domingo, 10 de junho de 2012

SER PASTOR!!

Hoje é comemorado o dia do pastor. Sendo pastor sinto-me honrado pelo Sumo Pastor em poder servir a sua Igreja edificando-a e orientando-a em sua caminhada a Canaã Celestial. Visando homenagear a todos os pastores, transcrevo abaixo mensagem de autoria do Pr. Wagner A. Araújo que fala sobre o que é ser pastor. Leia e comente



SER PASTOR (Wagner A. Araújo)

Qual o sentido dessa palavra? Ser pastor! Uma afirmação tão pequena, mas repleta de tanto significado!
Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista. Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.
Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua. Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo.
Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que gradua-se na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital. Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando. Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.
Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a perseguirem-nos, a esfaquearem-nos pelas costas, a criticarem-nos, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós. É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.
Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa. Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.
Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo. Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.
Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade. Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs. Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando nAquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.
Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis. Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço. Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é "repartível". Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão. Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um "assim diz o Senhor", uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.
Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal. Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.
Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobresa e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põem fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre. Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente.
Ser pastor é crer quando todos descrêem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus. Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel. Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus. Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se. As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.
Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos. Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história. Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos. Ser pastor é saber viver. Ser pastor é saber morrer.
E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: "combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé". Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações. Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor. Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.

Eu sou pastor.

Obrigado, Senhor!

Pr. Wagner Antonio de Araújo / Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

 

 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Jesus Odeia Religião? Mesmo?

Jesus Odeia Religião? Mesmo?

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Eu acho que frases de efeito como "Jesus é maior do que religião", ou ainda "Jesus odeia religião", ou mesmo "Eu sigo a Jesus; cristianismo é religião" não ajudam muito. Elas precisam de algumas definições para fazer sentido.
(1) A religião que Jesus "odiou" foi o judaísmo legalista e farisaico de sua época, que era uma DISTORÇÃO da religião que Deus havia revelado a Israel e pela qual os profetas tanto lutaram. Logo, não se pode dizer que Jesus é contra a religião em si, mas contra aquelas que são legalistas, meritórias e contrárias à palavra de Deus;

(2) Jesus participou daquilo que era certo na religião de seus dias: foi circuncidado, aceitou ser batizado por João, foi ao templo nas festas religiosas, orou, deu esmolas, mandou gente que ele curou mostrar-se ao sacerdote;

(3) Seus seguidores, os apóstolos, logo se organizaram em comunidades, elegeram líderes, elaboraram declarações de fé, escreveram livros que virariam Escritura, recolhiam ofertas, tinham locais (casas) para se reunir - ou seja, tudo que uma religião tem. Logo, não devíamos dizer que o cristianismo não é uma religião;

 
(4) É verdade que o Cristianismo através dos séculos se corrompeu em muitos lugares e épocas. Mas, todas as vezes em que isto ocorreu, deixou de ser a religião verdadeira para ser uma religião falsa. Portanto o correto é dizer que Jesus odeia o legalismo religioso, inclusive dentro do cristianismo. Mas é injusto e falso colocar Jesus contra toda e qualquer forma de cristianismo

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Matéria no Mensageiro da Paz Edição de Maio 2012

Mais uma vez sou brindado pela CPAD pela oportunidade de ver publicado mais um artigo de minha autoria no Jornal Mensageiro da Paz.

Na edição nº 1524 de Maio de 2012, na página 16 você lerá a mensagem intitulada "Quando os Valores são invertidos".

Meus agradecimentos ao editor-chefe Pr. Silas Daniel e ao redator Edilberto Silva pela apreciação e deferencia!

Soli deo gloria!

sábado, 7 de abril de 2012

A Páscoa Judaica e a Páscoa Cristã



A Páscoa Judaica e a Páscoa Cristã




Por: Maria Clara Lucchetti Bingemer



Pessach (do hebraico חספ, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judeu e que precede a Festa dos Pães Ázimos . O nome Pessach é associado a esta festa, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme se encontra narrado no livro do Êxodo. Corresponde ao que, no Ocidente, chamamos Páscoa judaica. O Cristianismo, que nasce no seio da sinagoga judaica, chamou de Páscoa sua maior festa: a que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, reconhecido e confessado como Messias e Filho de Deus, do poder da morte para a vida que não termina. A Páscoa judaica e a Páscoa cristã têm muitas diferenças, mas também muitos pontos em comum.
De acordo com a tradição judaica, a primeira celebração de Pessach ocorreu há 3500 anos, quando de acôrdo com a Torah – a Lei de Deus – o Senhor enviou dez pragas sobre o povo do Egito. Antes da décima praga, - que seria a morte dos primogênitos das famílias egípcias - Moisés foi instruído pelo mesmo Deus a pedir que cada família hebréia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas, para que seus primogênitos não fossem exterminados.
Chegada a noite, os hebreus comeram a carne de um cordeiro sem mancha, acompanhada de pães ázimos e ervas amargas. Depois, um anjo enviado por Deus feriu de morte todos os primogênitos egípcios, desde os primogênitos dos animais até mesmo os primogênitos da casa do Faraó. Então este, temendo ainda mais a Ira Divina, aceitou libertar o povo de Israel para adoração no deserto, o que levou o povo ao Êxodo que o levou à liberdade e a sua constituição como povo.Como memória desta libertação, e do castigo de Deus sobre o Faraó foi instituído para todas as gerações de judeus a obrigação de celebrar a festa de Pessach para rememorar o que Deus fez em seu favor.
Pessach portanto significa a passagem, porém a passagem do Senhor através de seu mensageiro, o anjo . Posteriormente foi agregado a esta concepção a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho que confirmou sua libertação. Até hoje os judeus celebram esta festa que evoca os preciosos símbolos que a história da libertação do Egito traz à memória e à história: liberdade, justiça, reinício do ciclo da vida.
A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas possui um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel do Egito, no Cristianismo a Páscoa é a festa maior que celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, assimilando também diversos elementos alegóricos de morte e renascimento representados pela transição do inverno-primavera que ocorre neste período no hemisfério norte; ou pelo ovo símbolo da vida, ou pelo coelho, símbolo da fecundidade e abundancia de vida.
Nada haveria acontecido e nada haveria a celebrar se não fosse essa passagem do Senhor, ao mesmo tempo assustadora e alumbradora na vida do povo de Israel e na carne torturada e assassinada de Jesus de Nazaré. Foi por esta apertada e apressada passagem que o povo eleito conheceu a liberdade e também conheceu mais ao seu Deus. No duro aprendizado do deserto, este mesmo povo aprenderá que não há que ter saudades da falsa abundancia da escravidão, com panelas cheias de cebola e carne. Pelo contrário, há que alimentar-se do escasso maná, dado por Deus segundo a necessidade de cada dia enquanto se caminha rumo à verdadeira liberdade e plenitude.
Os primeiros cristãos viram no mistério pascal de Jesus Cristo novo Exodo e nova Páscoa. Na pessoa do Nazareno inocente e condenado pelos poderes deste mundo enxergaram a salvação, a passagem do Senhor que enfim manifestava o seu Dia. Era cumprido o Tempo e a salvação enfim se fazia presente sobre a história. O Senhor voltaria novamente em plena glória e enquanto tal havia que esperá-lo vivendo o amor até as últimas consequencias.
No entanto, com o passar do tempo, a comunidade cristã foi compreendendo que essa revelação ainda tinha muito a ensinar. Com a Ressurreição do Crucificado, Deus seu Pai dissera sua última palavra sobre aquela vida feita só de amor e humilde serviço. A morte não tinha mais poder sobre ele. E a partir dele, não teria mais poder sobre nenhum homem e mulher vindos a este mundo.
Porém, a Paixão ainda não terminara no seio da história. Enquanto a criação inteira se contraía com a dolorosa expectativa da mulher que vai dar à luz e em meio a suas dores pre-sente a esplendorosa alegria do alumbramento do parto, continuava a haver sofrimento no mundo. Lutas de poder no interior da comunidade, perseguições de toda sorte por parte das mais diversas instâncias. A luz trazida pela passagem de Jesus da morte para a vida pelo poder de Deus brilhava através e apesar das trevas que ainda continuavam com paciência termital seu trabalho predatório sobre a vida e a humanidade.
Por isso o grande Paulo de Tarso ensinará às comunidades por ele fundadas e amadas com paternas entranhas que é preciso vigiar. O Ressuscitado ainda está crucificado toda vez que a vida é machucada e a injustiça parece ganhar terreno. A vitória já está alcançada mas ainda não se manifestou em plenitude. E enquanto isso é preciso ter os rins cingidos, as sandálias aos pés e o cajado à mão. E deixar-se possuir pela urgência e pela pressa.
Urgência de fazer avançar o Reino de Deus através do conflito e da dor. Pressa de fazer acontecer o amor sobretudo ali onde o desamor parece haver conseguido seu maior avanço: na pobreza, na injustiça, na violência, na exclusão. Mas em meio à pressa e à urgência, coração alegre e esperançado. Pois o Senhor passou e passa. Passou em meio ao povo cativo levando-o do cativeiro à libertação. Passou no corpo e na vida de Jesus de Nazaré suscitando-o da morte à vida. Passa e passará em nossas vidas levando-nos da noite escura da injustiça, da violência e do vazio à alegria luminosa que vem do amor feito serviço e lava pés aos irmãos oprimidos no rosto de quem brilha o rosto do Ressuscitado.
Por isso a celebração da Páscoa, entre judeus ou cristãos, é a festa da vida e da alegria ,mas também da urgência. Urgência de viver no respeito e não apenas na tolerância às diferenças que marcam as diversas identidades. Indignação e prática amorosa diante das enormes desigualdades que aprisionam e desumanizam sociedades inteiras.
Urgidos pela pressa de construir o Reino e cientes que não seremos livres enquanto outros permanecerem escravos de corpo ou de alma, cantemos Aleluia! É nosso dever e nossa salvação, pois Deus passou e libertou seu povo; passou e ressuscitou seu Cristo dentre os mortos e nada mais poderá separar-nos de seu amor.Uma muito Feliz Páscoa para todos!




* Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, e Diretora Geral de Conteúdo do Amai-vos. É também autora de "A Argila e o espírito - ensaios sobre ética, mística e poética" (Ed. Garamond), entre outros livros.

sábado, 3 de março de 2012

Matéria Publicada no Mensageiro da Paz Edição 1522 de Março 2012





Mais uma vez sou brindado por nossa Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) com um artigo por mim escrito que foi publicado no Jornal Mensageiro da Paz, edição nº 1522 de março de 2012.


A mensagem intitulada "As Lições da Cruz" contextualiza a experiencia do Calvário com a praticidade da vida cristã. Para conferir a mensagem compre o Mensageiro da Paz no portal da CPAD ou clique neste link:
http://prsergiopereira.blogspot.com/2011/11/as-licoes-da-cruz.html

Meus agradecimentos ao Editor Chefe Pr. Silas Daniel, ao editor Edilberto Silva e ao amigo Eduardo Araújo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PREGANDO A CRISTO

Pregando a Cristo

R. C. Sproul








A igreja do século XXI enfrenta muitas crises. Uma das mais sérias é a crise de pregação. Filosofias de pregação amplamente diversas competem por aceitação no clero contemporâneo. Alguns veem o sermão como um discurso informal; outros, como um estímulo para saúde psicológica; outros, como um comentário sobre política contemporânea. Mas alguns ainda veem a exposição da Escritura Sagrada como um ingrediente necessário ao ofício de pregar.
À luz desses pontos de vista, sempre é proveitoso ir ao Novo Testamento para procurar ou determinar o método e a mensagem da pregação apostólica apresentados no relato bíblico.
Em primeira instância, temos de distinguir entre dois tipos de pregação. A primeira tem sido chamada kerygma; a segunda,didache. Esta distinção se refere à diferença entre proclamação (kerygma) e ensino ou instrução (didache).
Parece que a estratégia da igreja apostólica era ganhar convertidos por meio da proclamação do evangelho. Uma vez que as pessoas respondiam ao evangelho, eram batizadas e recebidas na igreja visível. Elas se colocavam sob uma exposição regular e sistemática do ensino do apóstolos, por meio de pregação regular (homilias) e em grupos específicos de instrução catequética.
Na evangelização inicial da comunidade gentílica, os apóstolos não entraram em grandes detalhes sobre a história redentora no Antigo Testamento. Tal conhecimento era pressuposto entre os ouvintes judeus, mas não era argumentado entre os gentios. No entanto, mesmo para os ouvintes judeus, a ênfase central da pregação evangelística estava no anúncio de que o Messias já viera e inaugurara o reino de Deus.
Se tomássemos tempo para examinar os sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos dos Apóstolos, veríamos neles uma estrutura comum e familiar. Nesta análise, podemos discernir a kerygma apostólica, a proclamação básica do evangelho. Nesta kerygma, o foco da pregação era a pessoa e a obra de Jesus. O próprio evangelho era chamado o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho é sobre Jesus. Envolve a proclamação e a declaração do que Cristo realizou em sua vida, em sua morte e em sua ressurreição. Depois de serem pregados os detalhes da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus para a direita do Pai, os apóstolos chamavam as pessoas a se convertem a Cristo – a se arrependerem de seus pecados e receberem a Cristo, pela fé.
Quando procuramos inferir destes exemplos como a igreja apostólica realizou a evangelização, temos de perguntar: o que é apropriado para transferirmos os princípios da pregação apostólica para a igreja contemporânea? Algumas igrejas acreditam que é imprescindível o pastor pregar o evangelho ou comunicar a kerygma em todo sermão que ele pregar. Essa opinião vê a ênfase da pregação no domingo de manhã como uma ênfase de evangelização, de proclamação do evangelho. Hoje, muitos pregadores dizem que estão pregando o evangelho com regularidade, quando em alguns casos nunca pregaram o evangelho, de modo algum. O que eles chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser apropriados pela pessoa, por meio da fé. Em vez disso, o evangelho de Cristo é substituído por promessas terapêuticas de uma vida de propósitos ou de ter realização pessoal por vir a Cristo. Em mensagens como essas, o foco está em nós, e não em Jesus.
Por outro lado, examinando o padrão de adoração da igreja primitiva, vemos que a assembleia semanal dos santos envolvia reunirem-se para adoração, comunhão, oração, celebração da Ceia do Senhor e dedicação ao ensino dos apóstolos. Se estivéssemos lá, veríamos que a pregação apostólica abrangia toda a história redentora e os principais assuntos da revelação divina, não se restringindo apenas à kerygma evangelística.
Portanto, a kerygma é a proclamação essencial da vida, morte, ressurreição, ascensão e governo de Jesus Cristo, bem como uma chamada à conversão e ao arrependimento. É esta kerygma que o Novo Testamento indica ser o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). Não pode haver nenhum substituto aceitável para ela. Quando a igreja perde sua kerygma, ela perde sua identidade.

Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira / Copyright © R. C. Sproul / Tabletalk Magazine
Copyright © Editora Fiel 2012

RETIRADO DE: http://editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=379

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Maldito Desejo Para 2012

Este é um daqueles textos que a gente lê e diz: "Eu gostaria de ter escrito isso". Meu amigo Pr. Esdras Carvalho fala com muita propriedade sobre as expectativas de um novo ano e a onda de profetizarmos conquistas e bençãos todo inicio de ano. Pedi sua permissão para publicar aqui e ele, com um carinho que lhe é peculiar, concedeu-me este privilégio.



MALDITO DESEJO PARA 2012
Por Pr. Esdras Fernando Carvalho - http://www.assimequeseprega.blogspot.com/


Há algo pior do que ver lojas anunciando promoções “especiais” de natal desde o mês de novembro; há algo pior do que saber que a partir da segunda semana de 2012 as lojas já estarão anunciando promoções “especiais” de carnaval. Sim, há algo pior do que chegar em casa e ver na casinha de correspondências as pilhas de encartes promocionais; há algo pior do que todas essas coisas rotineiras de todo final de ano. Claro que há algo pior, aliás, claro que há algo muito pior do tudo isso.
Pior do que tudo isso é começar a receber os malditos e-mails com a maldita mensagem “2012. Ano de conquistas”. Todo ano é a mesma coisa. Não quero receber esse tipo de mensagem ridícula, impensada e vazia. E por favor, se você, leitor, é um dos que gosta de escrever este tipo de coisinha inútil, poupe-me do desgostoso trabalho de excluir seu e-mail sem ao menos abri-lo, não me envie essa mensagem.

Não quero mais saber de anos de conquistas. Não quero mais saber dessa onda neo (ou qualquer coisa que seja) pentecostal que vive sempre falando a mesma coisa, pregando as mesmas coisas (inúteis e mentirosas também), criando as mesmas campanhas de final de ano. Essa nojeira toda que a gente já sabe de cor: campanha da última semente (todo ano você tem a última chance de lançar a última semente que poderá mudar sua vida para sempre, ou melhor, até o final do próximo ano. Nem vou perder tempo elencando as palhaçadas que tenho recebido e lido em minha caixa de e-mail. Basta essa idiotice que acabei de citar.

Estou com nojo de conviver com essa pobreza intelectual miserável e perniciosa, de gente que não tem o que dizer simplesmente por que não são nada que valha ser apresentado, e então, vive escrevendo e falando besteiras, embora convictos de que disseram algo. Até que disseram algo sim, disseram besteira.

Deixem-me em paz, parem de invadir minha caixa de entrada com essa baboseira e procurem algo digno para fazer.

Acessando sites de gente que vale a pena percebi que nenhum deles “viu profeticamente” mais um maldito ano de conquistas. Procure ler algo assim de Ed René Kivitz, de Augustus Nicodemos, de Ricardo Barbosa de Souza, de Ariovaldo Ramos, de René Padilha, de Renato Vargens, de Hernandes Dias Lopes, de Ricardo Agreste e de tantos outros.

Porque será que estes gigantes não escrevem esse tipo asqueroso de mensagens? Será que eles não têm capacidade para isso? Será que são frios de mais para enxergar com os tais “olhos da fé” (outra palhaçada de quem não tem o que fazer)? Ou será que não tem ainda sabedoria e conhecimento suficientes sobre “o sobrenatural de Deus” que aqueles vadios do “2012 de conquistas” dizem a plenos pulmões que tem?

Não senhores. Absolutamente! O que ocorre de fato é que pessoas que levam a bíblia a sério não se prestam a esse tipo de atividade paupérrima e obscura.

Não tenho esse desejo de um 2012 de conquistas. Deus não me disse que 2012 será um ano de conquistas para o seu povo. Aliás, afirmo sem temor do julgamento, Deus não disse isso para ninguém, os fanfarrões que estão dizendo isso são parlapatões, palradores e mentirosos. Não tenho esse desejo para 2012, e não quero que ninguém me escreva para desejar-me tal insulto.

Mas tenho sim desejos para 2012. Tenho muitos desejos. Amei intensamente minha mulher em 2011, quero amá-la ainda mais em 2012. Feliz 2012 para você Gisele, você merece. Amei intensamente meus filhos em 2011, quero amá-los ainda mais em 2012. Feliz 2012 para vocês, Jader e Jeniffer, vocês merecem. Servi ao meu Senhor Jesus Cristo em 2011, quero servi-lo ainda mais em 2012. Ó meu querido Senhor e Salvador Jesus Cristo, usa-me misericordiosamente em 2012. Trabalhei pela igreja de Cristo em 2011, quero trabalhar ainda mais em 2012. Enfrentei lutas e sofrimentos em 2011 e consegui manter-me fiel a Deus, a minha família e a igreja de Cristo, desejo feito semelhante para 2012. Dá-me graça Senhor Jesus.

Sim, eu tenho desejos para o próximo ano, mas não por um 2012 de conquistas.

Desejo que o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus haja também em nossos corações. Ele não desejou a maldita conquista da peçonhenta teologia da prosperidade que permei-a as inúteis mensagens do tal ano de conquistas. Seu desejo foi mais nobre e muito mais próspero: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:7-8).

O que desejo em 2012 para todos nós filhos de Deus, membros do corpo de Cristo na terra, a igreja? Que desejo que aconteça em 2012? Direi a seguir:

1. Que seja um ano de entrega, e não de conquistas.

2. Que sejamos conquistados, não conquistadores. Conquistados pelo Espírito do Senhor que almeja pelo domínio absoluto de nossos corações.

3. Que as igrejas não promovam campanhas de conquista, mas campanhas de entrega e renúncia.

4. Que os pregadores vadios da pós modernidade e do neo pentecostalismo se debrucem sobre a bíblia e sobre a teologia ortodoxa reformada e preguem mensagens edificantes e transformadoras.

5. Que ao invés de cedermos às tentações desse mundo consumista sejamos mais agradecidos, mais satisfeitos em Cristo Jesus.

6. Que no lugar do orgulho de conquistar tenhamos a humildade de suplicar, crendo que Deus sabe o que faz.

7. Não quero que ninguém pise na cabeça do diabo, quero apenas que Deus seja glorificado.

Meu maior desejo para 2012 é poder louvar e adorar ao Senhor, independente das circunstâncias que me cerquem. Desejo ver o povo de Deus fazendo a mesma coisa: Adorando Àquele que vive e reina para sempre. Ele sim é o grande conquistador!

Opa! Ia me esquecendo! Algum louco andou afirmando categoricamente que o mundo terminará em 2012! Bom, nesse caso, desejo apenas o que a bíblia diz: "Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai” (Marcos 13.32).

Que venha o fim do mundo, que venha quando vier, pois só Deus o sabe. Meu desejo continua sendo o de louvar e adorar o meu Senhor.

“E saiu uma voz do trono, que dizia: Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes. E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina. Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou”. (Apocalipse 19:5-7)

Convém lembrar que o texto acima não trata de uma conquista, mas de uma dádiva. Eu desejo assistir a esta cena e participar dela. Seja isso quando for, pela graça de Deus, eu e minha família estaremos lá, com a igreja de Cristo.

Feliz 2012 a todos!

Indignado mas não sem esperança,

Esdras Fernando Carvalho