficar calado! Tenho dito e não volto atrás!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

SE JESUS FOSSE NEOPENTECOSTAL



Em virtude de tudo o que tenho visto e ouvido no meio evangélico, mas precisamente em minha denominação, a Asssembleia de Deus, é que posto a mensagem abaixo por concordar com o exposto pelo autor e por querer através destas palavras fazer o meu grito de prostesto aos modismos neopentecostais que assaltam minha querida Assembleia de Deus.

Sei que quem cala consente, por isso resolvi a muito tempo não me calar. A poucos dias ouvi determinado "pregador" usar o espaço de uma hora para pedir dinheiro em nome de Deus, prometendo uma vida fácil aos contribuintes, incentivando a deixarem no altar o valor do aluguel do mês , a prestação do carro, enfim, incentivando os crentes a serem velhaco; e "profetizando" que a até a terceira geração dos contribuintes não precisariam trabalhar depois daquela semeadura. E o pior é que tem gente que acredita!




SE JESUS FOSSE NEOPENTECOSTAL



Se Jesus fosse neopentecostal, não venceria satanás pela palavra, mas teria o repreendido, o amarrado, mandado ajoelhar, dito que é derrotado, feito uma sessão de descarrego durante 7 terças-feiras, aí sim ele sairia. (Mt 4:1-11)
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 Dracmas divididas em 4 vezes sem juros. (Mt 5:1-11)
Se Jesus fosse neopentecostal, jamais teria dito, no caso de alguém bater em uma de nossa face, para darmos a outra; Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre quem tivesse batido pois “ai daquele que tocar no ungido do senhor” (MT 5 :38-42)
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado o servo do centurião de cafarnaum à distância, mas o mandaria levar o tal servo em uma de suas reuniões de milagres e lhe daria uma toalhinha ungida para colocar sobre o seu servo durante 7 semanas, aí sim, ele seria curado. (Mt 8: 5-13)
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum!! Na verdade o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de no mínimo 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagrosos seria curado de suas enfermidades. (Jo 6:1-15)
Se Jesus fosse neopentecostal, ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comercio, desta vez sob sua gerência. (MT 21:12-13)
Se Jesus fosse neopentecostal, nunca teria tido para carregarmos nossa cruz, perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lc 9:23)
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado a mulher encurvada imediatamente, mas teria a convidado para a Escola de Cura para o aprender os 7… veja bem, os 7 passos para receber a cura divina. (LC 13:10-17)
Se Jesus fosse neopentecostal, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas teria entrado numa carruagem real toda trabalhada em pedras preciosas, com Poncio Pilatos, Herodes e a cantora Maria Madalena cantando hinos de vitória “liberando” a benção sobre Jerusalém. E o povo não o receberia declarando Hosana! Mas marchariam atrás da carruagem enquanto os apóstolos contaariam quantos milhões de pessoas estavam na primeira marcha pra Jesus. (MT 21:1-15)
Se Jesus fosse neopentecostal, ao curar o leproso (Mc 1:40-45), este não ficaria curado imediatamente, mas durante a semana enquanto ele continuasse crendo. Pois se parasse de crer.. aiaiaiaia
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria expulsado o demônio do geraseno com tanta facilidade, Ele teria realizado um seminário de batalha espiritual para, a partir daí se iniciar o processo de libertação daquele jovem. (Mc 5:1-20)
Se Jesus fosse neopentecostal, o texto seria assim: “ Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um pobre entrar no reio dos céus” (Mt 19:22-24)
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria transformado água em vinho, mas em Guaraná Dolly. (Jo 2:1-12)
Se Jesus fosse neopentecostal, ele teria sim onde recostar sua cabeça e moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito. (Mt 8:20)
Se Jesus fosse neopentecostal, Zaqueu não teria devolvido o que roubou, mas teria doado seu ao ministério. (Lc 19:1-10)
Se Jesus fosse neopentecostal, não pregaria nas sinagogas, mas na recém fundada Igreja de Cristo, e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a Igreja de Cristo Renovada.
Se Jesus fosse neopentecostal, não diria que no mundo teríamos aflições, mas diria que teríamos sucesso, honra, vitória, sucesso, riquezas, sucesso, prosperidade, honra…. (Jo 16:33)
Se Jesus fosse neopentecostal, ele seria amigo de Pôncio Pilatos, apoiaria Herodes e só falaria o que os fariseus quisessem ouvir.
Certamente, Se Jesus fosse neopentecostal, não sofreria tanto nem morreria por mim nem por você… Ele estaria preocupado com outras coisas. Ainda bem que não era.

Por Felipe Almada

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pisando em Terra Santa



Pisando em Terra Santa




Anotações feitas pelo Presb. Saule Goedert




No domingo, dia 31 de julho de 2011, tivemos o encerramento do congresso distrital de jovens, na congregação do João Costa. Convidado para pregar a palavra de Deus, o Pastor e meu amigo, Sérgio Pereira fez suas considerações ao Pastor Luiz Donizete Florentino, aos obreiros e a todos os demais presentes na ocasião. Referindo-se a alguns tópicos da mensagem pregada na noite anterior, seguiu utilizando-se do texto de Êxodo 3. 1-15 que serviu de base para sua reflexão. Assim lemos no texto bíblico citado: “1 E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. 2 E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. 3 E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. 4 E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. 5 E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. 6 Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus. 7 E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. 8 Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu. 9 E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. 10 Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito. 11 Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? 12 E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte. 13 Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? 14 E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. 15 E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração."

Acompanhe a seguir, uma breve descrição, nas próprias palavras do Pastor Sérgio Pereira, da mensagem de encerramento deste congresso.

"Pisar em terra santa é o conceito de vida cristã que me acompanha. Dúvidas e controvérsias atravessam este assunto. Alguém diz que é mais do que palavras e conceitos, é prática diária. Vida cristã é pisar em terra santa, num terreno sagrado. Pode ser letal ou pode ser vital. Pisar em terra santa pode gerar vida bem como pode gerar morte.

O primeiro conceito de pisar em terra santa é contemplar o Deus absoluto e soberano. Moisés contava com 80 anos de idade no contexto em apreço. Aprendeu muitas coisas com seu sogro Jetro. Ao apascentar as ovelhas de seu sogro, teve uma das experiências mais marcantes até aquele momento de sua vida. Naquele dia, a sarça que costumeiramente ardia no deserto, naquela ocasião, ardia e não se consumia. Ele vê algo surpreendente e inigualável. É uma experiência singular, assim como singular é Deus.
Para pisar em terra santa é preciso ter uma experiência com a grandiosidade de Deus. Quando Deus se apresenta dizendo, 'Eu Sou o que Sou', está dizendo que nada do que existe, existe sem ter passado pela sua presença. Está dizendo que toda plenitude e muito além dela, está Nele e em suas mãos.
Moisés disse ' O que é que eu vou dizer?' e Deus respondeu, 'Então dirás: O Eu Sou, me enviou'. Você verá por toda a bíblia e identificará que Deus não existe, Ele simplesmente é! Ele é o que é, de eternidade a eternidade, Ele é Deus! 'Na medida em que você vai andar comigo, você vai descobrir minha grandeza e o meu poder'. Pisar em terra santa é saber que você está na presença do Grande Eu Sou. Vida cristã é contemplar a grandeza de Deus. O Salmo 46. 10, diz: ' 10 Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra'. Vida cristã é isso, é aquietar-se, ter paz interior porque Ele é! Cairão mil ao seu lado e dez mil a sua direita, porque Ele é! Quando olho para bíblia NVI, na mesma referência de Salmo 46. 10 temos a seguinte tradução: 'Pare de lutar, de guerrear, saibam que Eu sou Deus. Não gaste toda a sua força, fique tranquilo porque Eu Sou'. Aquele que é luta por você! Ele é Deus! Não se preocupe, Ele é Deus! Quando você diz isso, seus problemas são solucionados.

Esse pensamento me conduz a outra reflexão. Quando você contempla o Deus absoluto, você abre mão dos ídolos, diante da divindade daquele que é. Moisés é surpreendido por um Deus totalmente diferente dos deuses do deserto. Então Moisés tem que tirar a máscara e, para isso, tira as sandálias dos seus pés. 'Seja verdadeiro aquele que fala na oração, como verdadeiro é aquele com quem fala', dizia um pensador. Moisés coloca sua mão no peito e Deus traz à tona a sua lepra, para que se manifestasse o seu pecado diante Dele e pudesse ser completamente sarado na presença de Deus.

Pisar em terra santa é abrir mão das nossas máscaras e de nossos pecados. Tenho dito, por alguns lugares onde tenho andado, que os nossos cultos não deveriam ser chamados de cultos e sim de 'Baile das máscaras'. Coloque sua mão no peito, mostre a sua lepra, tire as sandálias dos seus pés e mostre a tua face, mostre quem você realmente é! Lembro-me de uma canção que diz a certa altura: 'Apesar da glória que tens te preocupas conosco'. E nós, nos importamos com Ele ou com o que pensa a nosso respeito? Estamos dispostos a abrir mão de toda falta de caráter, costumes obsoletos e vida de iniquidade para termos comunhão com Deus? A única coisa que protegia a carne de Moisés nos seus pés, era a sua sandália. Não fique escondendo ou protegendo a sua carne usando desculpas esfarrapadas para chegar diante de Deus.

Pisar em terra santa é adquirir a perspectiva de Deus para sua vida. Deus não chamou Moisés por acaso ou porque era melhor do que os outros. Logo no início nos versículos 7-10, Deus diz que tem visto o sofrimento do seu povo e comissiona Moisés no que haveria de fazer. Devemos olhar a vida e o mundo com os olhos de Deus. Moisés entende que toda visão de Deus e renúncia, culmina na revelação de um projeto específico de Deus na nossa vida, algo que não dá para escapar.
Lembro-me da história de um menino que numa manhã missionária, na cidade de Blumenau, onde o Pastor falava sobre a oferta especial de Maria e faz um apelo no final, perguntando o que as pessoas iriam entregar para Jesus. O menino de 8 anos de idade pedia perdão a Deus, porque havia gastado as suas únicas moedas que possuía com um pirulito que colecionava. Mas este menino foi tomado por uma lembrança que as professoras da escola bíblica dominical ensinaram que a maior oferta que alguém podia fazer, era entregar a sua vida a Deus. Então o menino seguiu em direção ao altar e pediu para que os diáconos abaixassem a toalha da oferta e logo, entendendo o menino que devia ficar em cima dela como forma de entregar a sua vida a Deus, fez isso. Naquela mesma hora, Deus levantou o pastor da igreja em uma mensagem profética, dizendo que estava aceitando a oferta daquele menino. Foi desta maneira que entreguei minha vida completamente ao Senhor e hoje estou aqui pregando a você a palavra de Deus."

Resumo Da Mensagem Pregada Pelo Pastor Sérgio Pereira Encerramento Do Congresso Distrital De Jovens Congregação João Costa, Joinville (SC)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

EIS-ME AQUI, EU VOU

EIS-ME AQUI, EU VOU

Anotações feitas por Presb. Saule Goedert

No sábado, dia 30 de julho de 2011, tivemos a abertura do Congresso de Jovens do Distrito XXIII, no João Costa. Para transmitir a mensagem foi convidado o nosso amigo e Pastor, Sérgio Pereira que foi grandemente usado por Deus na ocasião, ministrando acerca do texto escolhido pelos jovens que se encontra no livro do profeta Isaías 6. 8, que diz: "8 Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim." Com base neste versículo, foi lançado o tema do congresso "Eis-me aqui, eu vou!"
Em seguida, apresentamos um breve resumo da ministração do Pastor Sérgio Pereira.

"Há uma palavra de Deus para o nosso coração esta noite. Este tema é um tema bastante falado em congressos relacionados a obra missionária. Há 10 anos pregamos a palavra de Deus e em algumas vezes fomos convidados para falar sobre esta temática. Olho para o mundo moderno e vejo o desespero dos povos em remediar as situações que estão atravessando. Quando digo isso, não me refiro apenas as questões morais veiculadas na televisão. Hoje em dia está difícil de passear com a família em qualquer shopping da nossa cidade. Será que a palavra de Deus tem algo a nos dizer a respeito disso ou será que a Bíblia se cala a esse respeito?
No livro do profeta Isaías, temos algumas observações ao iniciar-se o texto deferido citando-se a data: 'No ano em que morreu o rei Uzias...' Isso está relatado para definir a época em que eles viviam. Depois de 52 anos abençoados de reinado, morre o rei Uzias e sobe ao trono o novo rei, seu filho, chamado Jotão que tem um reinado corrompido.
Quando você olha para o poder maculado, para a corrupção que havia naquela época, você vê Isaías profetizando contra estas coisas no capítulo 10 do seu livro. Os profetas eram profetas de conveniência, profetizavam mentiras ao povo. No capítulo 1. 12-15, lemos: ' 12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? 13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. 14 As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. 15 Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.' O povo louva com os lábios, mas o coração está longe do Senhor. Então a religião enfrenta um período de dificuldades. Sacerdotes e profetas corrompidos. Os valores acabaram ficando invertidos, estão chamando mal de bem e bem de mal; amargo, doce e doce, amargo mas no meio desta crise Isaías vai ao templo.

O que fazer quando a crise chega? Se ela chegar para valer, ao invés do desespero, procure a casa de Deus. Isaías não mergulha sua alma no terror ou no desespero, mas busca a Deus no templo. A crise só aumenta quando nós não procuramos a casa de Deus abandonando a Igreja. Isaías vai ao templo buscar socorro de Deus. Ana vai ao templo e encontra uma palavra libertadora. Como não lembrar de Asáfe que concluiu após ir ao templo que a crise só durou até que ele entrou no santuário de Deus. Foi no templo que Zacarias recebeu a promessa do Senhor no evangelho de Lucas. É no templo que Deus tem respostas, tem encontro conosco. Em vez de desespero na crise, procure a casa do Senhor. Salmos 84. 1-4, lemos: ' 1 Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! 2 A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. 3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. 4 Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente.' E especialmente no verso 10, encontramos: ' 10 Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios.' Agora, é claro que, existem muitos lugares que são chamados casa de Deus mas precisavam mudar de título. Saiba em que tipo de templo você está entrando.
A Igreja tem a resposta que o mundo precisa, mas aqueles que tem a resposta, não podem olhar para as circunstâncias. Em meio a crise Isaías viu aquele que estava assentado sobre o trono, na sala de comando do universo. O Senhor reina, independentemente das crises e problemas morais e pecados que envolvem o mundo e a nossa Igreja. As crises não atingem o trono de Deus, tampouco o pegam de surpresa ou o abatem. Salmos 46. 1, diz: ' 1 Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.' Ele é Deus, está no meio dela, continua poderoso. Devemos olhar para aquele que está no trono. Olhe para o céu, para a santidade de Deus. Quando olhamos para ela percebemos que o nosso maior problema não são toda sorte de crises que existem no mundo ou contra a Igreja do Senhor, mas sim o pecado que há em nós. Quando Isaías teve esta visão, parou de dizer ai deste, ai daquele e começou a dizer, ai de mim que vou perecendo. A melhor coisa na vida, é se despertar para ter comunhão com Deus. Lembremo-nos de que o maior problema que há, são os nossos próprios pecados. Seja alguém que tenha coragem para dizer não ao sexo antes do casamento e de ir na contra-mão do regimento mundano!
Na Pesca Maravilhosa, Pedro apavorou-se, pois quando os peixes vieram ele viu algo que os outros não viram. Percebeu que a sua maior necessidade não era a falta de peixes, quando viu Jesus, disse que Ele devia sair da perto dele, pois não era digno de estar em Sua presença. Precisamos reconhecer que somos pecadores!

Eu vou, eis-me aqui, mas preciso ter mais comunhão e experiência contigo.
Além de ver o trono e a santidade de Deus, Isaías também viu o caráter de Deus. Conforme a referência e descrição dos anjos, que tinham duas asas cobrindo os pés, duas que cobriam o rosto e com duas asas eles voavam, concluímos que 75% de nossa potencialidade deve ser utilizada para reverência e adoração a Deus.
Na crise, Deus vai te levar a ter uma visão clara da vocação Dele sobre a sua vida. É sempre no meio de uma crise que Deus evidencia o chamado de alguém. Para enfrentar a crise externa, Deus primeiro cuida da restauração interna. Deus quer restaurar você e coloca-lo em pé novamente. O desafio Dele para sua vida é o de que você enfrente o processo de restauração sobre a sua vida. 'Mas Pastor, eu já pequei muitas vezes!' Não importa quantas vezes você pecou, pois a graça superabundante de Deus estará sobre o seu pecado. É só fazer como Isaías, que disse: 'Ai de mim!' Olhe para dentro de si mesmo que o processo de Deus para sua vida passa a ser imediato. Deus quer colocar você de pé outra vez e mostrar o seu poder sobre a sua vida. Talvez seus pais, até chegaram a dizer que você é uma vergonha, mas Deus diz que você tem potencial nas mãos Dele!
Como não lembrar do Leonardo, um jovem muito talentoso, especial? Podia-se contar com ele para tudo. Mas um dia ele envolveu-se com uma moça e caiu na rede de satanás. Entrou para a vida de prostituição e conheceu o mundo das drogas. Um moço que outrora pregava na Igreja com uma emoção tamanha, agora vivia nas sargetas, jogado na vala do pecado. Certo dia eu me encontro com este moço e ele começou a me dizer que não havia mais esperança para ele, pois havia pecado muito contra Deus. Eu lhe perguntei então, se ele se lembrava das escrituras onde lemos da graça que superabunda sobre o pecado e que isso era como um carrinho de mão de pecado, contra uma caçamba trucada da graça de Deus. Naquele momento, o jovem Leonardo, deu um pulo e disse: 'Eu quero ser perdoado!' Então eu orei por ele e Deus o renovou na mesma hora. Dias depois, eu estava realizando o casamento dele com uma moça crente. Hoje ele me liga todos os meses, da Índia, onde está realizando a obra missionária pela missão do estado do Paraná.

Primeiro Deus restaura, depois vocaciona."

Resumo Da Mensagem Pregada Pelo Pastor Sérgio PereiraCulto De Abertura Do Congresso Distrital De Jovens Congregação Do João Costa em Joinville (SC).

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sou Contra o "Avivamento"



Sou Contra o "Avivamento"



Avivamento. Como se tem falado disso nos últimos anos no Brasil. Uma bela palavra, mas que com o uso banalizado tem corrido o risco de se perder o seu sentido original. É interessante que no EUA antigamente era comum se usar este termo para referir-se a uma espécie de cruzada evangelística, que em alguns contextos eclesiásticos era chamado de avivamento (Revival) .
Este costume gerou algumas situações pitorescas, como estas citadas por Stott, quando um pastor disse a um outro colega: -“ Na semana passada tivemos um avivamento aqui na igreja, mas ninguém foi avivado”. Ou como a daquela igreja que colocou uma placa na porta da frente dizendo: “Todas as quartas avivamento aqui”.
Será que esta experiência não tem se repetido também aqui entre nós? Por isso afirmo que sou contra o “avivamento”, mas não o avivamento que desce do céu, que se manifesta pela vontade soberana de Deus e impacta integralmente as vidas por ele tocadas. Listo abaixo algumas características do tipo de “avivamento’ diante do qual sou radicalmente contra.

Sou contra um “avivamento” sem conversão genuína.
Avivamento de verdade produz conversões, e geralmente estas ocorrem em massa, mas são conversões reais, reveladas em vidas radicalmente transformadas pelo poder de Deus. Ateus, blasfemadores, religiosos formais e inconversos, em fim, em toda classe de pecadores, almas são colhidas e o reino de Deus é ampliado de verdade.
Não ocorre apenas uma mudança de pasto ou redil onde ovelhas de uma comunidade migram para outras e apenas isso. Avivamento não e apenas arrumação de gente, mas acréscimo verdadeiro ao reino através de novas almas convertidas.
Avivamento sem mudança de vida não é avivamento é só agitação humana ou engano demoníaco.

Sou contra um “avivamento” sem angústia pessoal pelo próprio pecado e o da sociedade.
Avivamento genuíno produz angústia, um santa angústia em relação ao seu próprio pecado e o da sociedade em que estamos inseridos. Não há como se falar em um real avivamento se isso não acontece. Se este pretenso avivamento produz apenas cristãos ávidos (ou avivados) por consumir, adquirir e sentir, pode ocorrer tudo ai, menos um avivamento bíblico.
Sem arrependimento e quebrantamento por pecados pessoais e coletivos não se pode falar em um verdadeiro avivamento.

Sou contra um “avivamento” sem o florescimento da misericórdia e do amor.
Um avivamento genuíno é uma obra de Deus e onde Deus age há amor e misericórdia envolvidos de alguma forma. Como falar que vidas estão sendo renovadas em seu relacionamento com Deus e em sua jornada com Cristo pelo poder do Espírito se não há nessas vidas e comunidades uma expressão visível do manifestar do amor, da graça e da misericórdia do Deus que estamos declarando estar mais perto de nós neste tempo de avivamento? É uma pecaminosa contradição.
Por isso reafirmo não acredito em avivamento sem amor e misericórdia manifestos.

Sou contra um “avivamento” sem um renovado interesse pelas Escrituras.
Avivamento sem Bíblia é tudo menos avivamento espiritual, pois a Bíblia é o norteador, o referencial que nos aponta a direção divina que permeia toda a sua ação entre nós. Sem este referencial ficamos ao sabor de nossas próprias experiências, sentimentos e perspectivas, o que se tratando de algo tão fundamental torna-se bastante perigoso. Um verdadeiro avivamento aproxima mais o povo à Bíblia, leva o povo de volta as Escrituras. Por isso reafirmo um avivamento sem Bíblia é espúrio, irreal e perigoso.

Sou contra um “avivamento” sem um impacto verdadeiro na sociedade.
Um avivamento que não transcenda para a sociedade extramuros da igreja não pode ter o selo de um avivamento genuíno. Quando Deus opera na vida do seu povo isso chega a sociedade de forma viva, intensa e relevante. Por isso falar de um avivamento que ocorre em um gueto e ali permanece não é o que Deus nos mostra nas Escrituras e na história da igreja.
Nações já foram impactadas pelo mover de Deus no meio do seu povo e isso sim precisa ocorrer novamente, pois um avivamento que não influencie de verdade a sociedade em que estamos inseridos não é avivamento bíblico.

Sou contra um “avivamento” sem busca de santidade ética, pessoal e coletiva.
Avivamento verdadeiro gera santidade verdadeira. É triste constatar que em muitos meios onde se propaga o tema do avivamento vemos muitos atos antiéticos sendo corriqueiros e o que é ainda pior, não sendo reconhecidos como tal. Sem a manifestação de uma santidade ética tanto pessoal como coletiva não se pode falar na manifestação de um avivamento verdadeiro. Sempre que Deus opera com profundidade na vida do seu povo seu povo volta-se em santidade a presença do Senhor e isso se torna um marco pessoal e coletivo. Um avivamento que não demonstre este tipo de santidade integral não pode ser chamado de avivamento.

Sou contra um “avivamento” que não conduz ninguém a maturidade.
Avivamento que não conduz a maturidade é algo estranho, pois se pensarmos no avivamento como um agir do Senhor, este naturalmente deverá nos conduzir a um processo de aprofundamento de nosso entendimento da vida a partir da perspectiva de Deus. Se isso não ocorre não há avivamento, pois Deus não vai trabalhar para nos tornar infantilizados e superficiais.
Avivamento que só produz criancices e esquisitice vazia é incongruente com o caráter e o agir do Senhor, ainda que o agir do Senhor muitas vezes fuja do lugar comum e do convencional.
Torna-se mais maduro envolve conhecer melhor a Deus, e se um pretenso avivamento não produz isso não pode ser conhecido como tal.

Sou contra um “avivamento” sem vida.
Este é o contra-censo dos contra-sensos, pois como falar de um avivamento ou reavivamento que é exatamente o infundir de uma nova vida no coração e na alma do povo do Senhor se essa nova vida não é demonstrada de forma alguma, ou se apenas o emocionismo e as palavras de ordens superficiais, mas de grande impacto emocional regem este chamado avivamento.
Avivamento real traz nova vida, novo brilho, um novo frescor é como se a vida nova dos céus estivesse sendo infundida novamente em corpos inertes. Não é algo superficial é algo que marca para sempre a vida daqueles que podem passar por esta experiência, cuja história nunca mais será a mesma depois de viverem um verdadeiro avivamento. Avivamento sem vida é um arremedo para não dizer uma triste piada.

Concluindo, temos de desejar, clamar e até esperar, se aprouver a Deus, que ele derrame sobre nós uma verdadeira “chuva” que regue os campos secos dos corações frios e insensíveis de cristãos e não cristãos, que traga o mover soberano de Deus na forma de um avivamento genuíno com todos os verdadeiros frutos a ele relacionados.
Mas temos de ser sóbrios, temos de resistir e rejeitar os avivamentos banalizados, os avivamentos distorcidos, os avivamentos de mentira, os avivamentos que não alcançam a família, o trabalho, a sociedade em todas as suas dimensões e as relações intra e inter pessoais. Sou contra o avivamento que não aviva ninguém. Sou contra o avivamento se este tipo de engano for assim denominado.

Autor: Ednilson Correia de Abreu (Pastor da PIB em Ecoporanga-ES)