quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fim de Ano: Tempo de Gratidão



Fim de Ano: Tempo de Gratidão


Por Pr. Sérgio Pereira

Disse como muita propriedade certo escritor que agradecer faz bem ao coração. É terapia funcional que alivia as tensões da alma e alegra o rosto. A gratidão faz parte da vida do servo de Deus. Gratidão é voltar os olhos ao passado e com esperança direcionar os olhos para o futuro. A gratidão enobrece o individuo engrandecendo-o.
Ações de graças são um aspecto do louvor a Deus, e representam uma oferta feita a ele. No Velho Testamento, ações de graças freqüentemente são citadas em relação à adoração musical (Ne 12.46; Sl 69.30; 100:4; etc.). Sob o Novo Testamento, louvamos a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão em nossos corações (Cl 3.16; Ef 5.19-20). Na antiga aliança, ações de graças são mencionadas várias vezes quando se fala das ofertas e dos sacrifícios feitos pelo povo judeu (II Cr 33.16; Sl 107.22; Jr 33.11). Na aliança de Cristo, mostramos a gratidão em nossos sacrifícios e ofertas (II Co 9.11-12). Pensando dessa forma ajudará o nosso louvor. Ao invés de oferecer adoração egoísta, do estilo e da maneira que nos agrada, louvaremos ao Senhor da maneira que ele pede. Bandas de rock ou hinos acompanhados por instrumentos musicais podem agradar ao homem, mas o Senhor, na Nova Aliança, pediu louvor que vem do coração, oferecido com a voz e os lábios do adorador que serve em espírito e em verdade (Jo 4.24; I Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Hb 13.15). Quando louvamos a Deus para mostrar a nossa gratidão, vamos levantar as nossas vozes em adoração sincera. Vamos cantar louvores a Deus porque ele merece a honra. Pensemos no significado de cada palavra que cantamos, porque queremos adorar em espírito e em verdade.
A gratidão ou ações de graças trazem como resultado coisas maiores do que as recebidas até o momento, o senso de dependência de Deus e por fim, o senso de comunhão e união.
Assim quero ao final de mais um ano expressar minha gratidão a Deus.
Sou grato por minha família, que ao término de mais um ano está feliz, unida, entrelaçada com laços de fraternidade, cumplicidade e amizade.
Sou grato pelas provações, lutas e adversidades que enfrentei durante este ano. Elas me amadureceram, me aperfeiçoaram e me ensinaram a ser melhor do que eu era.
Sou grato pelas mudanças bruscas que enfrentei. Elas serviram para direcionar minha vida dentro do propósito e do plano já estabelecido por Deus e que era por mim desconhecido até então.
Sou grato pelos amigos que conquistei, por aqueles que mantive e por aqueles que se revelaram não serem meus amigos como eu pensava. Em tudo isso, aprendi que apesar das pedradas, devo continuar cultivando relacionamentos e apostando na amizade, pois esse é o desejo do Senhor.
Sou grato a Deus pela igreja que pastoreio. Junto a eles tenho aprendido a doar-me sem precedentes, a entregar-me sem qualquer resquícios de mesquinhez, a viver em comunidade, a partilhar o pão, a chorar com os que choram e a alegrar-se com quem se alegra.
Sou grato a Deus pelo ano que está chegando. Haverá conquistas, mas sei que antes delas, virão vales, adversidades,lágrimas que nos prepararão para recebermos o que Deus já tem preparado para nós.
Por tudo isso, obrigado Senhor!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ele Viu, Veio e Venceu



Ele Viu, Veio e Venceu


Norbert Lieth


Os que vieram antes de Jesus podiam apenas dizer como uma pessoa deveria ser. Jesus, porém, mostrou isso em Seu próprio corpo. Ele não apenas indicou o ideal, como os outros fizeram, mas Ele próprio foi o ideal e o viveu diante de nossos olhos. (O. Hallesby, em “Como Me Tornei Cristão)

Ele viu
Nas primeiras páginas da Bíblia lemos que Deus, depois de criar tudo, olhou para a criação e concluiu: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia” (Gn 1.31). O homem, nesse momento, vivia em perfeita harmonia com o seu Criador e com a criação. Mas então o pecado se interpôs, o ser humano perdeu a comunhão com Deus e a criação inteira foi afetada pela queda. A maldade começou a se alastrar: “viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração” (Gn 6.5). Deus enviou o dilúvio e salvou unicamente a Noé e sua família. Mas o pecado sobreviveu dentro da arca, e não demorou muito para que os homens se rebelassem novamente contra Deus. Construíram a torre de Babel, e Deus teve de intervir para acabar com o orgulho ilimitado da humanidade. Assim, os homens foram dispersos por todo o globo terrestre e Deus confundiu sua linguagem. Mais tarde, Deus escolheu Abraão, e depois dele seu filho Isaque e seu neto Jacó. Deus o fez por uma razão bem específica: queria enviar um Salvador, vindo da descendência de Abraão, para resgatar a humanidade da miséria de seu pecado. Para tanto, Deus deu a Abraão a promessa de que através dele e de sua descendência toda a humanidade seria abençoada: “...em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Essa foi uma clara indicação da vinda de Jesus para salvar o mundo, pois Ele veio da linhagem de Abraão através de Isaque e Jacó, que é Israel. Pensando nesse fato, Jesus disse que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). Cristo estava querendo dizer que a salvação para o mundo vem dos judeus porque Ele, como homem, descendia do povo judeu e trouxe a salvação ao mundo inteiro.
Quando Abraão se dispôs a sacrificar seu filho, Deus interferiu e não permitiu que o menino fosse morto. Mas no lugar do sacrifício de Isaque o próprio Deus, um dia, nos concederia um sacrifício de Si próprio trazendo a salvação para o mundo todo. Por esse motivo Abraão declarou profeticamente em relação a esse fato tão significativo no Plano de Salvação: “E pôs Abraão por nome àquele lugar – O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá” (Gn 22.14). Com grande probabilidade, esse lugar onde Abraão queria sacrificar seu filho Isaque fica na cadeia montanhosa de Moriá, no monte Gólgota, onde Jesus Cristo morreu pelos pecados do mundo aproximadamente 2.000 anos depois. Deus havia eleito esse lugar, e lá Jesus quis se sacrificar por nós.

Ele veio
Ele veio como bebê, dependendo dos outros para Seus cuidados. Como criança, já começou a ser perseguido e teve de fugir.
O amor de Deus pelos homens foi maior do que a rejeição destes a Deus. Jesus veio à terra não para reinar como Rei, mas como servo, para nos salvar. Ele nasceu como bebê indefeso em condições de pobreza. Tornou-se servo por sofrer pessoalmente muito mais do que qualquer outra pessoa. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
O que significou o Natal para Deus? Em primeiro lugar, Deus separou-se de Seu Filho. O que essa separação deve ter representado para Ele? Jesus abriu mão de Sua glória no céu, que era um inimaginável reino de luz, pureza e beleza e onde incontáveis multidões de anjos O serviam, para vir à terra, dominada pelo pecado, pela impureza e pelo poder das trevas. Ele, que é a própria vida e que existe desde a eternidade, veio a um mundo onde reina a morte. Ninguém consegue imaginar e compreender esse contraste. Jesus não veio como rei, mesmo sendo Rei. Ele veio como bebê, dependendo dos outros para Seus cuidados. Como criança, já começou a ser perseguido e teve de fugir. Jesus não cresceu na riqueza, pois tinha de trabalhar pelo Seu sustento. Muitas vezes não foi compreendido pela Sua família e pelos Seus amigos. Os religiosos de Israel O rejeitavam e perseguiam. Foi chamado de comilão e bebedor de vinho e, no final da Sua vida, foi traído e negado. Seus melhores amigos O abandonaram.
Cristo foi condenado como malfeitor e humilhado, mesmo tendo feito apenas o bem em toda a Sua vida. Mas a maior dor de Jesus foi ter sido abandonado pelo Pai quando estava dependurado na cruz, porque se fez pecado por nós. Jesus veio ao mundo com o propósito de morrer em nosso lugar, para que pudéssemos viver. Jesus veio para que nós pudéssemos chegar ao Pai.

Ele venceu
Jesus não veio apenas para morrer. Ele veio para vencer. Através de Sua morte e ressurreição Ele venceu o pecado, a morte e o Diabo. Não existe destino que Ele não tenha derrotado, nem desesperança ou medo, escuridão ou perdição que Ele não tenha sobrepujado triunfalmente. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.55-57). Esse é o sentido do Natal! Sem Sua morte e ressurreição não haveria festa de Natal. Por Jesus ser Deus, Ele não podia permanecer morto. O Pai O ressuscitou, Jesus retornou para a glória do Pai e voltará como Soberano sobre todo o mundo.
O Natal é para você apenas uma festa sentimental, com velas, música e presentes? Será que o Natal não significa mais do que um bebê que não sai da manjedoura a vida toda? Está na hora de oferecer um presente a Jesus, um presente que Ele merece há muito tempo: você mesmo! Entregue sua vida a Ele!



(Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br/)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quando os Valores São Invertidos




Quando os Valores São Invertidos



Por Pr. Sérgio Pereira [1]

Um dos assuntos mais comentados e pregados nos dias atuais tem sido a perda dos valores morais, éticos e espirituais. Nossa sociedade permissiva, pregoeira do relativismo moral, de fundamentos filosóficos contraditórios com a palavra de Deus, o resultado não poderia ser diferente: a rejeição ou inversão dos valores absolutos.
Valores são níveis de preferências pelas coisas, objetos, sentimentos, conhecimento, ou comportamentos. Eles geram algum tipo de conduta, ou seja, servem de parâmetro para a ação das pessoas diante das muitas circunstâncias da vida. Os valores sociais são aqueles que fazem parte do acervo existente em nossa cultura; são os nossos costumes, nossas atitudes, nossas preferências, vistos no contexto social, ou aqueles que elegemos, individualmente, como importantes para nossas vidas. Como cristãos não podemos dissociar nossa vida social da vida e dos valores espirituais. Nossa vida social (que se expressa por meio de nossa vida física e humana no trabalho, na escola, na igreja, na festinha, etc) não pode desligar-se do contexto espiritual sem que neguemos a fé.
Parece que que nos dias de Isaias já havia quem fizesse tais inversões. O profeta Isaías denunciou a atitude daqueles que fazem das trevas luz e da luz trevas; do amargo doce e do doce amargo (Is 5.20). Os que postulam essa inversão de valores estão debaixo de um “ai” de maldição. A corrupção e a decadência dos valores morais tornaram-se tão gritantes que os homens não apenas se distanciaram da verdade, mas tornaram a verdade em mentira e a mentira em verdade. Senão observe o texto: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo" (Is 5.18-25; I Pe 1.15).
Hoje o que temos visto é a igreja e também os crentes nos seus particulares trocar o melhor de Deus, as coisas mais importantes que são promessas na Palavra de Deus, por coisas que não tem nenhum valor. Estão trocando a Palavra de Deus (Bíblia) por livros de conhecimento humano de Deus, que não podem edificar a vida de ninguém e introduzem heresias nas igrejas e também na vida dos crentes. (Ec 12.11-13; II Pe 1.16-21; Sl 119.105). Estão buscando sabedoria deste mundo, enquanto deveriam buscar sabedoria do Alto. (Tg 3.17; I Rs 3.1-14; Pv 1.7). Estão trocando a comunhão com o Espírito Santo, os ensinamentos vindos pelo Espírito Santo por sabedoria humana, coisas aprendidas em faculdades que nada pode acrescentar para a salvação do homem (Gl 1.6-12; I Co 2.1-5; Jo 14.15-26; I Co 2.13; Is 29.13). Estão trocando as coisas do alto por coisas terrenas, ou seja, estão trocando a fé no invisível pelo que é visível. (Cl 3.1, 2; Mt 6.25-33; II Co 4.16-18).
Como consequência da inversão de valores o mundo está dentro da igreja, na verdade a igreja não foi construída para ficar de porta aberta para o mundo entrar nela, mas sim porta aberta para ela sair e invadir o mundo. O mundo está dentro das igrejas através de suas musicas, suas doutrinas, seus lazeres, diante deste quadro não vemos diferença entre a igreja e o mundo. Martinho Lutero diz: "Não é a Igreja que deve determinar o que deve ser ensinado das Escrituras, mas são as Escrituras que determinam o que deve ser ensinado na Igreja".
Geralmente se ouve que as pessoas se perguntam se vale à pena ser honesto. A profecia de Rui Barbosa se cumpriu: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Mas receio que a questão seja um pouco pior: as pessoas já não se perguntam se a honestidade vale à pena, mas sim se a honestidade é possível.

CAUSAS DA INVERSÃO DOS VALORES

Ascensão do relativismo moral. Relativismo é a teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Ela parte do pressuposto de que todo ponto de vista é válido. Essa filosofia afirma ainda que todas as posições morais, todos sistemas religiosos, todos movimentos políticos, etc., são verdades que são relativas ao indivíduo. É uma teoria filosófica baseada na relatividade do conhecimento, da cultura e na moral; nada é absoluto. Assim, tudo é variável, tudo depende da situação e na sociedade vigente. Segundo tais ensinos, o bem pode ser considerado “bem” em uma sociedade, em outro lugar, não. Declaram que a moral é algo relativo. Assim, a noção de certo e errado não existe; tudo é relativo. Em consequência, segundo o relativismo, um pode julgar ser pecado uma atitude e outro não. Entretanto, diante da Palavra de Deus, tudo é esclarecido, pois ela é a nossa norma de conduta: “Bem aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14.22). A sociedade pós moderna tem sofrido as conseqüências da adoção dessa teoria filosófica. Assim, temos presenciado o que tem ocorrido na sociedade americana. Muitos estudantes têm matado colegas e professores. Podemos perceber que não são casos isolados, porque em lugares diferentes têm acontecido tais fatos. Por quê? Porque houve o descuido de transmitirem-se verdades fundamentais, tais como Deus, o respeito à vida. E o ensino sobre o pecado e seus efeitos? Não é mencionado. Graças a Deus que tem havido mobilização para o retorno do ensino cristão às escolas. Há necessidade de que os jovens tenham princípios fortes, para nortear sua conduta. Não se pode ficar à mercê do relativismo. Este não serve de guia, não dá certeza de nada, nem segurança. Quem segue o relativismo, não sabe que rumo tomar. Não tem a base para tomar uma corajosa decisão. Estamos vivenciando uma época de relativismo moral com a rejeição de Deus e dos valores cristãos. A verdade absoluta particular está sendo paulatinamente abandonada, a sociedade ergue a bandeira do pluralismo e evita a ideia que há realmente o certo e o errado.
Manifestação Social do Pluralismo. O pluralismo se traduz num maior número de opções disponíveis na sociedade, em todos os aspectos. É no supermercado, na livraria, no vestuário, na arquitetura etc. Pode-se definir pluralização com a frase “viva como achar melhor”, o que tem muitas semelhanças com a antiga Grécia e Roma, só com a diferença de que este “ecumenismo” não tem centro e deu origem a várias cosmovisões. Surgiu um sem número de “fés” que competem entre si, com pouco, ou quase nada em comum.
Crescente mundanismo. O sagrado e o religioso curvando-se ante o profano e o secular. A igreja sendo contaminada por práticas condenadas por Deus. Aberrações litúrgicas tomando o lugar do sagrado culto ao Senhor. Não se faz distinção entre o que é santo e o que é profano. Vivemos numa época de sacralização do profano e de profanação do sagrado. Nunca antes esses elementos estiveram tão misturados como nos tempos pós modernos. Desde há tempos, tenho me preocupado com tudo o que temos colocado no sacro ambiente aqui entre nós. Tenho visto comportamentos dos mais variados no ambiente evangélico pentecostal, comportamentos exibicionistas, egocentristas, o chamado antropocentrismo. Em muitas passagens bíblicas, verificamos a preocupação de Deus com a santidade de seu povo pareada com a preocupação de sua degeneração moral e espiritual (Ez 44.23; Zc 1.14). Esta preocupação tem base no fato de ter o mundo um senhor que se opõe ao Criador, o qual, ainda que muito menor em poder, é entretanto, maior que o homem. Devido a este quadro ameaçador para todo aquele que quiser adorar a Deus, lembrando que o deus deste mundo não conhece a misericórdia, é que o Senhor se apresenta nas Escrituras, como sendo o nosso refúgio e fortaleza para resistir e enfrentar o maligno desmanchando os seus laços. Esta batalha é antiga: quando o homem foi criado Satanás já havia se rebelado contra Deus e desde então ficaram delineados o santo (o que pertence ao Senhor) e o profano ou mundano (o que pertence ao deus deste mundo).
Subversão espiritual. Isso pode ocorrer com pessoas na igreja que, além de imaturas, são carnais, que se deixam levar por novas idéias, princípios e atitudes sem respaldo bíblico. Elas promovem confusão doutrinária, renegam a fé recebida, e forjam outras doutrinas fora dos princípios básicos da doutrina cristã defendidos na Bíblia Sagrada. Além disso, em nome de uma falsa revelação espiritual, contrariando toda a revelação bíblica, distorcem a verdade de acordo com suas conveniências pessoais e desvirtuam o texto bíblico de várias maneiras, para adaptá-lo ao seu modo de crer; aos seus conceitos pessoais (2 Tm 2.18; 3.7,8).

COMO REAGIR A INVERSÃO DE VALORES
Listo alguns princípios fundamentais:
Ø Denuncie o pecado e rompa definitivamente com ele
Ø Viva os valores do Reino de Deus. Não transija com os valores absolutos da Palavra de Deus. Não venda sua consciência. A verdadeira mensagem do evangelho não se conforma com os discursos politicamente corretos, nem tampouco com mensagens extraídas com boa exegese e hermenêutica, mas conforma-se aos elevados padrões da santidade divina (Mt 5.20,48; I Tm 3.15;6.11).
Ø Devemos desprezar e aborrecer aquilo que é mau, amar aquilo que é justo (I Jo 2.15-17) e não ceder aos vários tipos de mundanismo que rodeiam a igreja, tais como cobiça, egoísmo, oportunismo, conceitos humanistas, artifícios políticos visando ao poder, inveja, ódio, vingança, impureza, linguagem imunda, diversões ímpias, vestes imodestas e provocantes, imoralidade, drogas, bebidas alcoólicas e companhias mundanas.
Ø Devemos conformar nossa mente à maneira de Deus pensar (1 Co 2.16; Fp 2.5), mediante a leitura da Palavra de Deus e sua meditação (Sl 119.11,148; Jo 8.31,32; 15.7). Devemos permitir que nossos planos, alvos e aspirações sejam determinados pelas verdades celestiais e eternas e não por este presente século mau, profano e passageiro.

Diferentemente dos seculares, os valores de Deus são: (1) absolutos: Deus é soberano, por conseguinte, seus princípios e preceitos também os são (Rm 11.34-36). O homem pode até rejeitá-los, mas a conseqüência será sua própria ruína (Dt 12.28; Gl 6.7,8); (2) imutáveis: Deus não muda (Ml 3.6; Hb 13.8), por isso, seus preceitos e princípios jamais mudarão, de eternidade a eternidade permanece a palavra de Deus (Sl 119.89; Mc13.31); e (3 ) universais: Deus é único, em toda parte, apenas Ele é Deus (Dt 6.4; II Sm 7.22; Is 45.21; 46.9; I Co 8.4), portanto, seus preceitos e princípios não estão restritos a um determinado país ou região (Mt 28.18-20).
Nós, os cristãos, a fim de dar o exemplo, devemos viver, não de acordo com os preceitos e princípios humanistas, mas com a vontade de Deus que é absoluta, imutável e universal.

[1] Sérgio Pereira é Pastor na AD em Florianópolis (SC), onde atua como Pastor Setorial no Setor 5- Tapera, ministro filiado a CGADB e CIADESCP. Bacharel em Teologia, especializado em Bíblia, professor, conferencista e escritor

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

As Lições da Cruz

As Lições da Cruz









Por Pr. Sérgio Pereira[1]

Não há nada mais emocionante do que contemplar a cruz e o sacrifício que nela foi consumado para a redenção da humanidade. Foi na cruz que Deus abriu os olhos de nossos corações, nos fazendo perceber por meio de sua fronte, seus pés perfurados pelos cravos, seu sofrimento e amor, vertendo, descendo, fluindo misturados. Não há momento na vida de uma pessoa que seja mais sagrado e mais santo do que esse momento em que somos transportados até a cruz porque é lá que aconteceu o momento mais importante da história.
A cruz representa a libertação de todo o jugo do pecado. Abre-nos a porta da comunhão e da reconciliação com Deus através do perfeito sacrifício de Cristo. Da cruz brotam sofrimento e amor, descem, fluem até nós.
Jesus foi crucificado por volta das nove horas da manhã e permaneceu na cruz até as três horas da tarde, sendo que, do meio-dia às três horas, houve trevas sobre a face da terra (Mc 15.25,33). Jesus falou sete vezes durante essas seis horas terríveis e assustadoras: (1) “Pai, perdoa-lhes” (Lc 23.34); (2) “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43); (3) “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19.25-27); (4) “Por que me desamparaste” (Mt 27.46); (5) “Tenho sede” (Jo 19.28); (6) “Está consumado” (Jo 19.30); (7) “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).
É importante lembrar que não foram os milagres que Jesus realizou que nos salvaram, mas sim, a sua morte na cruz. Toda pessoa que busca a Deus precisa passar pela cruz. A cruz é um símbolo central e importante do cristianismo. Envergonhar-se dela é envergonhar-se do próprio Evangelho.
Na cruz Jesus suportou sofrimentos físicos terríveis: (1) seu Semblante ficou desfigurado (Is 53.2). Não havia beleza Nele, nem aparência, nem formosura. Nossa feiúra moral estava sobre Ele. (2) sofreu torturas cruéis (Is 53.4,5,10). A Bíblia diz que Ele foi ferido. Ferimentos de acordo com a definição de um cirurgião podem ser classificados por suas características:
Ø Contusão: uma ferida causada por um instrumento grosso e cego. Era resultado de um golpe com vara (Mq 5.1; Mt 26.67; Jo 18.22)
Ø Laceração: ferimento produzido por um instrumento que rasga, sendo resultado dos açoites que tinham se tornado uma fina arte entre os romanos. O chicote romano era uma tira de couro com varias extremidades, cada uma com uma ponteira de metal. O corpo de Jesus foi todo lacerado, rasgado.
Ø Penetração: ferimento profundo causado por um instrumento pontiagudo. Em Jesus causado pela coroa de espinhos na cabeça (Mt 27.30; Jo 19.2)
Ø Perfuração: do latim “passar através de”. As mãos e os pés de Jesus foram traspassados, os cravos eram cravados entre os ossos para não quebrá-los
Ø Incisão: corte produzido por um instrumento pontiagudo e cortante (Jo 19.34)
A Bíblia relata que o próprio universo entrou em convulsão. Houve trevas. O sol cobriu o seu rosto de vergonha. Houve terremoto, os túmulos se abriram.
Este episódio da crucificação nos deixa três importantes lições espirituais:

1- A CRUZ MOSTRA A NECESSIDADE DE IRMOS ATÉ O FIM
Jesus sabia de tudo o que estava reservado para ele. Sabia que era necessário sofrer e morrer em favor dos nossos pecados. Mesmo diante de tanto sofrimento, Cristo foi até o fim. Mesmo quando Pedro não queria que ele morresse e até se dispôs a ir em seu lugar. Na cruz, foi desafiado pelos soldados e sacerdotes judaicos a descer e mostrar que era o próprio Deus e Rei. Poderia perfeitamente descer daquela cruz e apenas com o sopro de sua boca destruir todos os seus acusadores. Mas, graças a Deus, Jesus não desceu da cruz! Ele encarou o sofrimento até o final. Jesus nos ensinou que precisamos ir até o fim. Não adianta começar bem e desistir no meio do caminho. Quantos cristãos estão ficando pelo meio do caminho?

2- A CRUZ ENSINA A LIÇÃO DO ENVOLVIMENTO (Lc 23.26)
No meio do caminho da via dolorosa, os soldados romanos obrigaram um homem chamado Simão a ajudar Jesus a carregar a cruz. Não é difícil de imaginar que depois de sofrer tudo o que sofreu desde sua prisão Jesus não conseguiria levar à cruz sozinho. Simão deve ter ido a Jerusalém para celebrar as festas. Simão está indo para Jerusalém quando se encontra com a turba que está zombando de Jesus que havia caído sob o peso da cruz, Simão conhece Jesus. Os filhos dele crêem em Jesus. Simão sente compaixão de Jesus. Ele é forçado pelos soldados romanos a carregar a cruz de Jesus ao Calvário, onde Jesus será crucificado.
Esta é uma lição sobre serviço. A cruz de Jesus representa para nós sua motivação ou propósito, a força propulsora de Suas ações altruístas, Sua demonstração do amor do Pai. Como Simão levou cruz de Jesus, assim também nós podemos adotar do Mestre nosso propósito, vivendo uma vida de desinteressado amor, fazendo pelos outros o que Jesus tem feito por nós. Foi para Simão um privilégio carregar a cruz de Jesus. É um privilégio para nós carregar os fardos de outros, nos envolvermos com suas causas.
No início deve ter parecido uma tragédia para Simão, que certamente deve ter perguntado: “Por que me envolver?”. O que Simão diria em casa? Num dia festivo como o da páscoa ele estava sendo humilhado, carregando uma cruz. Na verdade, estava usufruindo de uma oportunidade maravilhosa de aproximar-se de Jesus, envolver-se com Ele e consequentemente converter-se. Alguns textos bíblicos deixam claro que Simão se converteu e sua família se envolveu completamente na obra de Deus (Mc 15.21; Rm 16.13).
Com a participação de Simão na caminhada da via dolorosa, a cruz nos deixa três princípios espirituais que não podemos esquecer: (1) É preciso envolver-se, engajar-se, comprometer-se; (2) Jesus procura pessoas ocupadas para se envolverem em sua obra; (3) O envolvimento na obra de Deus traz recompensas incomparáveis.

3- A CRUZ ELUCIDA A OPORTUNIDADE DE RECOMEÇAR (Lc 23.39-43; Jo 19.30)
Para o ladrão que estava na cruz ao lado de Jesus, a crucificação não foi o fim, mas sim o começo. Naquela situação horrorosa aquele homem teve a oportunidade de recomeçar. Por causa da morte de Jesus, podemos sempre recomeçar. É a cruz que nos traz uma oportunidade de recomeçar. A morte de Jesus na cruz que nos oferece perdão e nova vida.
Por que a cruz traz um recomeço para todo aquele que crê? Quando Jesus estava morrendo, bebeu vinagre e proclamou em alta voz: “ESTÁ CONSUMADO!”. Esta palavra no grego é tetelestai. Era muito usada no cotidiano e tinha alguns significados:
Ø Um servo usava esta expressão para relatar a seu senhor “consumei a obra que me confiaste a fazer”.
Ø Também era usada pelos sacerdotes depois de examinar um animal para o sacrifício e de não encontrar nele qualquer defeito.
Ø Quando um artista completava uma pintura ou um escritor terminava um manuscrito, também dizia: “está consumado”.
Ø No entanto, o uso mais significativo desta palavra era no sentido comercial. Ao receber algum pagamento os mercadores diziam: “está consumado”. A dívida está paga! Totalmente pago!
Por essa razão a cruz é lugar de recomeço. Nela Jesus concluiu a obra que veio fazer. A divida que era contra nós fora totalmente paga (Cl 2.14,15).

Que possamos aprender mais da cruz. E assim seguirmos as instruções do meigo Nazareno: “se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me” (Lc 9.23).





[1] Sérgio Pereira é Pastor Setorial do Setor 5 - Tapera em Florianópolis (SC), ministro filiado a CGADB e CIADESCP. Bacharel em Teologia, especializado em Bíblia, professor, conferencista e escritor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nova Responsabilidade Ministerial: Pastor Setorial em Florianópolis (SC)

Caros irmãos e amigos, recebemos o honroso convite do Presidente da Assembleia de Deus em Florianópolis (SC), distinto Pr. Juvenil dos Santos Pereira, para integrarmos sua equipe de pastores auxiliares neste vasto campo de trabalho. Após um período de reflexão e oração, entendemos ser esta a direção de Deus e aceitamos o seu convite.


Assim, no último dia 01 de novembro, assumimos o pastorado do Setor 5, Tapera, que compreende as congregações de Tapera, Pedregal, Lírio dos Vales e El Shaday. Nossa responsabilidade agora é pastorear um grande rebanho que congrega neste setor no sul da Ilha de Santa Catarina, a mais bela capital do país. Todavia, manteremos espaço em nossa agenda para atendermos aos inúmeros convites para ministrar a Palavra em todo o Brasil. Contamos com vossa intercessão e oração. Abaixo algumas fotos do templo sede do setor.




















segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Soli Deo Gloria

Aqui posto a última postagem sobre as Solas da Reforma, hoje "Soli Deo Gloria", de autoria do Rev. José Maurício Passos Nepomuceno. Leiam e façam seus comentários.




Soli Deo Gloria


Rev. José Maurício Passos Nepomuceno



Durante todo o desenrolar histórico do relacionamento de Deus com Seu povo, um alerta tem sido notório e reincidente: Deus deseja ser glorificado em, por e através de nós e de nossa instrumentalidade.
Deus não precisa receber a glória dos homens para ser completo ou sentir-se realizado. Pois, como disse o próprio Cristo Jesus, Ele já possuía toda glória antes que o mundo existisse (João 17.5). Mas, então, por que Deus deseja ser glorificado pelos homens? Por que os fez para a Sua própria glória?
Na resposta a essas questões, está um dos pontos focais da teologia reformada. Pois, entre os conceitos básicos da Reforma Protestante figura a resposta mais profunda à inquietante questão da razão da existência humana: Por que e para que existe o homem? Os reformados responderam: o homem existe porque Deus o criou e o criou para a sua própria glória.
Essa postura reformada é a mais simples análise do ensino bíblico sobre a existência do homem; basta uma olhadela do texto bíblico e logo descobriremos isso (Isaías 43.7). Desde a meninice, os filhos dos crentes reformados aprendem: qual é o fim principal do homem? Glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. Isso é o que diz o Breve Catecismo de Westminster.
Soli Deo Gloria foi um lema reformado que derivava do entendimento de que, assim como o homem, tudo o que ele faz deve se destinar à glória de Deus. Essa deve ser a mola motora que nos estimule a viver neste mundo.
Um dos maiores problemas do homem, em todos os tempos e sobretudo nos dias atuais, é a questão do seu próprio significado. O que significa viver? Muitas pessoas não querem mais viver, pois perderam o rumo, não encontram razão para estarem vivas amanhã.
Nos tempos modernos, os homens descobriram o consumismo, e isto tornou-se o seu fator motivador - depois do primeiro carro, vem o segundo, aquele novo televisor com mais polegadas que a própria estante, a estante maior vem em seguida... E todos esperam que a economia melhore, para poderem consumir mais.
Nos dias dos Reformadores, as mesmas questões estavam fervilhando, mas eram respondidas de outra forma. De uma maneira geral, as pessoas comuns e muitos “incomuns” viviam para a Igreja. Isso aparentemente era muito bom, pois havia um sentimento religioso e uma busca pelo divino. No entanto, a Igreja havia tomado o lugar central da vida das pessoas; elas estavam dependentes da igreja como uma instituição. Definitivamente, o romanismo havia destruído o catolicismo (conforme foi dito por um sacerdote católico-romano em durante a reunião do conselho de padres casados - Goiás).
O Império, o governo local, o comércio, o latifúndio, a extração mineral, o conhecimento, a arte, a filosofia e toda e qualquer outra riqueza estava atrelada à igreja. Onde está o mal disso? Reside no fato de que a igreja pensava em sua própria glória e grandiosidade.
Lutero vivia para a Igreja até que descobriu que a igreja não estava mais vivendo para Cristo e sim para o papado e para si mesma. Não somente ele; Calvino, Zwínglio, Farel, J.Knox..., todos afirmaram com suas palavras e atos que iriam viver para Deus. Como Calvino comentou: “... Deus deseja que a Sua glória seja manifesta no seu povo”. (Calvin Commentaries on the Isaiah 43.7).
Hoje, corremos o risco perigoso de viver para a nossa própria glória. Isso fará, aos poucos, com que as pessoas que estão na igreja percam o sentido real de sua existência, quando outras coisas tomam a frente dAquele que deve ser o nosso único motivo para termos sido feitos “Igreja de Deus”: viver somente para a glória de Deus.
O homem somente encontra o seu significado quando consegue cumprir com o propósito para o qual foi criado. Mas, isso só alcança o homem redimido em Cristo, pois este é recriado por Deus para viver essa realidade.
Ser um reformado implica em viver somente para Ele e para a Sua glória. Por isso, é necessário sempre reformar, para que, em todas as coisas que fazemos, Deus seja glorifcado. Pois, corremos hoje atrás de muitas coisas, visando quase sempre o nosso bem- estar. Não que seja pecado em si o ato de buscar o próprio progresso, mas isso não pode tornar-se o motivo de nossa existência. Descubra a vida gloriosa que há em viver e fazer tudo somente para a glória de Deus. Soli Deo Gloria! Amém!

Retirado de: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/soli_deo__gloria_nepomuceno.htm

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Solo Christus



Abordaremos nesta postagem mais uma das cinco solas da Reforma Protestante, desta feita "Solo Christus". Acompanhe a leitura abaixo e faça seu comentário.



Solo Christus

Somente Cristo! Esta é uma afirmação conclusiva a qual chegaram os Reformadores do século XVI. Eles resolveram, ou melhor, foram guiados pelo Espírito Santo para enxergarem a grandeza da obra redentora de JESUS. Atentaram ao sublime mistério da paixão como um definitivo acontecimento para a salvação, o perdão e a justificação para todos os crentes, em todas as gerações e em todas as épocas. Em um tempo onde Cristo dividia espaço com outros “possíveis mediadores”, a Reforma veio trazer luz sobre uma das verdades mais absolutas e mais enfáticas que poderíamos aceitar; uma verdade que estava sendo negada e negligenciada pelo catolicismo romano: Cristo é suficiente para a nossa salvação!
A doutrina do “Solo Christus” não só reconhece os méritos de Cristo, como também exclui qualquer outra pessoa de dividir essa glória com ele. Somente Cristo, isto é, ninguém além de Cristo. Ninguém além de Cristo era capaz de cumprir os propósitos de Deus quanto à salvação dos pecadores. Ninguém além de Cristo poderia ser a oferta para a remoção das ofensas. Ninguém além de Cristo poderia suportar todo o peso da responsabilidade de ser o justificador, o autor e consumador da nossa fé. Ninguém além de Cristo poderia ter feito melhor a intercessão entre nós e Deus.
Talvez este seja um ponto onde a maioria dos protestantes sejam unânimes até hoje. Negar que somente Cristo é suficientemente poderoso para nos conferir salvação é negar a sua força e chamar de ineficaz o plano de Deus. Era isso o que acontecia na idade média. Em 431 d.C. instituiu-se o culto a Maria, em 787 d.C. passou a venerar as imagens e em 933 d.C. começou a realizar canonizações. Na ótica corrompida da igreja católica, Maria era uma espécie de co-redentora, e que os santos eram também intercessores entre nós e Deus. Desta forma o cristão não via a Cristo como o único caminho, mas como um dos possíveis. É por este motivo que onde a idolatria reina absoluto, Cristo não tem lugar na mente das pessoas. Vejam como exemplo aqui o nordeste. Aqui é a região mais idólatra do país. Há lugares onde o padroeiro é mais levado em conta do que Deus. Vi ontem numa reportagem da TV local um agricultor louvando a São José pela chuva que recebeu nesse mês. Por que isso? Porque ele foi ensinado que São José tem poder para enviar chuvas à terra. E onde fica Deus nisso? Deus não tem mais autoridade de enviar sua provisão? Ou será que ele perdeu essa capacidade porque está muito velho e repassou para José a responsabilidade de regar a terra? É claro que não! Quem ordena e envia as chuvas é Deus. Mas a mente frágil e suscetível das pessoas mais simples é manipulada pela engenhosidade do catolicismo para acreditarem nessas bobagens. Uma pessoa assim nem se lembra de JESUS, não faz idéia do significado da vinda dele ao mundo e de sua morte na cruz. Em vez disso, Maria e os santos, tem total proeminência.
Aprendemos nas Escrituras a reconhecer como digno de louvor somente a Deus, e JESUS como Deus corporificado. Vejam que quando os magos do oriente vieram até onde estava o menino JESUS, eles o adoraram:
“E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra” (Mateus 2.11).
O texto não diz “e os adoraram”, mas “o adoraram”. Maria estava próxima, mas não recebeu adoração alguma, porque ela não é digna disso, era uma simples mulher e tão pecadora quanto qualquer outro ser humano. Maria também precisou da salvação que seu filho veio trazer, ela mesmo disse que precisava do salvador: “Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46,47).
Os escolastas argumentam que por Maria ter sido concebida sem pecado, isto a coloca numa posição de honra acima de todos nós, ou seja, ela e JESUS teriam a mesma essência pura e isenta do pecado original de Adão. Mas onde na Bíblia vemos essa afirmação? Quando alguém encontrar me avisem. Simplesmente não existe; pelo contrário, Paulo nos diz: “Porque TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Roamanos 3.23).
O único que sobre o qual é dito que não teve pecado é o Senhor JESUS Cristo: “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2ª Coríntios 5.21).
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).
“Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1ª Pedro 2.21,22).
Logo a doutrina da “Imaculada Conceição de Maria” não é bíblica, e se não é bíblica é porque procede dos homens e não de Deus. Também não nos é ensinado em parte alguma que os apóstolos ou aqueles que tiveram uma vida piedosa no passado, mereçam receber adoração e culto, ou que eles possam ouvir nossas orações e interceder a Deus por nós. Paulo e Barnabé recusaram-se ser adorados em Listra quando o povo, em sua ignorância espiritual, quis lhes oferecer sacrifícios os invocando como deuses (Atos 14.15). Por que hoje, se eles pudessem se comunicar conosco, seria diferente? O anjo que veio trazer a revelação ao apóstolo João recusou a atitude dele de se prostrar: “Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Revelação 19.10).
Hoje, no entanto, há pessoas que se curvam diante de esculturas de anjos e de homens e mulheres para adorá-los.
A Reforma veio para nos lembra de uma máxima das Escrituras: “E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos” (Atos 4.12).
Não pode existir outro nome, não pode existir mais ninguém. Só JESUS derramou o seu sangue para nos resgatar e reconciliar com Deus, não foi Maria, não foram os apóstolos, não foram os outros santos, foi somente Cristo.
Na segunda Confissão Helvética Lemos: “Só Deus deve ser invocado pela exclusiva mediação de Cristo. Em todas as crises e provações de nossa vida invocamos somente a ele e isso pela mediação de Jesus Cristo, nosso único mediador e intercessor. Eis o que nos é claramente ordenado: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sal 50,15). Temos uma promessa generosíssima do Senhor, que disse: “Se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (João 16,23), e: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mat 11,28). Está escrito: “Como, porém, invocarão aquele em que não creram?” (Rom 10.14). Nós cremos em um só Deus, e só a ele invocamos, e o fazemos mediante Cristo[i]”.
E um logo adiante também diz: “Por essa razão não adoramos, nem cultuamos nem invocamos os santos dos céus, nem outros deuses, nem os reconhecemos como nossos intercessores ou mediadores perante o Pai que está no céu. Deus e Cristo, o Mediador, nos são suficientes. Nem concedemos a outros a honra que é devida somente a Deus e ao seu Filho, porque ele claramente disse: “A minha glória, pois, não a darei a outrem” (Is 42.8)[ii].
Somente em Cristo achamos salvação e somente ele é o nosso mediador e intercessor. Render essa glória a qualquer outro ser humano, constitui-se em idolatria e pecado, pois ofende a santidade e a divindade de Deus.
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1ª Timóteo 1.5).


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[i] Segunda Confissão Helvética, Cap. X §24 – O Livro das Confissões da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América PC(USA) - Missão Presbiteriana no Brasil Central – 1966 - Revisado, atualizado e editado para o contexto da PC(USA) pelo Portuguese Language Ministry of The Outreach Foundation PC(USA), Louisville, Kentucky, por José Pezini e Alcenir Oliveira 2006.
[ii] Segunda Confissão Helvética, Cap. X §25.

Retirado de http://novareforma.blogspot.com/2011/01/serie-cinco-solas-solo-christus.html